TV 'Tem gente pagando caro por se expressar', diz Monica Iozzi. Confira a entrevista

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 18/09/2019 08:41 Atualizado em: 18/09/2019 12:18

Foto: João Cotta/Divulgação
Foto: João Cotta/Divulgação

Rio de Janeiro (RJ) - Monica Iozzi tem percorrido uma trajetória multifacetada na mídia nacional. A paulista ficou conhecida nacionalmente quando venceu um concurso para nova integrante do programa CQC (Custe o Que Custar), da Rede Bandeirantes. Em 2014, seguiu para a Rede Globo para comentar o Big Brother Brasil, apresentar o Vídeo Show e agora investe na carreira de atriz. Fez algumas pontas em séries, protagonizou Vai de Retro ao lado de Tony Ramos, mas foi na novela A Dona do Pedaço que ganhou seu primeiro papel de destaque no horário nobre em 2019.

A personagem Kim Ventura representa um tipo de profissional ainda novo na sociedade: o assessor de influenciadores digitais, tendo como maior cliente Vivi Guedes (Paolla Oliveira). Viciada em trabalho e egocêntrica, a loira tem uma índole bastante duvidável, mas conquistou a simpatia dos telespectadores pelo carisma. Além desse gancho, também se torna obsessiva por Márcio (Anderson Di Rizzi) quando ele termina o caso que mantinha pelas costas de Silvia (Lucy Ramos), passando a persegui-lo compulsivamente.

Atualmente, Kim começou um romance segredo com o lutador Denis Paixão (Duda Nagle). A parceria em cena com o marido de Sabrina Sato rendeu brincadeiras da apresentadora. "Estou me divertindo imensamente. Vejo as pessoas desejando ser a Kim. Quem gosta dessa louca?", diz, em entrevista. A dona do pedaço, que deve ser concluída ainda em 2019, está sendo escrita por Walcyr Carrasco, com colaboração de Márcio Haiduck, Nelson Nadotti e Vinícius Vianna. A direção geral é de Luciano Sabino, enquanto a direção artística de Amora Mautner.

ENTREVISTA - Monica Iozzi, atriz

A Kim parece ter sido criada para ser vilã, mas despertou certa simpatia do público. A personagem chegou para você assim?
Quando eu recebi a sinopse, já ficou claro para mim que ela era workaholic. Iria fazer o que fosse necessário para que as clientes dela fizessem sucesso. Ela tem um caráter duvidável. Essa coisa de comprar comentários, por exemplo. Se ela ficasse apaixonada por um cara, claro que iria ficar obcecada por ele. A Kim tem uma visão de mundo totalmente diferente da minha. Ela não vende quem as pessoas são de verdade. Mas é sempre interessante fazer um personagem que é oposto de você. A única coisa que temos em comum é que ela não é feia (risos). Tirando isso…

A Kim está influenciado a forma como você trabalha com suas redes sociais?
Ela tem uma visão de como trabalhar as redes completamente diferente da minha. Gravamos uma cena recentemente em que a Kim fala para uma menina: “Faz uma cara diferente, um sorriso mais leve”. Ela responde: "Ah, mas eu não sou assim”. E a Kim rebate: “Mas a internet é uma mentira, não é para ser você, você tem que criar uma personagem". Cada vez mais eu quero ficar longe do que a Kim propõe.

A personagem representa um tipo novo de profissional, que é o assessor exclusivo para celebridades digitais. Como está sendo representar essa classe?
Tive que olhar para o mundo de influenciadores, para empresas que agenciam essas meninas. Não existem tantas pessoas realmente famosas nesse papel. Temos a Alice Ferraz, por exemplo, que só uma noção de mercado. Porque a Kim não tem muitos valores concretos, diferente da Alice. Mas estou pronta para o que o Walcyr quiser fazer com a personagem. Se um dia ela quiser acordar e tocar fogo na casa do Márcio, ok (risos).

Se você tivesse essa profissão na vida real, com quais influenciadores você trabalharia?
Adoro quem fala de moda, mas prefiro o tema comportamento. Tem uma menina chamada Alexandra Gurgel, que comanda a página Alexandrismos. Acho ela divertida e intrigante. Também tem a rapper e arte-educadora Preta Rara, que é uma mulher gorda que se coloca enquanto mulher gorda. Além do Pedro HCM, criador do canal Põe na Roda. Todos esses falam de um jeito leve, trazendo um discursos políticos legais. São ativistas, conseguem divertir e levantar perguntas.

Você sempre teve um discurso bastante político nas redes sociais, como em defesa ao movimento feminista. Como faz para isso aparecer na novela?
Eu realmente sou muito ligada nessa discussão. A novela traz alguns apontamentos, mas também não é uma bandeira. Não é nada muito claro, mas às vezes as coisas caminham para isso. Já rolou discussão com o Márcio, por exemplo, porque ele queria que ela lavasse as cuecas dele. E no texto já tinha dizendo que ia rechaçar aquela ideia, mas eu coloquei a Kim completamente indignada. Ela não é uma mulher que aceitaria aquilo, ela questiona, diz que não é submissa. Então não caberia fazer a personagem aceitando isso.

Por se posicionar sobre assuntos polêmicos, você se tornou alvo de ódio nas redes sociais. Inclusive, chegou a sair delas por um tempo.
O que venho comentando nos últimos tempos são assuntos de tamanho absurdo, que todas pessoas estão reclamando. Não tem como achar legal assuntos como os incêndios na Amazônia, por exemplo. Quando as críticas a mim tinham um viés mais partidário e eleitoral, eu lia e me sentia na obrigação de responder. Mas não podemos nos deixar rebaixar por isso. Talvez as pessoas não tenham entendido que temos que lidar com a diversidade. Temos que ler e conversar. Para mim é muito precioso falar, principalmente nesse momento que estamos vivendo. Tem gente pagando caro por se expressar, passando por coisa muito mais grave. A Marielle Franco foi assassinada. Não dá para não falar sobre isso. Essa é a minha visão.

* O repórter viajou à convite da Rede Globo


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