Música Cinco discos de Bezerra da Silva são relançados por streaming Gravadora Sony Music homenageia o músico pernambucano 12 anos após sua morte

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 06/02/2017 07:56 Atualizado em: 06/02/2017 18:09

O pernambucano Bezerra da Silva deu voz a clássicos do samba de partido-alto e se popularizou nos anos 1980. Na imagem, a capa do disco Alô, Malandragem, Maloca o Flagrante. Foto: RCA Records/Divulgação
O pernambucano Bezerra da Silva deu voz a clássicos do samba de partido-alto e se popularizou nos anos 1980. Na imagem, a capa do disco Alô, Malandragem, Maloca o Flagrante. Foto: RCA Records/Divulgação


As músicas do cantor, compositor, percussionista e violonista pernambucano Bezerra da Silva chegam, 12 anos após sua morte, aos principais serviços de streaming (Spotify, Deezer, iTunes, Apple Music e Google Play). Cinco discos dele foram resgatados pela Sony Music e relançados em formato digital, contendo sucessos como Aqueles morros (Bezerra da Silva/Pedro Botina), Brasa por cima de brasa (João Silva/Bezerra da Silva) e Zebu (Bezerra da Silva).

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A gravadora, responsável por prensar os discos do artista entre os anos 1980 e 1993, lançou 14 dos mais de 30 álbuns produzidos por Bezerra da Silva em suas três décadas de carreira. Nessa conta, entram os cinco títulos resgatados neste ano: Partido muito alto (1980), Samba partido e outras comidas (1981), Punhado de bambas (1982), Se não fosse samba (1989) e Partideiro da pesada (1991). Em 2005, ano da morte do músico, a Sony Music encartou a compilação póstuma O samba malandro de Bezerra da Silva, ainda não digitalizada.

A iniciativa revigora o samba de partido-alto, também conhecido como samba partido, estilo característico da produção do pernambucano, dentro do qual se estabelece a popularidade dele a partir dos anos 1980. Crônicas do cotidiano, figuras à margem da lei, casos de malandragem e opressão da classe trabalhadora se espalham sobre os versos do sambista, que chegou a declarar em entrevistas que se remetia aos camelôs, desempregados, serventes e às cozinheiras.



Bezerra não cantava para a elite, nem sobre ela. "Ele era o interlocutor do povo, preferia a linguagem mais simples possível, queria alcançar o maior número e a maior diversidade de pessoas. Quando ganhou nome, muitos compositores moldavam suas letras para se adequar ao estilo dele e levavam as composições para seu escritório, a fim de lhe oferecer", diz o sambista carioca radicado em Pernambuco Paulo Perdigão.

"Certa vez, fizeram uma pesquisa sobre Bezerra na USP, e ele disse que só aceitaria o convite para ver a apresentação se pudesse ir acompanhado de todos os compositores mais próximos. A USP cedeu um ônibus. Ele nunca deixava de dar crédito aos que alimentavam sua música", lembra Perdigão, que estava na caravana.

Expoente da velha guarda do segmento no Recife, o sambista conviveu com Bezerra da Silva nos anos 1980, frequentando as mesmas rodas de samba na Baixada Fluminense. "Ele era malandro mesmo. Não no sentido de ser desonesto, mas porque a vida dele se resumia a viver bem, tratar bem todo mundo, se dar bem com todos. Essa era a malandragem dele", conta. Para o sambista, a disponibilização dos cinco discos de Bezerra da Silva nos canais de streaming lança nova luz sobre a fase mais popular de sua obra. Clássicos na voz de Silva, sambas como Malandro coisé, Acordo de malandro e Doutores do meu Brasil estão entre os resgatados digitalmente.

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