São João Quadrilha Lumiar, a Broadway do São João pernambucano O grupo venceu o 35º Concurso de Quadrilhas Juninas do Sítio Trindade

Por: Samuel Calado - Redes Sociais e Site

Publicado em: 30/06/2019 14:52 Atualizado em: 30/06/2019 15:28

O resultado foi divulgado na noite do sábado (29). Foto: Samuel Calado/DP
O resultado foi divulgado na noite do sábado (29). Foto: Samuel Calado/DP

A Junina Lumiar é a grande campeã do 35º Concurso de Quadrilhas Juninas Adultas, realizado no Sítio Trindade, na Zona Norte do Recife. O grupo trouxe para o arraial o espetáculo Compadrio - São João Dormiu, São Pedro Acordou. Na história conduzida pelo marcador Fábio Andrade, os brincantes convidaram o público para reviver a antiga tradição de pular a fogueira em um elo de amizade e paixão. Cerca de 30 grupos participaram das eliminatórias e doze ficaram na final. Além da Lumiar, conquistaram o pódio as juninas Tradição (2º Lugar), Evolução (3º Lugar), Raio de Sol (4º Lugar) e Dona Matuta (5º Lugar), que foram premiadas com R$ 13 mil; R$ 9 mil; R$ 7 mil; R$ 6 mil; e R$ 5 mil, respectivamente. 

Hitallo acompanha a junina desde 2008. Na foto, ele segura o prêmio de campeã da Globo, em 2018. Foto: WhatsApp/Cortesia
Hitallo acompanha a junina desde 2008. Na foto, ele segura o prêmio de campeã da Globo, em 2018. Foto: WhatsApp/Cortesia

Por onde passa, a Lumiar arrasta uma multidão de apaixonados pelo movimento. A quadrilha foi fundada em 1994, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife e desde então é batizada carinhosamente pelo público como 'a querida do São João'. O quadrilheiro Hitallo Alves, 20, disse que acompanha a junina desde 2008, quando ela trouxe um espetáculo falando sobre os sonhos. “Eu comecei a me apaixonar a partir desse ano. Em 2009 fiquei triste com a pausa que ela deu e no ano seguinte super alegre com o retorno. Para mim sem Lumiar não há São João. Eu acho que ela chegou ao nível de quadrilha que em Pernambuco só tem ela para disputar fora e trazer títulos ao estado. Os melhores espetáculos na minha opinião foi o de 2008, do de 2012 (Alice) e de 2018, que foi o ‘Na festa de Santo Antônio, solteira é que eu não fico.”

A quadrilha foi fundada em 1994. Foto: Samuel Calado/DP
A quadrilha foi fundada em 1994. Foto: Samuel Calado/DP

O professor universitário Ricardo Monteiro, veio de Sergipe para assistir ao espetáculo na final, mas não conseguiu entrar por conta da fila, mesmo assim, soube que teria uma apresentação no Clube Português e foi assistir. Ele disse que ficou encantado com a Lumiar e comparou a apresentação da junina aos grandes musicais da Broadway. “Eu achei que o espetáculo tem uma coreografia bem feita e um viés de um musical internacional. Não deixa a desejar. Os efeitos especiais e até a posição dos personagens em planos diferenciados é outra característica que lembra a produção cinematográfica. Posso falar também sobre a trilha sonora autoral, que eles têm. E o final nos musical é sempre apoteótico, como foi na Lumiar com o efeito visual da chuva de prata”. 

Fábio Andrade, marcador da Junina Lumiar. Foto: Samuel Calado/DP
Fábio Andrade, marcador da Junina Lumiar. Foto: Samuel Calado/DP

E o que falar da trilha sonora? Nesses 25 anos de existência, a junina marcou várias festividades com repertórios embalados de história, amor e tradição. Sempre antenada às novas tecnologias e presente nas redes sociais conduzidas pelo jornalista Henrique Arteche, com o ‘boom’ do streaming, o grupo vem disponibilizando suas canções nas diversas plataformas. Leo Marques, autor das canções, disse que é sempre um desafio grande montar as composições. “Eu nunca acho que vou conseguir. A gente primeiro desenvolve o espetáculo e a história. Então eu vou imaginando como seriam as músicas respeitando a diversidade musical nordestina. É sempre um desafio muito grande e no final dá tudo certo”. Além da trilha, Léo também participou da produção do figurino e do casamento.  O coreografia foi feita por Nayna Valentim. Já o desenvolvimento do tema é de Anderson Andrade, que também assina o casamento, junto com Léo e Clóvis Bezer. 

Momento da Rainha no espetáculo. Foto: Samuel Calado/DP
Momento da Rainha no espetáculo. Foto: Samuel Calado/DP

Citar um momento marcante diante da imensidão do musical junino é bastante complicado, contudo, um dos pontos altos do espetáculo é a entrada da rainha Ana Paula Arruda ao som de “Fogueira de São Pedro”. Na encenação, a fogueira se abre e ela surge como uma fênix junto a vários bailarinos. A riqueza dos movimentos e a expressão é tão gritante que o público não sabe se grita, aplaude, chora ou faz as três coisas de uma vez só. A quadrilheira tem uma legião de fãs nas redes sociais e pode ser considerada uma das mais seguidas do ciclo junino pernambucano. “Acho que quando você tem fé em Deus você conquista várias coisas. Eu tenho um público muito grande e agradeço a todos pelo carinho e pela dedicação. É justamente esse público que faz a gente querer apresentar o melhor. Sempre digo que Ana Paula e Lumiar são duas energias que andam juntas”.

Taynara Gomes, noiva da Junina Lumiar. Foto: Samuel Calado/DP
Taynara Gomes, noiva da Junina Lumiar. Foto: Samuel Calado/DP

Outro ponto alto é o desfecho do casamento ao som de “Eles se amam”. Momento em que os noivos fazem o voto de amor eterno firmando o compadrio. O noivo Augusto Neves disse que a sensação de interpretar o personagem é coisa de outro mundo. “É uma magia que faz a gente sair do corpo. A cada apresentação é um nervosismo novo. Posso apresentar mil vezes, mas a dorzinha na barriga será sempre diferente”. A noiva Taynara Gomes, contou que está na Lumiar desde 2017 e geralmente fica com o coração apertado no processo de produção. “Eu moro em Sergipe, então passei alguns meses sem ir ao ensaio, só vendo os vídeos. Quando eu comecei a vir aos ensaios, já no momento das finalizações, foi emoção garantida”. 

A quadrilheira Vanessa Ribeiro está no grupo há 14 anos. Foto: Samuel Calado/DP
A quadrilheira Vanessa Ribeiro está no grupo há 14 anos. Foto: Samuel Calado/DP

A Lumiar coleciona títulos em sua história. Só no Sítio Trindade, foram seis troféus de campeã. No festival promovido pela Rede Globo, ela subiu o pódio quatro vezes no estadual e três no regional. Sem falar do Concurso realizado pelo Serviço Social do Comércio (SESC), onde foi campeã seis vezes. Dentro do grupo, os quadrilheiros respondem em uma só voz que o sentimento é de família. A quadrilheira Vanessa Ribeiro, que já está no grupo há 14 anos disse que “Ser Lumiar é colocar um sorriso estampado no rosto e viver o São João, independente de título. Depois que a gente entra na Lumiar, a gente entende o verdadeiro sentimento de ser quadrilheiro que é amar e ter a certeza de um São João contagiante”. 
 
 
Confira a apresentação do grupo no Sítio Trindade:

 


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