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Nó, espetáculo de Deborah Colker, ganha apresentação revisitada no Recife

Publicado em: 19/07/2019 10:18 | Atualizado em: 19/07/2019 10:59

O espetáculo Nó, de Deborah Colker, traz reflexões sobre dominação, submissão, desejos e impulsos em versão reformulada, em cartaz hoje, no Teatro Guararapes. Foto: Nó/Divulgação
 
A potência do desejo como parte da condição humana. É desse lugar primal que surge Nó, espetáculo da carioca Deborah Colker. Enquanto seu mais recente espetáculo, Cão sem plumas (2017), premiado com um Benois de la Danse (tido como o “Oscar da dança”), viaja pelo mundo, Deborah traz Nó ao Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, revisitando a sua coreografia lançada em 2005 e que não era remontada desde 2012. A apresentação será essa sexta-feira (19), às 21h. 
 
O show é basicamente dividido em dois momentos: o primeiro são as Cordas, quando os dançarinos e dançarinas interagem com uma amarração de 120 cordas em formato de árvore. “No primeiro duo, o homem amarra a mulher por escolha dela. Dominação e submissão estão presentes na consciência plena de ambos. Não há liberdade sem dor, não há prazer sem consciência”, afirma Deborah. O segundo ato é o da Caixa, no qual toda ação acontece dentro de um cubo de vidro, criado por Gringo Cardia, que muito remonta o Distrito da Luz Vermelha em Amsterdã. Se o primeiro ato materializa a árvore e uma certa noção de natureza, no segundo estará uma verve mais voltada ao desejo e à vida urbana.
 
Desde a sua estreia em 2005, na Alemanha, muita coisa mudou em Deborah e na apresentação. Em entrevista ao Viver, a coreógrafa conta que o espetáculo foi refeito, não apenas remontado. “Houve muitas mudanças, principalmente na música. Eu trouxe uma música nova para o duo inicial das amarrações nas Cordas, uma canção dos Picassos Falsos, Carne e osso, cantada pelo Toni Platão e com a luxuosa presença de João Barone (Paralamas) na bateria e Pedro Sá na guitarra. O primeiro ato aumentou de tempo, e a Caixa, no segundo ato, diminuiu. Nas Cordas, fiz novas formações com o cenário, e os dois atos agora interagem fazendo um só espetáculo. Confesso que me sinto mais corajosa agora e talvez mais madura. É impressionante a atualidade de Nó, que continua feito para as questões do momento”, pontua.
 
Os figurinos, que transmitem erotismo e também delicadeza, são do estilista Alexandre Herchcovitch. Esse erotismo, desejo e mistério permeiam toda a obra, que tem fortes influências da estética BDSM (bondage, disciplina, submissão e masoquismo). Ela conta que se inspira nessas estéticas como forma ritualística, em que o ato de amarrar é fundamental na relação de quem domina e quem é dominado. Toda delicadeza, força e violência são sustentadas pelo rigor e precisão das amarrações, que equilibra a relação entre os corpos e seus desejos.
 
PERNAMBUCO 
Cão sem plumas, último trabalho de Deborah Colker, é uma coreografia baseada em poema de João Cabral de Melo Neto e executada por bailarinos cobertos de lama. Ao ser perguntada de sua relação com a cultura pernambucana, a carioca explica que se trata de uma história antiga. “Cafi (fotógrafo autor de mais de 300 capas de disco da MPB, falecido no primeiro dia deste ano), pai dos meus filhos, me apresentou Pernambuco. Ele nasceu no Recife, veio para o Rio, mas continuou pernambucano. Por causa de Cafi, conheci as obras de Mestre Vitalino, Gilvan Samico. E claro, João Cabral. Eu tinha só 20 anos. Foi tudo muito forte”, afirma. “Flávio Colker, meu irmão, me falou de Chico Science. Eram os anos 1990, e o manguebeat entrou na minha vida. Mais tarde, descobri Josué de Castro, autor de Geografia da fome e do maravilhoso Homens e caranguejos.”
 
Quando João Elias a apresentou O cão sem plumas, a coreógrafa se deparou com uma fonte de inspiração e força, que apesar de falar sobre o descaso, apresenta certa exuberância. “Ele fala sobre a tragédia e a exuberância, sobre a seca e o céu. Fala de homens que são enganados, mastigados, que roubam deles até o que eles não têm. Percebi nesse poema a missão de lutar: esses homens são guerreiros, não desistem do seu céu, do seu rio, da sua terra”, ela explica. Foi isso que a conquistou: esse sentimento ancestral, que assim como o desejo em Nó, o tornava atemporal e universal.
 
SERVIÇO
Espetáculo Nó, de Deborah Colker
Quando: Sexta-feira (19), às 21h
Onde: Teatro Guararapes (Centro de Convenções, Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho)
Quanto: Plateia - R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia) / Mezanino - R$ 75 e R$ 37,50
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