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Notícia de Viver

ESPECIAL FRANCISCO BRENNAND

'O aprendizado é uma servidão'

Publicado em: 20/12/2019 12:39

 (Foto: Paulo Paiva/DP)
Foto: Paulo Paiva/DP
As mãos de Brennand foram ensinadas a modelar ainda aos 15 anos, com Abelardo da Hora, mas foi a pintura que preencheu a juventude do artista. A natureza morta das frutas, louças, instrumentos musicais, flores, livros e taças de vidro ganharam as suas telas de tinta óleo, esbanjando cores vivas e formas geométricas que simplificam as estéticas formais. No mesmo ritmo que imortaliza o que há de mais efêmero nos objetos inanimados, Brennand mantém na pintura o tradicionalismo dos artistas medievais.

A figura humana também aparece de forma marcante nos seus trabalhos, especialmente a feminina, que é apresentada da forma naturalista à expressionista, nua ou com diferentes vestimentas. O erotismo também está presente, como no quadro Suzana e um dos velhos (1947). Em uma espécie de autorretrato, Brennand aparece na tela observando um corpo feminino, como se estivesse olhando as formas do corpo da mulher através das brechas do muro. No mesmo ano, ele enviou quadros para o Salão de Arte do Museu do Estado de Pernambuco e obteve o primeiro prêmio de pintura, com a tela Segunda visão da Terra Santa, que ilustrava uma paisagem idealizada a partir das caminhadas no Engenho São João.

Em entrevista concedida ao Diario em 2012, Brennand explicou como diferencia o seu trabalho como pintor, escultor e ceramista. “Eu acharia pretensioso enveredar, na pintura, por esses elementos mitológicos ou históricos. Eu sei pintar, mas fazer escultura, aprendi sem compromisso nenhum, deixo fluir. Minha pintura está contaminada por uma escola, minha escultura não. O aprendizado é uma servidão. Você não está livre, a não ser que você se abstenha daquilo que aprendeu. Comecei pela pintura e só abordei a cerâmica e a escultura depois que viajei à Europa e descobri experiências na escultura de grandes artistas como Picasso. Antes disso, eu considerava a cerâmica e a escultura como artes menores, apesar de minha família trabalhar com cerâmica”, afirmou.

Anualmente, o artista produzia telas inéditas para serem exibidas na Coletiva de Natal do Espaço Brennand, em Boa Viagem. “Eu olho para as telas de Brennand com a mesma admiração que olho para as esculturas”, diz o artista plástico Antônio Mendes.

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