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Moda Ronaldo Fraga emociona público do SPFW com desfile que denuncia transfobia Estilista mineiro convocou 28 transexuais para cruzar as passarelas

Por: Estado de Minas

Publicado em: 26/10/2016 22:03 Atualizado em:

Desfile emocionou o público. Foto: Marcelo Soubhia/Agência Fotosite
Desfile emocionou o público. Foto: Marcelo Soubhia/Agência Fotosite


Vinte e oito transexuais vestiram a arte do estilista mineiro Ronaldo Fraga nesta quarta-feira (26), durante o São Paulo Fashion Week. Nada mais coerente com o tema de sua coleção para o verão de 2017, que levanta a bandeira da transfobia. Como quem quis fazer com o que público do SPFW vestisse a pele das pessoas trans, Fraga usou as passarelas do evento internacional de moda para dar visibilidae a uma absurda realidade: o Brasil é o país com maior número de assassinatos de transgêneros em todo o mundo.

A seleção das modelos foi feita anonimamente por meio das redes sociais. O produtor Fernando Valiengo é quem enviou as mensagens-convite às beldades. Entre elas está a top belo-horizontina Carol Marra. O desfile foi o último de sua carreira e a emocionou. "Ronaldo deu voz a quem não tem voz, deu visibilidade a pessoas que são invisíveis. Todas as modelos do desfile eram trans e puderam contar uma história independente do seu gênereo, afinal a genitália estava tampada. Então elas mostraram uma roupa com beleza, feminilidade e dignidade, como qualquer outra modelo faz. Foi muito lindo", disse a moça.
 
De acordo com o estilista, poucas modelos estavam no desfile - o elenco foi primariamente formado por beldades em outras profissões, como cabelereira, dona de casa, professora e garota de programa. Em uma edição anterior da semana de moda, Fraga colocou senhoras idosas na passarela. Em 2013, porém, o estilista foi acusado de racismo ao vestir modelos com perucas de palha de aço em um desfile sobre a influência africana no Brasil. 


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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