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Documentário investiga rastro de violência no contrabando de cigarros no Brasil

Publicado em: 19/05/2020 12:48 | Atualizado em: 19/05/2020 13:16

Gravações do documentário Cigarro do Crime (Foto: Divulgação)
Gravações do documentário Cigarro do Crime (Foto: Divulgação)


O preço médio de uma carteira de cigarro fabricada no Brasil, dentro das atuais normas da tributação, é de R$ 7. Existem, no entanto, aqueles produtos que custam entre R$ 3 e R$ 4. O que existe por trás dessa discrepância? Não é apenas a qualidade, como muitos fumantes pensam. Basta dar um Google no nome da marca que o usuário descobrirá a sua origem: o Paraguai. O contrabando de cigarros é um mercado bilionário e movimenta uma rota na América Latina, sobretudo entre Paraguai e Brasil. Diante da problemática do narcotráfico, no entanto, esse contrabando é tido como uma questão menos emergencial pelas autoridades e pela sociedade em geral. 

É sobre esse universo que o documentário nacional Cigarro do Crime, dirigido por João Wainer, fotojornalista investigativo conhecido por mergulhar em temas complexos que permeiam a sociedade brasileira. O projeto investigativo conta com produção da Vice Brasil, com apresentação da jornalista Débora Lopes, e foi idealizado em parceria com o Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP). O resultado final tem cerca de 40 minutos e está disponível gratuitamente no YouTube desde o dia 14 de maio.

O documentário traça um roteiro didático, que vai desde a produção em terras paraguaias, passando pelas etapas do contrabando na fronteira até a chegada em bares, mercados e vendedores de bairros e favelas em todas as regiões do Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2018, o Brasil deixou de arrecadar R$ 11,5 bilhões em impostos com o comércio ilegal de cigarros. Mas a tributação federal (que chega a ser de 70%, tida como abusivas por alguns setores) não é o único problema. Esse comércio alimenta o crime de uma forma silenciosa, sobretudo com o investimento de milícias e grandes organizações criminosas.

Em Cigarro do Crime, a jornalista jornalista Débora Lopes conversa com consumidores, contrabandistas e policiais e especialistas que já trabalharam com esse universo. Ela mostra que os lotes de cigarro chegam em determinados pontos da fronteira do Brasil através de barcos motorizados que cortam o rio Paraná com velocidade de até 150 km/h, deixando um rastro de medo de violência. Essa movimentação geralmente é feita pela noite, o que obriga a polícia a usar  óculos com visão noturna.

Débora Lopes entrevistou especialistas no combate ao contrabando (Foto: Divulgação)
Débora Lopes entrevistou especialistas no combate ao contrabando (Foto: Divulgação)


Depois disso, as caixas são empilhadas em carros (esvaziados propositalmente para o contrabando). Esses veículos transitam em alta velocidade pelas estradas, cheios de chips e dispositivos que possibilitam uma velocidade que chega a 250 km/h. Os motoristas são chamados de “cavalos doidos” - alcunha conferida pela polícia. 

Muitas das pessoas que fazem parte dessa engrenagem criminosa se enxergam como comerciantes convencionais. “Cada carro que eu trazia com a carga dava uma grana boa. Tirava dois mil, dois mil reais e meio... Claro que não me sinto criminosa. Eu tô pagando pela carga, não tô roubando de ninguém”, relata, com tranquilidade, uma dessas atravessadoras. Assim como em outros produtos, a contrabando desse cigarro também conta com a leniência de alguns setores da polícia rodoviária.

Após desvendar como se dá a travessia da carga ilegal, a jornalista percorre ainda universos que envolvem violência, prisões, mortes e lavagem de dinheiro. Tudo para entender cada etapa do contrabando de cigarros para o Brasil. Com gravações em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Foz do Iguaçu (PR), Assunción e Ciudad del Este (Paraguai).

"O objetivo do documentário é, além de impactar segmentos diversos com suas abordagens do tema, principalmente transmitir a mensagem de que o crime organizado no Brasil vem sendo financiado pelo tabaco ilegal”, afirma Edson Luiz Vismona, presidente do FNCP. ”E, dessa forma, despertar no público a consciência de que, ao comprar um cigarro contrabandeado, ele está sustentando um poder paralelo sem leis. Ou seja, é um problema de todos nós".

A interessante investigação jornalística chegou ao público juntamente com notícias amargas envolvendo a Vice. Também no dia 14, o veículo demitiu o editor-chefe André Maleronka e a repórter Débora Lopes. Os jornalistas eram os últimos membros fixos da equipe editorial. O escritório brasileiro deve dedicar-se exclusivamente a produzir conteúdo publicitário.

Assista a Cigarro do Crime:

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