Artes Plásticas Artista plástico articula cânones ao universo material em exposição no Recife

Por: André Santa Rosa - Diario de Pernambuco

Publicado em: 10/09/2019 09:43 Atualizado em: 10/09/2019 09:49

A exposição Escola de artes aplicadas, por Heitor Dutra será aberta ao público nesta terça-feira (10). Foto: Aline Muniz/Divulgação.
A exposição Escola de artes aplicadas, por Heitor Dutra será aberta ao público nesta terça-feira (10). Foto: Aline Muniz/Divulgação.
 
Após meses de trabalho imersivo, o artista plástico Heitor Dutra se prepara para lançar sua primeira exposição individual. Seu trabalho, que mescla técnicas como colagem e pintura acrílica, lança um olhar sobre os cânones da arte, ao mesmo tempo que os pensa a partir do mundo material que compõe o artista. A exposição Escola de artes aplicadas, por Heitor Dutra será aberta ao público nesta terça-feira (10), às 19h, no Museu Murillo La Greca, no Parnamirim, com entrada gratuita. A vernissage conta com a presença de Daniel de Andrade Lima que, além de curador, é modelo e colaborador artístico. 
 
“Estou interessado em colocar todo mundo junto, de certa forma, porque na minha vida eu olho muito pra esses dois tipos de coisas”, conta Heitor, ao falar de suas inspirações. Com tons eróticos e ordenados de forma indireta, o artista trabalha com artefatos da cultura material como televisão e Instagram, articulados com elementos dos cânones da arte clássica e eurocêntrica. Embalagem da pipoca Veneza, papel de presente, dragões e porcelanas da arte chinesa, Pokémon e gestos neoclássicos, tudo unido de forma extremamente irreverente e queer.
 
No ateliê Pangeia, localizado no 4º andar do edifício de número 328 da Rua Mariz e Barros, no Bairro do Recife, em meio a mesas, materiais e quadros, Heitor sobe pelo antigo elevador munido de dois rolos de plástico bolha que serão usados para embalar suas obras que estarão no Murillo La Greca. O ateliê é, há dois meses, seu local de trabalho, junto a artistas como Aslan Cabral e Paula Boechat. Ele diz que o espaço é personagem fundamental na produção, já que lá a sua produção ficou mais constante e intensa. Além de exposição, todo o processo de produção é objeto de estudo de Heitor, que como mestrando do Programa de Pós-Graduação em Design na UFPE, pesquisa a intensidade do processo artístico.
 
Daniel e Heitor ao lado da obra que deu nome a exposição. Foto: André Santa Rosa/ DP
Daniel e Heitor ao lado da obra que deu nome a exposição. Foto: André Santa Rosa/ DP
 
Os métodos de estudo do artista passam não apenas pelo estudo formal, mas pela utilização da plataforma Google Arts & Culture, em um processo de longa observação e expansão de arcabouços da pintura clássica. “Estudo muito a pintura, não só lendo, mas com o olhar. Olhar pra elas longamente. É uma pressão olhar pras essas coisas, ao mesmo tempo que dá muito prazer. Isso é um nutriente pro meu trabalho”, diz em entrevista ao Viver. O resultado são quadros com uma forte variedade de elementos de nossa cultura visual, no suporte de diversas técnicas de colagem, pintura, em cores e texturas.

Para além da riqueza de elementos, as obras são ligadas por uma certa recorrência de elementos, sendo uma das principais o tom homoerótico evidenciado pela figura de Daniel, que além de curador foi modelo vivo. “Fiz sessões de modelo vivo e, nesses encontros, a gente discutia o trabalho e alguns textos. No fim, fiquei como modelo por me adequar às propostas de corpos dentro do interesse de investigação”, diz Daniel. Daniel assume, então, um papel muito largo dentro da exposição. Tanto como objeto do olhar e desejo, como do responsável por selecionar as obras. “É um olhar contemporâneo sobre a figura do modelo e do curador. O primeiro, representa um dos papéis mais invisibilizados da história da arte, já o segundo um dos mais legitimados”, explica. 
 
Para o curador, as obras pensam o ato de pintar, também a partir da chave do desejo. ”Pensar a pintura a partir do volume, da voluptuosidade. Tem uma sensualidade aí. Isso tem a ver com pensar materiais, tradições e figuras, que fazem ser o que a gente é”, ele explica. Juntamente com suas subversões e profanações, a exposição Escola de Artes Aplicadas, por Heitor Dutra busca pensar tanto a fisicalidade dos materiais utilizados, quanto a própria ideia de corpo a partir de diferentes modos de pintar e de compor.
 
A exposição contará com uma sessão aberta de desenho de modelo vivo, coordenada pelo grupo Risco!, na próxima segunda-feira. No encerramento, em 28 de setembro, haverá debate aberto ao público com o autor e o curador, além da professora Oriana Duarte, da UFPE.
 
SERVIÇO 
Exposição Escola de Artes Aplicadas, por Heitor Dutra
Onde: Museu Murillo La Greca (Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366, Parnamirim)
Quando: Terça-feira, às 19h
Quanto: Gratuito


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.