Literatura Em seu primeiro livro, Maestro Spok faz homenagem à família

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 06/09/2019 08:58 Atualizado em: 06/09/2019 09:18

A obra do músico e escritor será lançada neste sábado (7) na Fenagreste, em Caruaru. Foto: Flora Negri/Divulgação
A obra do músico e escritor será lançada neste sábado (7) na Fenagreste, em Caruaru. Foto: Flora Negri/Divulgação

Uma ode à família. Apesar de não simétricas, as estrofes livres dos poemas escritos por Inaldo Cavalcante de Albuquerque, o Maestro Spok, em seu primeiro livro, passeiam por três sentimentos: a lembrança do que não conheceu, a saudade do que foi vivido e as expectativas para os anos seguintes. Na publicação, intitulada Sementes, o músico se distancia do saxofone e dos palcos para mergulhar na cultura popular, traduzindo as experiências pessoais e as relações com o avô, o pai, os filhos e netos, em registros para as próximas gerações. 


"Com ingenuidade e coragem, me lanço com palavra, levado pelo sopro que claramente me empurra igual a uma folha de outono", diz, na apresentação da obra. Estão presentes também questionamentos existenciais, reminiscências da juventude e críticas sociais. O livro é prefaciado por Raimundo Carrero, com ilustrações do filho de Spok, Nilinho, de 11 anos. Editado pela Cepe, Sementes será lançado neste sábado (6), dentro da programação da 4ª Feira Nacional do Livro do Agreste (Fenagreste), em Caruaru.

A cultura popular atravessou a infância de Spok, influenciada pelo gosto de seu pai pelas cantorias de repentistas. "Hoje em dia, sou músico, mas passei a infância sonhando em ser cantador como eles. Se convidassem agora, eu iria. Deixaria de ser músico na hora", diz Spok, em entrevista ao Viver. Nascido em Igarassu, na RMR, o músico sonhava em viver da cultura popular e participar dos desafios dos cantadores que percorriam a cidade.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

"A poesia popular sempre esteve guardada dentro de mim, mas só agora, cinco anos depois, me voltei para essas lembranças e comecei a escrever minhas saudades e fui guardando tudo", conta o maestro, em sua estreia com produções literárias. "É um desafio muito grande, precisei ter muita coragem. O que me ajudou foi começar a compor músicas com poesias, e as letras me levavam ao meu avô, que não conheci, ao meu pai, que perdi, e aos meus bisnetos, que possivelmente não irei conhecer", reflete.

Depois de reunir todos os escritos, o músico compartilhou com a filha Ylana Queiroga, que o encorajou a publicá-los. "Depois de ler tudo, ela me falou: ‘Pai, lança’. Eu tinha medo de pagar mico, mas ela me garantiu que eu não iria (risos)", conta. Como uma música, os poemas autobiográficos e afetivos escritos por Spok provocam a sensação de ouvir batidas ritmadas, uma espécie de acorde influenciado pelo frevo e forró.

"Amo o carnaval desde criança e vivo hoje de tudo que envolve o frevo. Luiz Gonzaga também era muito presente na minha família. Então, essas raízes estão cravadas no meu espírito e na minha casa." Depois de estrear no universo literário, Spok já se prepara para lançar o próximo livro. "Já está 80% pronto. Vai ser um livro mais baseado nas métricas dos poetas populares, com os decassílabos, as sextilhas do cordel, os galopes à beira-mar", adianta.

Na música, outro projeto ousado: um disco rock'n'roll. "Vou apresentar um disco solo autoral que mescla o universo do frevo com música nordestina e o rock alternativo. É bastante influenciado por Lenine, Alceu Valença, Gonzagão e a banda americana Morphine", revela, contando que a música Raízes, recém-lançada nas plataformas digitais, já traz uma amostra do que virá.



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