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ARTES VISUAIS

Flora pernambucana inspira estamparias em exposição do Cais do Sertão

Publicado em: 13/01/2021 15:26 | Atualizado em: 13/01/2021 15:53

Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo  (Foto: Divulgação)
Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo (Foto: Divulgação)


O conjunto de conhecimento em torno das plantas vai muito além da botânica. Um olhar etnográfico e ritualístico para a flora pernambucana estimulou as artistas visuais e designers Maria Eduarda Belém e Sofia Lobo a produzirem 12 estampas originais que mesclam design, botânica e sabedoria popular. Expostas em túnicas, elas estão reunidas na exposição Plantas mágicas de Pernambuco, com entrada pela Sala Moxotó do Cais do Sertão, no Bairro do Recife. A inauguração será quinta-feira (14), às 19h, com visitação gratuita até 23 de fevereiro - das 10h às 16h, nas quintas e sextas, e das 11h às 19h, nos sábados e domingos.

Em 27 de janeiro, será realizada uma live, nas redes sociais do museu, para o lançamento do catálogo virtual, disponibilizado para download com estampas e registros da mostra. As artistas vão conversar com o etnobotânico, pesquisador e professor Ulysses Paulino de Albuquerque, do Departamento de Biologia da UFPE, que atuou como consultor do projeto. A mostra foi patrocinada pelo Funcultura e também tem apoio do Cais do Sertão. A pesquisa para o projeto começou em 2018.

"Gostamos muito de planta e sempre conversamos sobre isso, da presença de plantas na infância, das lembranças de nossos avós. Trabalho com estamparia, então começamos a pesquisar e encontramos um artigo sobre plantas de mercado", diz Sofia, que é sócia-fundadora da Estampa Banana. "Conhecemos o Dr. Ulysses e começamos falando sobre plantas medicinais de Pernambuco, depois sobre rituais, até aqueles ligados à jurema sagrada", continua a designer. "O interessante era buscar a procedência, a passagem desses conhecimentos, como isso se dá de grupo para grupo. Juntamos conversas de conhecimento popular até os desenhos das plantas em si, usando essas duas coisas na estamparia."

As 12 estampas são inspiradas em plantas que vão desde o sargaço até os perfumes de ervas sintéticas, passando pela babosa, pelo fumo, pela planta de reza, entre outras. "Fizemos alguns trabalhos juntas na área de design, mas esse projeto também caminha pelo viés da etnobotânica, que é um misto da botânica com a antropologia. Foi onde encontramos esse cantinho", diz Maria Eduarda. "Fizemos uma pesquisa de campo, fomos em muitos mercados, falamos com vendedores e até profissionais ligados ao uso dos medicamentos fitoterápicos, como no Cesam (Centro de Saúde Alternativa de Muribeca)."

Estamparia de perfumes com ervas sintéticas (Foto: Divulgação)
Estamparia de perfumes com ervas sintéticas (Foto: Divulgação)

Elas visitaram ainda locais como a Vila do Carão, em Altinho, a Serra do Ororubá, em Pesqueira, os distritos de Carneiro e o Vale do Catimbau, em Buíque. "São comunidades que têm preservado muito dos costumes, desde a pessoa que planta, passando pelo vendedor, até a rezadeira", diz Maria Eduarda. Quem também serviu de referência foi o Mestre Abias, artesão de Igarassu que monta suas obras com galhos, raízes e troncos caídos.

Maria Eduarda é mais próxima de trabalhos manuais, enquanto Sofia é mais digital. "Mas temos uma sinergia muito grande quando trabalhamos juntas. Pensamos em fazer desenhos, aquarela, ficamos patinando até encontrar algo numa linguagem de gravura. Existe algo de identidade regional, também. Fugimos completamente do nosso estilo, acho. Foi uma maneira de cruzar os nossos traços."

A escolha de exibir as estampas em túnicas também tem a ver com esse imaginário etnobotânico. "A túnica significa ancestralidade. Essa peça era usada pelos reis iorubás. São reis que descendem de divindades, então é uma maneira de trazer a mágica das plantas", explica Maria Eduarda. "Quem trabalha com plantas tem muita fé dentro de si", diz Sofia Lobo. "É algo sempre muito carregado de fé. Uma das entrevistadas sempre falava que pensava em uma planta, e depois de um tempo essa planta aparecia. Dam dois dias, e a planta simplesmente chegava nela através de alguém, ou aparecia na rua."

SERVIÇO
Exposição Plantas mágicas de Pernambuco
Quando: de 14 de janeiro a 23 de fevereiro
Onde: Sala Moxotó, no Museu Cais do Sertão (Bairro do Recife)
Quanto: gratuito
Informações: @plantasmagicasp
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