LITERATURA SUSPENSE Raphael Montes é o condutor do eletrizante livro A Mulher no Escuro

Publicado em: 16/09/2019 14:38 Atualizado em: 16/09/2019 14:40

O premiado autor carioca consegue surpreender mesmo os mais familiarizados com as suas premiadas obras anteriores. Foto: Divulgação
O premiado autor carioca consegue surpreender mesmo os mais familiarizados com as suas premiadas obras anteriores. Foto: Divulgação
Vamos brincar? A pergunta que vem estampada em tinta preta no recorte adicional à capa de Uma Mulher no Escuro está longe de remeter a qualquer tipo de ludicidade que possa haver na mais recente obra de Raphael Montes. Com apenas 28 anos de idade, o já efusivamente premiado autor carioca exemplifica como a regularidade em utilizar-se de determinada verve literária pode aliar-se a uma nova forma de abordá-la e torná-la ainda mais sólida. Se seus cinco livros anteriores foram classificados no gênero terror/horror, o recém-lançado envereda por uma vertente que não deixa de se avizinhar com estas, o suspense. O thriller psicológico tem, entretanto, uma inversão à narrativa comum de Raphael: em vez de protagonistas masculinos, ineditamente é a voz feminina da personagem Victória que conduz a trama. E com uma potencialidade ainda mais forte de fazer com que seus leitores não cessem de querer ouvi-la até o desenlace final.

Na trama, Victoria Bravo é a única sobrevivente de um crime brutal cometido contra a sua família, há vinte anos: um homem invadiu sua casa e matou sua família – pai, mãe e irmão - a facadas, ao mesmo tempo em que pichou os rostos de todos com tinta preta. Com quatro anos na época, ela é, atualmente, uma moça moradora do bairro da Lapa (RJ) que traz marcas deste passado sombrio na forma de hábitos infantis, dificuldades em estabelecer relacionamentos e pesadelos recorrentes. Alguém que tenta lidar com todas estes fantasmas quando o mais assustador deles, e o mais real também, bate à sua porta novamente. Em determinado dia, ao entrar no quarto, ela encontra uma pichação em tinta preta na parede com a frase “vamos brincar”. A partir daí, embarca em uma jornada para entender onde está o assassino que a poupou, no passado, mas que retorna para persegui-la. Enquanto tenta precaver-se de suas investidas, descobrir seu paradeiro e os motivos do crime, precisa também amadurecer e lidar com a descoberta de um sentimento do qual sempre fugiu: o amor. Um dos três homens mais próximos a ela, entretanto, parece saber mais sobre a sua vida do que aparenta.

A partir daí, uma outra leitura pode ser feita da obra sob um prisma mais denso. A questão da confiança se interpõe nesta narrativa eletrizante como ponto central. Em determinado momento, até mesmo familiares mais próximos escondem segredos aterradores. Além disso, em tempos em que a internet é origem das mais variadas relações, como acreditar que as pessoas são, realmente, como parecem ou se apresentam?

Em Uma Mulher no Escuro, Raphael abre mão de uma quantidade maior de violência física em favor do suspense, da expectativa e premia os amantes do gênero com reviravoltas inesperadas e de, literalmente, deixá-los ofegantes. Já os fiéis leitores adeptos do estilo mais cru das obras anteriores também não se decepcionarão com as partes iniciais e finais da nova obra. A pergunta que norteia todo o livro entretanto, só tem o brinde da resposta ao fim da trama: em quem Victoria deve confiar? Às apostas!

Sobre o autor - advogado e escritor, Raphael Montes é um dos autores mais premiados e com livros vendidos da atualidade. Aos 20 anos, impressionou a crítica e público com Suicidas, suspense policial finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do Prêmio São Paulo de Literatura 2013. Depois, Dias Perfeitos (2014) teve seus direitos de tradução vendidos para 22 países. No exterior, o livro mereceu resenhas em jornais como The Guardian e Chicago Tribune, além de ter recebido elogios de autores internacionais. Raphael escreveu também O Vilarejo (2015) e Jardim Secreto (2016). Todas as suas obras tiveram os direitos de adaptação vendidos para o cinema e estão em produção. Entre abril de 2015 e fevereiro de 2018, Raphael assinou uma coluna semanal em O Globo. Atualmente, apresenta o “Trilha de Letras”, programa semanal sobre literatura na TV Brasil. Além disso, escreve roteiros para cinema e TV.



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