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sátira

Livro em 'apoio' a Bolsonaro tem 188 páginas em branco

Publicado em: 14/08/2019 17:28 | Atualizado em: 14/08/2019 17:58

Foto: Reprodução

O livro-sátira intitulado 'Por Que Bolsonaro Merece Respeito, Confiança & Dignidade?' tem levantado polêmicas no site da Amazon, onde um exemplar era vendido por R$ 39,64. Acontece que o título, que tem 190 páginas, apresenta apenas 2 destas escritas, as outras 188 estão completamente em branco. 

Nas avaliações do site, as opiniões se dividem em quem entrou na piada e quem não viu graça na brincadeira. "Trabalho árduo de pesquisa. O livro apresenta, de forma imparcial, factual e isonômica, motivações que tornam a figura do atual presidente digna de respeito, admiração e apoio. O povo brasileiro merece ter acesso amplo e irrestrito a esta análise. Parabéns ao autor pelo árduo trabalho de pesquisa necessário para preencher esta obra" escreve uma leitora. "Livro de 190 páginas com apenas 2 páginas de texto e o resto em branco. Ironia política do autor, usando e enganando o leitor. Foi adquirido para pesquisa de doutorado onde, ao contrário desse autor, se busca ver os dois lados, mesmo não sendo apoiador de Bolsonaro" reclama outro. 

A ideia partiu do suposto comentarista político Willyam Thums, que confessa ter feito uma obra de protesto. Sem revelar sua verdadeira profissão, Willyam deu entrevista à Veja de São Paulo: “O livro é um protesto, sim. Ele tem cerca de 190 páginas em branco. Tem uma breve introdução e depois a resposta que fica à pergunta-título são dezenas de folhas em branco”, explica. “A ideia é realmente não dar nenhuma resposta, já que não ache que Bolsonaro mereça coisa alguma. Isso força o leitor a criar sua própria resposta, refletindo sobre o tal merecimento.”

Ainda para a Veja, Thums disse que o título não está mais disponível e afirmou que foi o único que fez encomendas no site da Amazon. “Acho que não chegou a ficar publicado nem um mês. Para comentar lá, não é necessário haver comprado o material".

Visitando o site da Amazon é possível conferir que o título foi publicado no dia 19 de março deste ano, porém já não há como comprar ou encomendar a obra.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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