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TEATRO

Espetáculo 'Quanto mais eu vou, eu fico' retorna em apresentação virtual

Publicado em: 29/04/2021 16:08 | Atualizado em: 29/04/2021 16:41

O espetáculo é encenado pelas atrizes Endi Vasconcelos (foto) e Maria Laura Catão, da Bubuia Companhia de Teatro,  (Foto: Lucas Leônidas/Divulgação)
O espetáculo é encenado pelas atrizes Endi Vasconcelos (foto) e Maria Laura Catão, da Bubuia Companhia de Teatro, (Foto: Lucas Leônidas/Divulgação)

A migração de nordestinos ao Sudeste em busca de oportunidades de trabalho é o mote da peça Quanto mais eu vou, eu fico. O espetáculo dirigido por Samuel Santos e encenado pelas atrizes Endi Vasconcelos e Maria Laura Catão, da Bubuia Companhia de Teatro, volta com apresentação virtual nesta quarta-feira (29), às 20h, no canal do grupo no YouTube.

Com projeções no cenário do famoso quadro Os retirantes, de Candido Portinari, o enredo apresenta os principais dilemas enfrentados pelos nordestinos durante a migração, mas se preocupa em desmistificar os estereótipos impostos aos moradores da região, passando por temas como a valorização cultural, a pluralidade étnica e oportunidade de trabalho. Apesar da temática forte, a montagem é desenvolvida de forma sensível e questionadora.

"É um problema que atravessa muito quem morou no Sudeste, não tem como negar. Vivemos com uma sensação de não-pertencimento muito grande e somos constantes vítimas de preconceito. Isso precisa ser falado", explica Laura, em entrevista ao Viver divulgada na estreia da temporada 2019. A atriz foi convidada a participar da peça pela amiga e atriz Endi. "De início, resisti, eu já estava no Rio de Janeiro há quatro anos e meio, saturada com o clima e a energia da cidade, sem conseguir trabalho. Quando ela me apresentou a proposta, não tinha como dizer 'não'".

A princípio, a montagem foi pensada para entrar em cartaz no próprio Rio de Janeiro, cidade onde moravam as atrizes, mas a construção da equipe acabou levando as três para o ponto de partida: Recife. "Todas as pessoas que pensávamos para trabalhar com a gente, desde texto, roteiro à coreografia e música, eram pernambucanas. Então pensamos: precisamos apresentar a peça lá. E fomos", afirmou.

A peça reúne uma nova cena autoral de teatro e música pernambucana, com direção musical de Juliano Holanda, músicas de Marcello Rangel, Thiago Martins e Zé Barreto, direção de movimento de Hélder Vasconcelos, além de texto original de Gleison Nascimento. Para o processo de criação, o poeta ouviu os anseios das atrizes, acompanhou de perto os ensaios e escutou nordestinos residentes no Rio de Janeiro.
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