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Artista pernambucano é selecionado em prêmio internacional de pintura contemporânea

Publicado em: 28/01/2020 16:03 | Atualizado em: 28/01/2020 16:18

A obra Palas Atena seduz Apolo foi uma das 80 escolhidas entre 2,5 mil inscritas. (Foto: Reprodução/Flávio Gadelha)
A obra Palas Atena seduz Apolo foi uma das 80 escolhidas entre 2,5 mil inscritas. (Foto: Reprodução/Flávio Gadelha)
A obra Palas Atena seduz Apolo, do artista plástico pernambucano Flávio Gadêlha, foi selecionada para a segunda etapa do BP Portrait Award, um dos maiores concursos de pintura contemporânea de retratos do mundo. O trabalho está entre os 80 escolhidos entre mais de 2,5 mil candidatos inscritos, de 84 países. Para a nova fase, Gadêlha viajou até a sede do realizador da competição, o National Portrait Gallery, em Londres, para entregar o retrato original, que será avaliado pela comissão julgadora. Os 40 primeiros colocados serão divulgados no dia 10 de fevereiro e serão expostos na turnê que passa pela Scottish National Portrait Gallery, em Edimburgo (capital da Escócia) e pelo Ulster Museum, em Belfast (capital da Irlanda do Norte).

Com um fundo de 74.000 libras (R$ 404, 8 mil), os três primeiros lugares recebem em dinheiro o prêmio, que visa incentivar os artistas a desenvolverem originalidade nos trabalhos. Ao longo dos anos, o concurso atraiu mais de 40 mil inscrições de mais de 100 países. “Fiquei surpreso com a notícia, eu não esperava. Estar junto aos 80 artistas selecionados entre mais de milhares de candidatos do mundo inteiro, para mim e para Pernambuco, representa uma vitória, um prêmio. Acredito que a notícia é importante não por eu ser um dos selecionados, mas para mostrar que a pintura e o retrato pernambucanos são muito apreciados fora do Brasil, estando ao lado de obras da qualidade pictórica de grandes artistas. Além de divulgar o nosso estado, servindo de incentivo para a nossa arte”, afirma Flávio Gadêlha.

“O retrato, para mim, é uma maneira de entender as pessoas, penetrar a alma, através do olhar, de gestos e posturas. Tem um sentimento que eu quero passar. Assistir às pessoas vendo a pintura, ver o que elas querem passar”, destaca o artista plástico. “Tudo isso eleva a inspiração que eu procuro. Eu gosto de pintar a família, os amigos e também pessoas desconhecidas, que têm características fortes e me inspiram. Quando pinto coisas despercebidas, elas se tornam muito importantes”, destaca.

De acordo com o artista, a tela selecionada faz uma reflexão sutil sobre o amor. “É um retrato sobre a força do amor e da sedução através da passagem do tempo. E isso para mim é muito importante, sempre eu busco discutir sobre o amor, porque o mundo está precisando muito disso”, explica Gadêlha, que possui uma longa trajetória na arte contemporânea. O artista é responsável pela galeria dos imortais do Diario de Pernambuco, pintando retratos de todos os presidentes do jornal desde a fundação. “Eu estou sempre me renovando, faço cursos, viagens, conheço obras de outros artistas. Sem conhecimento, não existe o artista”, completa.

Gadêlha foi um dos fundadores da Oficina Guayanases de Gravura, ao lado de grandes nomes das artes plásticas de Pernambuco, como João Câmara, José Carlos Viana, Gil Vicente e Delano. Em 1987, tornou-se restaurador do Museu do Estado de Pernambuco (Mepe). “Eu pinto desde novo. Minha mãe viu que eu tinha jeito para pintar e me levou para as escolas de artes desde criança, e isso me deu as oportunidades de crescer como artista”, lembra o pernambucano.

Pintor, escultor, desenhistae gravurista, Flávio Augusto Viana Gadêlha começou carreira artística no início dos anos 1970, com formação na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. Deu seguimento aos estudos na Escolinha de Artes do Recife, de 1975 a 1977, e, em 1982, concluiu a Licenciatura em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em seguida, passou um tempo em Barcelona, na Espanha.

“Lá, eu procurei ser a pessoa que estava aprendendo, eu me dedicava às telas e ao estudo. Um dia, um rapaz que trabalhava no balcão da loja de pintura me perguntou porque não botava meus trabalhos em exposição. Respondi que era brasileiro e que não tinha espaço ali. Então ele me disse ‘se tu não tens gana, volta para o teu país, mas se tens, vencerás’. Eu fiquei ref lexivo e passei a colocar isso como um mantra na minha mente”, declara. “Daí em diante, coloquei meus trabalhos nas galerias, fiz mais de dez exposições coletivas e cinco individuais. E recebi retornos positivos de diferentes e importantes críticos.”
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