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Notícia de Viver

João Cabral de Melo Neto

No centenário de João Cabral, Morte e Vida Severina completa 65 anos

Publicado em: 09/01/2020 15:06

Capa de edição cantiga do livro.  (Foto: Reprodução da Internet)
Capa de edição cantiga do livro. (Foto: Reprodução da Internet)
No centenário do poeta, os versos célebres de Morte e vida severina completam 65 anos. O poema, publicado em 1955, é feito em redondilha maior (sete sílabas métricas) e acompanha a trajetória de um retirante que sai do Sertão para a cidade. O título já denuncia: a morte vem antes de vida, já que a tragédia iminente acompanha o protagonista desde o início. São vários encontros com ela, antes do sopro de esperança. O texto continua atemporal, servindo de adaptação para outros formatos de arte, ajudou a moldar a poesia e é um dos trabalhos com mais edições da literatura brasileira.

“Minha poesia procura ser não-lírica e não-subjetiva. É feita para despertar e não para embalar. Utilizo de preferência vocábulos concretos e não abstratos. Tenho a impressão que essas são as principais características que reconheço nela”, disse João Cabral, numa de suas últimas entrevistas, ao jornalista Gerson Camarotti. Isto estava lá em Morte e vida: um texto palpável, concreto, como se fosse feito para sentir aquela síntese e dureza das palavras.

Ele foi inicialmente encomendado pela escritora e dramaturga Maria Clara Machado. Por se tratar de uma peça em forma de poesia, dispensa certa hermeticidade comum a alguns trabalhos do poeta. Com o subtítulo Auto de Natal pernambucano, o poema evoca uma homenagem à literatura ibérica, principalmente os autos medievais. Antonio Carlos Secchin reitera as simbologias natalinas da obra. “Destaco que, por ser pernambucano, o Auto de Natal se despe da figuração tradicional, com os reis magos, a estrela guia, e passa a simbolizar a dura luta pela sobrevivência do homem nordestino, e por isso é um texto tão atual.”

Sua força o torna atemporal. Não à toa o texto é um dos mais publicados e maior sucesso editorial da poesia brasileira. Segundo o pesquisador, foram mais de cem edições. “É uma prova de que alta poesia e grande comunicabilidade podem andar juntas".
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