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Oscar: Academia aumenta participação de mulheres e negros

Por: AE

Publicado em: 05/07/2019 10:40

Foto: Joe Klamar/AFP

Comprometida em aumentar a representatividade e diversidade de seus membros, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou que está integrando mais 842 associados de 59 países. A maioria é de mulheres, 50%, seguidas pelos afrodescendentes, 29%.

Orgulhosamente, a Academia anuncia que as mulheres, que em 2015 somavam 25% de seus integrantes, agora chegam a 32%. A representação dos negros duplicou - 8% em 2015, são 16% em 2019, com a nova leva de associados.

O Brasil conta com mais seis representantes, entre artistas e técnicos, na Academia. Os produtores Luiz Carlos e Lucy Barreto, cujos filhos Fábio e Bruno já foram indicados para o Oscar por filmes que eles produziram, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?; a diretora Laís Bodanzky, de obras consagradas como Bicho de Sete Cabeças e Como Nossos Pais

A lista ainda segue com a montadora Jordana Berg, dos filmes de Eduardo Coutinho e Democracia em vertigem, de Petra Costa, disponível na Netflix; a diretora de arte Vera Hamburger, que tem no currículo a colaboração com Hector Babenco, Cacá Diegues, Cao Hamburger, Tata Amaral, Eliane Caffé, Sérgio Rezende e Walter Lima Jr. e o guitarrista e compositor Heitor Teixeira Pereira, de Meu Malvado Favorito.

Para manter o assunto na área da música, Lady Gaga, que venceu o Oscar de canção deste ano - Shallow, de Nasce uma estrela -, também está entre os novos integrantes da Academia anunciados ontem.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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