Artes Plásticas Jairo Arcoverde e Humberto Magno inauguram exposição no Recife

Por: André Santa Rosa - Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/08/2019 10:33 Atualizado em: 27/08/2019 13:50

A geometria e as paisagens são constantes na obra de Humberto Magno. Foto: Peu Ricardo/DP
A geometria e as paisagens são constantes na obra de Humberto Magno. Foto: Peu Ricardo/DP
Ao expor suas ideias através de suas artes, os pernambucanos Jairo Arcoverde e Humberto Magno constroem sua própria gramática, que organiza abstrações e confronta um certo status de valor-arte. Os dois artistas, no auge da maturidade como criadores, ganham a exposição Vidas paralelas, olhares dissonantes na Arte Plural Galeria (Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife), que inaugura hoje, às 19h, com vernissage para convidados.

A maturidade artística impressa nas obras se vê também nos seus criadores. Ao falar de maturidade, trata-se muito mais do domínio de uma assinatura, na firme reiteração de suas artes. Humberto Magno fez sua primeira exposição aos 9 anos. Ele conta que, no começo, tinha muita vergonha de mostrar suas pinturas, mas hoje possui mais de 50 anos trabalhando como artista profissional.

A maturidade é também um mote para Jairo. “Uma vez alguém me disse que quanto mais o artis- ta sofre, mais ele pinta. Envelhecer foi muito doloroso pra mim. Depois de cirurgias e problemas de audição, sinto, por um lado, que minha arte cresceu muito”, conta Jairo Arcoverde, enquanto caminha por entre suas obras.

Jairo Arcoverde afirma que sua arte cresceu depois de processos dolorosos. Foto: Peu Ricardo/DP
Jairo Arcoverde afirma que sua arte cresceu depois de processos dolorosos. Foto: Peu Ricardo/DP
A curadoria da exposição foi feita por Raul Córdula, que decidiu juntar dois artistas essenciais para o modernismo pernambucano e brasileiro. A mostra possui movimentos de aproximação e separação entre os dois. É nítida a diferença de estilo entre Humberto e Jairo, o primeiro com cores mais sóbrias, o segundo com tons mais vibrantes e dimensionais. Mesmo que as diferenças sejam reiteradas, as semelhanças aparecem com potência ainda maior.

Além de fazerem parte da geração de artistas plásticos que atravessaram os anos de ditadura, nas décadas de 1960 e 1970, ambos possuem pinturas contra-hegemônicas se pensarmos nas Belas Artes. Pendendo sempre para uma geometria sensível, como forma de organização ou organicidade, há muita vida nessas obras.

O curador ressalta uma interseção entre os artistas para além das artes. “Os dois estão em conjunto nessa exposição por uma razão. Viveram em Olinda com mais ou menos a mesma idade, criaram filhos artistas e casados com mulheres artistas (Humberto foi casado com a pintora Iza do Amparo, Jairo é casado com a ceramista Betty Gatis).” Córdula também evidencia que Humberto e Jairo fazem parte de um momento das artes plásticas no qual há uma ideia de coletividade e diálogo muito frutífero da cena pernambucana, que muitas vezes produziam, cresciam e habitavam um mesmo espaço, seja nas galerias ou na cidade de Olinda.

Na parte de Jairo Arcoverde, estão diversas séries, produzidas em um período mais recente. Já no espaço dedicado a Humberto Magno, encontramos três tipos de produção: a geometria, as figuras e as paisagens. As obras expandem os possíveis caminhos para pensar a linguagem da pintura, assim como reitera Jairo Arcoverde. “Passei minha vida toda fazendo isso. Minha preocupação não diz respeito às figuras da pintura, mas à pintura em si. Tudo que sempre quis foi criar meu próprio alfabeto.”


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