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BBB21 tem 'ataques injustos e desproporcionais', avaliam psicólogos

Publicado em: 09/02/2021 17:08

Acrebiano, Lucas Penteado com Lumena e Juliette (Foto: TV Globo/Reprodução)
Acrebiano, Lucas Penteado com Lumena e Juliette (Foto: TV Globo/Reprodução)

Em duas semanas de programa, o Big Brother Brasil (BBB21) gerou polêmicas e uma onda de comentários nas redes sociais. No último domingo (7), o ator Lucas Penteado pediu para sair do confinamento após uma noite conturbada dentro da casa. O rapaz já vinha de outros conflitos desde a primeira festa, quando começou um desentendimento com a cearense Kerline. Depois disso, houve uma sucessão de briga, desencontros e exclusão, até o dia em que o rapaz deixou o programa.

Para entender melhor o que ocorreu no reality show, o Correio/Diario ouviu psicólogos que avaliaram as situações vividas nestes últimos dias pelos participantes e as repercussões fora da casa. De acordo com o psicólogo e escritor Alexander Bez, especialista em ansiedade e síndrome do pânico, o BBB no geral acarreta diversos tipos de sensações, pois lida com muitas pessoas e as distintas personalidades. Para ele, nessa edição, especificamente, as repressões e conflitos marcam os dias e alguns participantes projetam opiniões como se fossem verdades absolutas, impedindo um diálogo saudável.

"As intolerâncias são marcantes também. Essas situações acabam afligindo os telespectadores, pois os ataques dentro da casa mais vigiada do Brasil são geralmente injustos e desproporcionais. Acredito que o ingrediente para essa inquietude seja o medo do cancelamento e as consequências de um ano bastante complicado como foi 2020. Esses competidores entraram em um confinamento logo após, praticamente, um ano de isolamento social. Os ânimos estão à flor da pele e a racionalidade acabou sendo insuficiente", afirma Bez.

Abuso psicológico
De acordo com a psicoterapeuta Renata Musa, houve um ciclo de violência. "Desde a primeira festa, o Lucas foi colocado como errado e culpado. Ele realmente teve comportamentos que incomodaram as pessoas, isso é um fato. Mas o problema foi a repercussão que isso teve. Acho que existiu uma sede de punição, que é a nossa forma mais clássica de educação, que tem várias problemáticas envolvidas", lembrou.

Segundo ela, questões como essa são maiores que apenas as situações exibidas no BBB21 e demandam, sobretudo, compreensão de todos os envolvidos. "Acho importante falar também sobre a questão do acolhimento, que tem muito a ver com empatia, que é tentar se colocar no lugar do outro, tentar imaginar o que o outro sente. Isso não é uma atribuição só dos psicólogos, é uma responsabilidade de toda a sociedade. Faltou o básico que é as pessoas pararem, lembrarem que ele é humano, que ele tem sentimentos, que sofre... Para que aquele ciclo da violência tivesse sido quebrado”, detalhou.

A psicóloga afirmou, ainda, que esse tipo de comportamento "punitivo" é reflexo do tipo de sociedade que somos. "É completamente estranha e sem sentido essa ideia de que 'a pessoa precisa entender. Então é assim que eu vou fazer para ela entender que ela errou'. Ele entendeu que errou logo depois da festa e esses comportamentos em vez de contribuir para ele, fizeram o contrário, que foi desestabilizar. É muito grave e muito sério. Isso fez a gente pensar bastante nas nossas relações sociais", colocou.

Isolamento
A psicóloga Ana Fanganiello faz uma análise semelhante dos acontecimentos. Segundo ela, o isolamento dentro da casa, gera um impacto profundo, além do estresse e um sofrimento psíquico: "Quando você coloca uma pessoa dentro de um ambiente que não é o dela e essa pessoa já vem com uma bagagem de sofrimento, desaprovação e rejeição, ela entra naquele ambiente e não sente a aprovação de pessoas que estão convivendo com ela, isso causa um sofrimento muito grande."

Fanganiello aponta, ainda, que em situações que a pessoa começa a agir de uma forma que para ela seria natural fora da casa e começa a receber uma rejeição ali dentro, também causa um estranhamento, o que deixa a pessoa se sentindo vulnerável e sem apoio de quem poderia dar um suporte.

Analisando o comportamento e a falta de posicionamento de alguns dos outros participantes do reality diante dos julgamentos exagerados, a psicóloga aponta que pode haver danos prolongados à saúde mental: "Não ter outros participantes que ajudem a pelo menos entender o que está acontecendo pode gerar novos traumas. Esse tratamento (de isolar alguém) pode ser considerado abuso psicológico e agressões psicológicas, todos precisam de um apoio", reforçou.

Na casa, ainda falou-se muito sobre o participante ter problemas com álcool, mas os especialistas ouvidos pelo Correio/Diario alertam que um diagnóstico sério como esse não pode ser feito de maneira apressada nem em condições tão distante da rotina habitual da pessoa, quanto o que foi visto no BBB21.

Estereótipo e sexualidade
Quando os problemas da primeira semana pareciam diminuir, tudo estourou após a última festa. Isso porque após passarem algum tempo juntos no castigo de monstro da semana, Lucas e Gilberto flertaram e trocaram beijos e carícias na madrugada. Depois disso, o ex-BBB contou que é bissexual e que ainda não tinha falado sobre isso com a família. "Eu nunca me assumi", chegou a declarar o ator durante discussão com Karol Conká, Lumena, Camila de Lucas e Pocah. Ao longo da noite, ele também disse que tinha medo de "voltar para a minha quebrada" depois que teve a sexualidade exposta em rede nacional.

Mas nada disso foi suficiente para convencer os demais participantes da sinceridade do rapaz. Para Musa, isso reflete um estereótipo criado sobre ele. "Pintaram um papel de Lucas, criaram uma figura em torno dele e tudo o que ele fazia era visto a partir dessa lente, o que dificultava ainda mais para ele porque era como se nada do que ele fizesse adiantasse, ia ser enxergado da forma como as pessoas queriam enxergar", resumiu.

Para alguns participantes, Lucas estaria tentando ganhar os holofotes, mas o psicólogo Alexander Bez aponta que não existe um momento ideal para se abrir sobre a própria sexualidade e sim falar disso apenas quando a pessoa se sente confortável. "Como aconteceu com Lucas Penteado, o julgamento machuca e traumatiza, devemos ter responsabilidade afetiva e entender que a felicidade é adquirida somente por meio do respeito e compaixão" ressaltou.

Renata Musa tem opinião semelhante e lembra ainda que a falta de tato para com um assunto tão complexo quanto esse, pode ter sido o estopim para a última crise do ex-Malhação no programa. "Tudo isso repercute no último acontecido que foi ele ter se assumido bissexual em rede nacional e isso foi visto como uma forma de manipulação, de estratégia, de jogo. O que era muito difícil para ele fazer, porque existe muito preconceito com a bissexualidade de que é bagunça, de que a pessoa quer aproveitar, cachorrada… Então, muitas pessoas que são bissexuais têm receio. Para ele deve ter sido um momento difícil, não só falar, mas como o beijo que ele deu. E até isso foi visto como manipulação", colocou.

Ela finaliza dizendo que essa questão não é exclusiva do BBB21 e que se espalha por diversos locais: "Aí, mais uma vez, em vez de acolher essa pessoa, ela foi atacada e o preconceito, mais uma vez, apareceu, o preconceito que sempre tem, em vários contextos e lá não foi diferente".
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