Rock in Rio Por mais horrível que a pessoa seja, tem direito a ter opinião, diz líder do Sepultura

Por: Folha Press

Publicado em: 05/10/2019 11:44 Atualizado em:

O guitarrista diz que o Brasil está uma confusão e classifica a última eleição como uma "farsa de alianças políticas" - Foto: AFP.
O guitarrista diz que o Brasil está uma confusão e classifica a última eleição como uma "farsa de alianças políticas" - Foto: AFP.
Neste sábado (4), o Sepultura tocou "Refuse / Resist" em seu show no palco principal do Rock in Rio. A música, que fala sobre um conflito entre população e exército, segundo o guitarrista Andreas Kisser, é sobre a defesa da liberdade de expressão.

"Ela foi escrita em 1993. Nos inspiramos nas imagens da China, do movimento estudantil, que inclusive está acontecendo novamente em Hong Kong", explica o líder do Sepultura.

Durante esta edição do Rock in Rio, diversos artistas lembraram a morte da menina Ágatha Félix, 8, que levou um tiro nas costas quando estava dentro de uma Kombi no Complexo do Alemão. Ela foi atingida durante uma ação policial.

Para Kisser, contudo, a faixa do Sepultura tem a ver não só com os confrontos no Rio de Janeiro, mas em outros lugares, como a Venezuela e o conflito entre Israel e Palestina.

"O que a gente sempre luta é pela liberdade de expressão, de ideia", diz. "Por mais horrível ou idiota que ela seja, a pessoa tem o direito de tê-la."

O guitarrista diz que o Brasil está uma confusão e classifica a última eleição como uma "farsa de alianças políticas". "Lava Jato, impeachment... como você pode julgar um negócio desse?"

Ele diz que enxerga sombra de censura sobre as artes no país, mas vê um lado positivo no momento político conturbado.

"Todo mundo saiu do armário, fala o que pensa", comenta. "Por mais absurdo que possa parecer, o presidente falando, oposição falando, tem coisas bizarras e coisas interessantes dos dois lados. O Brasil precisa se unir para ser nação. Democracia é assim, uma hora é um, outra hora é outro."

O Sepultura se apresentou no palco principal do quinto dia de Rock in Rio 2019. O grupo tocou uma música inédita e celebrou a volta do "dia do metal" ao festival.


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