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'Blade Runner mudou a minha vida', diz Jared Leto ao Viver
De passagem pelo Brasil, ator falou sobre papel em Blade Runner 2049 e a pressão sentida ao ingressar na produção
Publicado: 26/09/2017 às 19:13
"Vi uma centena de vezes", diz Leto sobre o Blade Runner original, de 1982. Foto: Sony Pictures/Divulgação/

Rio de Janeiro – Um dos novos personagens de Blade Runner 2049, sequência do filme lançado por Ridley Scott em 1982, é Niander Wallace, um empresário à frente da Tyrell, indústria responsável pela fabricação de andróides que povoam o universo futurista da trama. Com ares excêntricos e sombrios, o empresário, interpretado por Jared Leto, aparece com pinta de vilão no material de divulgação do filme, que estreia no dia 5 de outubro. "Ele é uma alma gentil", discorda o ator em entrevista exclusiva ao Viver, concedida na segunda-feira (25), dia seguinte à apresentação do 30 Seconds to Mars, banda do artista, no Rock in Rio. Quer receber notícias sobre cultura via WhatsApp? Mande uma mensagem com seu nome para (81) 99113-8273 e se cadastre
Antes de a conversa começar, a organização reforça a solicitação de não pedir fotos ou autógrafos para o ator e evitar contato físico com ele. De fala lenta e pausada, Leto oferece respostas para as perguntas de maneira quase contemplativa, reforçando a sensação de que se está falando com algum tipo de guru. Essa impressão é completada pelo visual do astro: a barba volumosa, camisa florida e calça vermelha remetem ao estereótipo hippie. O aparente despojamento, no entanto, contrasta inevitavelmente com o endereço da entrevista, um luxuoso hotel no bairro de Ipanema.
No início da conversa, Jared Leto parece um pouco blasé ou talvez apenas cansado da maratona de compromissos no evento de promoção de Blade Runner 2049. A fala muda de tom quando começa a comentar o quanto o filme original é importante para ele. "Ainda não consigo acreditar quando olho para o pôster", comenta, com a cabeça em direção ao banner no qual aparece ao lado Harrison Ford, Ryan Gosling e Ana de Armas, outras estrelas do longa, dirigido por Denis Villeneuve (A chegada). O diretor do primeiro, Ridley Scott, retorna apenas como produtor-executivo.
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Afirmando ter visto o original uma centena de vezes, Jared Leto acredita que o retorno do título aos cinemas pode ser a oportunidade de transformar Blade Runner em, propriamente, uma franquia. "Eu morreria para fazer parte de mais um filme", afirma. Disposição e entrega para o papel, aliás, não faltam. Interpretando um personagem cego, Leto usou lentes de contato opacas no set, para evitar enxergar e dar verossimilhança na maneira de se portar e locomover.
[Entrevista // Jared Leto, ator
Você pode falar sobre o personagem? Ele parece o grande antagonista, ele é apenas mais um cara mau?
Ele é uma alma gentil, um poeta. Eu lembro que, quando li o roteiro, eu pensei "meu deus, isso é incrível!". A maneira como ele fala e comanda o mundo de 2049... Eu apenas pensei "que oportunidade incrível, eu preciso fazer parte disso".
O filme original foi marcante para você?
Absolutamente. O Blade Runner original mudou minha vida, eu o vi uma centena de vezes. Para mim, é (como) Star wars. E eu acho que o mundo de Blade Runner é incrível e é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e estar na sequência é uma grande honra. Eu realmente ainda não consigo acreditar quando olho para o pôster. Isso mexe com a minha cabeça.
Você enxerga muitas diferenças entre o primeiro longa e esta continuação?
De certa maneira, sim. É bom o fato de não ser um remake do original, mas uma continuação. É familiar, mas diferente ao mesmo tempo. Esse filme será um revival isolado ou há planos para mais filmes ambientados neste universo? Vai depender de quantas pessoas irão assistir ao filme. Então, venham nos ver, para que possamos fazer mais um. Porque eu amei e eu morreria para fazer parte de um outro filme.
Seu personagem é cego e você fez questão de se privar da visão no set. Pode falar um pouco sobre isso?
Trabalhei com um professor cego e ele foi o meu preparador, um homem jovem que passou um tempo comigo me ensinando e me trazendo para o seu mundo. Foi uma grande ajuda e algo muito bonito conhecê-lo. É alguém muito gentil, uma alma adorável que compartilhou seu mundo comigo. Foi realmente muito bom.
Você aprecia ficção científica para além dos filmes de que participa?
Sim. Eu sempre amei sci-fi, principalmente quando há muita ciência envolvida. Eu acho que Blade Runner é um mundo tão crível e poderoso porque pode, de fato, ser o nosso futuro. É atormentador.
No ano passado você interpretou o Coringa, em Esquadrão Suicida e, agora, faz parte de Blade Runner. É maior a pressão, como ator, quando o papel faz parte de universos cinematográficos tão conhecidos e adorados?
Sim. Há expectativa, há pressão. Eu ainda não havia pensado sobre isso, mas participar de algo assim é sempre difícil, especialmente se foi bem feito anteriormente. Se não fosse algo tão bem realizado da primeira vez, seria mais fácil. E, em ambos os casos, foram feitos trabalhos incríveis. É fantástico ter exemplos tão inspiradores sobre o que é possível fazer.
*O repórter viajou a convite da Sony Pictures
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