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Diretor de série da Netflix sobre a Lava Jato ironiza prisão de Lula: 'Vão assistir da cadeia'

'Acho que foi golpe de uma quadrilha contra a outra', diz José Padilha sobre a derrubada de Dilma

Publicado em: 15/03/2018 13:48 | Atualizado em: 15/03/2018 14:14

Atores, elenco e diretor conversaram com a imprensa em entrevista coletiva. Foto: Netflix/Divulgação

Rio de Janeiro* - "A primeira temporada, eles vão ver em casa. A segunda, na cadeia", ironizou o diretor e produtor-executivo da série O mecanismo, durante a coletiva de imprensa do seriado da Netflix, que estreia no dia 23 de março. Ele fez referência à condenação do ex-presidente Lula. Livremente inspirada na Operação Lava Jato, a produção é estrelada por atores como Selton Mello, Caroline Abras, Enrique Diaz, Otto Jr. No evento, Padilha desferiu sucessivas críticas ao sistema político brasileiro e patrulhamento ideológico. 

"São todos os partidos do Brasil envolvidos em corrupção (no mecanismo). É uma loucura as pessoas defenderem um ou outro, porque é claro que são todos", criticou Padilha. "Tenho inveja de quem tem ideologia. Porque as pessoas sabem muito e são muito mais inteligentes que eu. Eu não consigo comprar a ideologia”, ironizou o diretor de Tropa de elite 1 e 2 e produtor-executivo do seriado Narcos. "Vocês podem tentar achar que eu tenho lado, mas não tenho lado. Não adianta. Eu não acredito em ideologia. Eu não consigo negar os fatos. PT, PMDB, PSDB operaram o mecanismo", justificou. 

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“Claro que a Lava Jato tem erros, mas ela revela para a gente que o mecanismo não tem ideologia. O Cacá Diegues inventou esse termo de 'patrulha ideológica'. Isso vai ser inevitável. As pessoas estão lutando pela escravidão e pensando que lutam pela liberdade”, pontua. “A direita no Brasil é um horror. Agora a esquerda também é. Infelizmente", compara. O diretor também comentou o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016. “Dilma era uma pessoa arrogante e não me parece ser muito inteligente. Ela simplificava muito o mundo em volta dela. Ela não tinha traquejo para parar a Lava Jato. Começou a passar do PT para o PMDB. Lula não virou ministro. Desesperadamente, começaram as negociações para tirá-la. Esse foi o motivo. Eles escolheram outra forma do impeachment. Acho foi um golpe mesmo. Não foi um golpe da direita contra a esquerda. Foi de uma quadrilha contra outra. É briga de quadrilha”, disse Padilha, citando que ela poderia ser afastada do cargo por “uso de caixa dois” e pelo caso da Pasadena. 

A história de O mecanismo começa a partir da obsessão de um policial por um doleiro, ambientada em 2003, com salto temporal de dez anos. O delegado Ruffo, vivido por Selton Mello, é baseado em um personagem real. “É bom ter um senso de humor em uma história tão complexa como essa. Ficou uma mistura boa no fim das contas”, analisou o ator Selton Mello. “Foi um desafio narrativo colocar isso como entretenimento. O que a gente fez foi estudar, ler jornais. Todas as notícias tinham a ver com a série. Mas depois disso vai para os personagens e para a história e se afasta da realidade”, explicou a roteirista Elena Soarez. Com oito episódios, a trama é inspirada no livro Lava Jato: O juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil

No evento, Enrique Diaz lamentou a morte da vereadora Marielle Franco, morta a tiros nessa quarta-feira, no Rio de Janeiro.  "Isso tem a ver com as escolhas que a gente faz para lutar melhor por um lugar para viver”, disse Diaz.  “Desde a Candelária, a gente vê a violência do cotidiano no Rio de Janeiro. Recorrentemente, a gente vê a repetição desses fenômenos. O que aconteceu ontem foi terrível para o Rio de Janeiro”, complementou Padilha.

*A repórter viajou a convite da Netflix

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