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Afeto na quarentena é tema de exposição virtual da pernambucana Ianah Maia

Publicado em: 10/02/2021 10:35 | Atualizado em: 10/02/2021 14:10

O trabaho aborda, sob o olhar feminino e negro, a liquidez das relações afetivas vividas durante o isolamento social (Fotos: Divulgação)
O trabaho aborda, sob o olhar feminino e negro, a liquidez das relações afetivas vividas durante o isolamento social (Fotos: Divulgação)

Em tempos de pandemia e distanciamento social, o afeto precisou ser ressignificado e ganhou contornos virtuais. Esse o é tema da nova exposição da artista plástica recifense Ianah Maia, intitulada "Me apaixonei pelo filtro que eu projetei em você". O projeto de poesias virtuais tem apoio da Lei Aldir Blanc e pode ser visto no Instagram da artista @ianah_.

A distância entre o real e o virtual e a solidão durante a pandemia são temas que perpassam o novo trabalho de Ianah, lançado oficialmente no dia 18 de janeiro. O conteúdo formará, até meados de fevereiro, uma exposição virtual com seis poesias visuais sobre a temática. A mostra reflete sobre conversas no Instagram Stories, festinhas em salas de conferência e interações online, a iniciativa aborda a liquidez das relações afetivas vividas durante o isolamento social sob o olhar feminino e negro.

As narrativas poéticas são compostas por escritos e pinturas sobre relações afetivas vividas durante o isolamento na pandemia. A cada semana, vídeos, fotos e imagens ilustradas, em diferentes formatos e linguagens, são postados no perfil da artista, poetizando o desafio de viver afetos através de interações virtuais e de períodos de quarentena compartilhada.

Um mosaico artístico de impressões e sensações de uma mulher negra acerca das paixões solitárias durante o isolamento, da efemeridade dos momentos presenciais e da fragilidade do real virtual - no qual emojis, likes e mensagens propõem muita aparência mas pouca fidedignidade no campo dos sentimentos. "Considero importante falar de sentimento, para a gente se entender e ajudar as demais a se entenderem também. Afeto é quase sempre uma ferida para a mulher negra", relata a artista.

Com inspirações verídicas em momentos da quarentena, e no trabalho de artistas como Luedji Luna e da autora e teórica feminista norte-americana Bell Hooks - que defende a lida com o afeto como forma de empoderamento - o projeto lança, sobretudo, uma reflexão sobre a qualidade do afeto vivido em tempos de quarentena e de vida social online.

Entre galerias e murais, Ianah é conhecida por seus traços cheios de personalidade e o uso de tinta natural feita de terra - a geotinta. Na nova exposição virtual, ela inova ao unir o orgânico de sua técnica e o ambiente digital, para abordar o afeto no real, no virtual, e, até mesmo, para além desses campos. Pinturas digitalizadas simbolizam o afeto liquefeito nas camadas de Internet, que amplificam expectativas e encobrem possibilidades reais de sentimento - inclusive de amor próprio.

Nos textos das postagens, poucas palavras dizem muito. Trocadilhos e jogos de palavras tecem a veia poética, junto a recursos de música, localização, reels e stories, ferramentas que ajudam a contar uma história cronológica, quase como numa novela visual. "Nas poesias, brinco com essa moda dos filtros que tanto o pessoal usa, uma metáfora para as projeções que fazemos a respeito do outro, e também uma provocação sobre como a gente aparece para as pessoas através das redes", conceitua ela.
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