Música Tagore lança Pineal, retrô e psicodélico, na véspera do Coquetel Molotov Segundo disco da banda pernambucana chega aos canais de streaming na sexta-feira (21)

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 21/10/2016 11:02 Atualizado em: 21/10/2016 16:59

Tagore Suassuna, vocalista da banda que leva seu nome, compôs letras mântricas para o novo disco. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução
Tagore Suassuna, vocalista da banda que leva seu nome, compôs letras mântricas para o novo disco. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução


Pelo inusitado da referência em seu título, Pineal nasce livre de associações, correspondências: é um cômodo limpo, preenchido por estética psicodélica e por mantras com sotaque pernambucano. O segundo disco da banda pernambucana Tagore faz alusão à glândula de mesmo nome - também chamada de epífise neural, comumente associada à mediunidade e à transcendência - e chega à internet na sexta-feira, véspera do Festival No Ar Coquetel Molotov, quando o grupo apresenta novo repertório no Recife, sua cidade natal.

Confira o roteiro de shows no Divirta-se

É um trabalho imersivo, dançante, luminoso, retrô. Mudo e Pineal, primeiras faixas a ganhar videoclipe, anunciam a atmosfera dos anos 1980: paetês, jogo de luzes, pista de dança e câmera lenta são tomados como recursos contrários à efemeridade das coisas, relações, épocas. Pineal se impõe contra a passagem fugaz - ou, ainda, o desperdício - do tempo.

Em Pineal, Tagore versa sobre a passagem do tempo, a efemeridade das coisas e relações. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
Em Pineal, Tagore versa sobre a passagem do tempo, a efemeridade das coisas e relações. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
Gravado por Tagore Suassuna e João Cavalcanti no Recife, Pineal (Sony Music, gratuito por streaming) nasceu em estúdio caseiro montado num apartamento alugado em Boa Viagem, na Zona Sul da cidade. Foi gestado durante sete meses - "antes de quase enlouquecermos", brinca o vocalista Suassuna. As letras, mais sucintas que as de Movido a vapor (2014), o disco de estreia da banda, se assemelham a mantras. São fruto do processo de construção do álbum, da nova fase: "Talvez, de forma incosciente, eu tenha começado a formular as letras para serem mais curtas e hipnóticas", avalia o músico, que assina as composições.

São odes à permanência, às coisas capazes de se prolongar, convites à observação dos instantes, ao registro destes. Enfileiram passado - não necessariamente remoto - e presente, evocando perdas, transformações, saudades. “Não diria que [o efêmero] me incomoda, mas me fascina desde muito novo. Perceber o deslizar do tempo sobre o espaço. Hoje em dia eu diria que isso é mais ‘palpável’, porque temos registros de tudo a todo momento, existe um referencial constante de um passado recente, onde tudo era diferente”, explica Tagore.



Julio Castilho (baixo, guitarra e teclados), Caramurú Baumgartner (percussão e teclados), Emerson Calado (bateria), João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) e Diego Dornelles (baixo, guitarra e teclados) completam a formação. Após o show no Coquetel Molotov - que ocorre no sábado, a partir das 13h (abertura dos portões), na Coudelaria Souza Leão, na Várzea -, eles seguem em turnê pelo Sudeste e Sul do país, quando aproveitam para promover campanha de financiamento colaborativo a fim de lançar o álbum em vinil e CD.  

>> CINCO ELEMENTOS
PSICODELIA
"Sempre curtimos bastante sonoridades psicodélicas, fosse com os Beatles ou com o Ave Sangria, nos encanta o mar de texturas que é possível explorar, afim de provocar os sentidos do ouvinte, seja por um minuto ou dez. Mas o reforço na preferência por essa estética veio em 2012, com a descoberta do Tame Impala, projeto do produtor australiano Kevin Parker. A forma como ele 'colore' as camadas sonoras nos chamou a atenção desde o primeiro momento. De lá pra cá, assimilamos essa nova influência de forma gradativa."

ATUALIDADE
"Sinto que estamos vivendo um período em que o som dos anos 2010 está sendo definido por bandas que, sim, carregam um tom psicodélico em suas produções. Dentre essas bandas, podemos citar os neozelandezes Connan Mockasin e Unknown Mortal Orquestra, o canadense Mac Demarco, que inclusive já se apresentou em Olinda, além do próprio Tame Impala."

Pineal ganha show de lançamento no Coquetel Molotov, no Recife, cidade natal dos músicos. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
Pineal ganha show de lançamento no Coquetel Molotov, no Recife, cidade natal dos músicos. Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
NOSTALGIA

"Eu não falaria em nostalgia, mas acho que o fato de hoje em dia podermos gravar sozinhos em um quarto, talvez, esteja guiando o processo criativo por caminhos mais introspectivos. É como se cada um desses artistas entrasse em sua própria bolha pra nos devolver essas versões atualizadas da psicodelia de outrora."

MISTICISMO
"Muitas culturas holísticas consideram a pineal nossa via de conexão "medíunica" com outros planos, menos densos que esse em que vivemos. Como o processo de composição pra mim é muito incrotolável, eu me sinto como uma antena, recebendo essas ideias de algum outro lugar. Acho que está muito místico o nosso papo, né?"

ESTÉTICA

"A identidade visual da capa do disco e singles foi toda desenvolvida pelo Caramurú Baumgartner, nosso tecladista. Ao passo que a identidade dos clipes ficou por conta dos parceiros da Toca Audiovisual, produtora gaúcha sediada em Santa Maria (RS). Ambos os projetos tiveram como norte, cores mais vibrantes, em alusão à sonoridade presente no disco."




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