Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Viver
Música Enfrentamentos, referências e novidades de Getúlio Abelha. Confira a entrevista

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 28/09/2019 08:01 Atualizado em: 27/09/2019 19:49

Foto: Sillas H/Divulgação
Foto: Sillas H/Divulgação

O Cais da Alfândega, no Bairro do Recife, estava lotado para realização do Festival Rec-Beat no domingo de carnaval de 2019, muito por conta da drag queen mainstream Pabllo Vittar. Mas o público iria cair nos ensejos de um outro artista bem mais alternativo, porém igualmente nordestino e queer. Getúlio Abelha conquistou parte da cena alternativa recifense com seu forró performático e sagaz.

O piauiense retorna à capital pernambucana pela primeira vez neste sábado (28), como atração da festa Balbúrdia, uma parceria entre os selos Rec-Beat e Terça do Vinil. Será no Catamaran, no bairro de São José, a partir das 22h. Heavy Baile (RJ), Shevchenko e Elloco (PE), DJ 440 (PE) e DJ Milena Cinismo (PE) completam a programação.

Os motivos que levaram o público do Rec-Beat ao furor com Getúlio naquele domingo carnavalesco resumem o "por quê" do falatório em torno do artista. Primeiro, ele explora sucessos do forró na década de 2000, como Calcinha Preta e Forrozão Tropikália. Em segundo, mescla essas referências afetivas das massas nordestinas com uma performance bastante provocativa e debochada.

Suas letras autorais seguem a mesma linha: "Ela não tem uma boceta e nem por isso vai te dar / Eu não tenho uma boceta e nem por isso eu não vou dar", diz o refrão de Tamanco de fogo. É quase como um Falcão millennial e queer, que explora enfrentamentos mais atuais.

Nascido em Teresina, Getúlio foi para Fortaleza (CE) cursar Teatro na Universidade Federal do Ceará. Chegou a criar uma peça intitulada Vagabundos, com 25 atores em cena, mas sem texto ou personagens. Iniciou uma jornada de viagens que o levou até a Argentina e, ao voltar para Fortaleza, decidiu que iria cantar forró. Em entrevista ao Viver, o cantor revela um pouco suas motivações, referências e futuros projetos.

ENTREVISTA - Getúlio Abelha, cantor
Foto: Sillas H/Divulgação
Foto: Sillas H/Divulgação
O forró é um ritmo popular no Nordeste, mas que também expressa o conservadorismo da região. Seu trabalho é uma resposta a isso?
Quando eu fui resgatar a minha influência musical mais significativa e honesta foi o forró que prevaleceu, aí percebi que ele associado a meu jeito e comportamento poderia gerar muita coisa boa. Não é somente uma resposta ao conservadorismo, mas caiu perfeitamente como uma ferramenta para isso. Tudo aconteceu da melhor forma para eu alcançar o público de massa na região.

Você se inspira em bandas de forró que faziam sucesso no Nordeste durante os anos 2000, certo? Quais são?
Calcinha Preta, Mastruz com leite, Luiz Gonzaga, Brasas do Forró, Limão com Mel, Cavaleiros, Calypso, Magníficos, Companhia do Calypso, Balança Neném, Aviões do Forró, Sacode. Vixe… A lista é longa, vou parar.

Você foi bastante fã da Britney Spears e chegou a subir no palco dela no show de Rio de Janeiro, em 2011. Acha que ela aparece de alguma forma no seu trabalho?
A Britney é algo que foi marcante na minha adolescência. Eu ainda tenho carinho por ela, mas não me considero mais fã. Queria que ela ficasse bem na vida pessoal, pois foi muito maltratada e acabou perdendo muita coisa enquanto artista. Sem ironias, com ela aprendi muito sobre o que não quero pra minha trajetória.

Como chegou você chegou ao produtor cultural Gutie, que é pernambucano?
O meu primeiro show foi realizado no Maloca Dragão, em Fortaleza. O local promove a cena cearense, levando produtores e curadores de todo o Brasil para assistir o festival. O Gutie assistiu o meu show, que foi muito bem recebido por todos. No ano seguinte, fui convidado para o Rec-Beat, um evento histórico produzido por ele. O público também recebeu positivamente. Em seguida começamos a trocar ideias de possíveis parcerias profissionais e eu abri o jogo dizendo: "E aí boy, tá afim?" 

Você foi um dos nomes mais comentados do Rec-Beat de 2019. Como foi para você realizar aquele show no domingo?
Foi tipo um encontro bem sucedido. Como comer um bolo de chocolate muito gostoso, ou então tomar banho de piscina sem cloro num dia muito quente. Eu amei.

Ao visitar sua página no Spotify, encontramos vários singles avulsos. Pretende lançar um álbum em breve? Pode adiantar algo sobre ele?
Estou gravando ela. A primeira parte foi gravada essa semana no estúdio Floresta Sonora em Belém e a segunda será em Fortaleza, uma parte feita em parceria e outra com dinheiro que estou juntando de cachês. Será um álbum de forró e brega, independente e que explora várias vertentes musicais entre o Norte e o Nordeste.

Confira os clipes:







Moro cogita continuidade da Força Nacional em Paulista
Resenha SuperEsportes: Empate do Sport, planos do Náutico e bastidores do Santa Cruz
De 1 a 5: Plantas para Apartamento
Os 10 anos do Animage
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco