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Sistema político brasileiro é arquitetado para ser corrupto, diz Bruno Garcia

Ator está em cartaz com o filme O caseiro e com a peça O livro de Tatiana

Publicado: 03/07/2016 às 17:00

Bruno Garcia participou da última temporada de Truque de mestre. Foto: Globo/Divulgação/

Bruno Garcia participou da última temporada de Truque de mestre. Foto: Globo/Divulgação/

Aos 45 anos, o ator Bruno Garcia é dono de uma galeria de personagens marcantes. Pedro Guerra, da novela Coração de estudante (2002), é apontado por ele como um dos mais emblemáticos, assim como, no cinema, Vicentão, de O auto da compadecida (1999), também é representativo. O pernambucano que trocou o Recife pelo Rio de Janeiro em busca de novos desafios vai definindo a carreira em marcos bem destintos, "dependendo do ponto de vista".

"Ter começado a fazer televisão ainda cedo no Recife me deu estofo", afirma, lembrando ainda o fato de ter trabalhado com Guel Arraes na série Sexo frágil (2003) e em novelas como Bang bang (2005).

Atualmente em cartaz nos cinemas com o filme de suspense O caseiro, produção nacional dirigida por Júlio Santi, e no teatro com a peça O livro de Tatiana, musical escrito e dirigido por ele, que esperou 18 anos para ser montado, a sua carreira deve render novos marcos. "Sou multifacetado", diz o ator, que gosta de desenhar, esculpir, dirigir e trabalhar com audiovisual.

Lei Rouanet
O ator tem se envolvido nos debates sobre os rumos da Lei Rouanet. Bruno diz ter ficado impressionado com "raciocínios bizarros" segundo os quais os artistas estão mamando nas tetas do governo. Ele afirma que o Brasil está vivendo situações de um roteiro inimaginável. "A cada dia que acordamos, o país está pelo avesso do avesso do avesso", sintetiza. O ator espera que todos esses acontecimentos levem para algum lugar de consenso em que possa ser reconhecida a necessidade de se fazer uma gigantesca reforma política.

Produção
"Gosto das várias camadas que cobrem a dramaturgia. Produção é o mais difícil, por obrigar você a botar o projeto debaixo do braço e sair em busca de patrocinador, do dinheiro e todo aquele esquema complicadíssimo da Lei Rouanet. As pessoas não sabem do que estão falando. Proponho um desafio para mostrar a trabalheira que é tentar escrever um projeto. Você precisa justificar até os pregos do cenário e, se a proposta for aprovada, raramente a produção vai ganhar dinheiro. O máximo é o retorno do dinheiro investido."

Política
"Precisamos mudar o sistema político brasileiro, que é arquitetado para ser corrupto. Isso está claro. Não é discussão de direta, esquerda, centro. É um formato que tira do povo a capacidade de monitorar e exigir dos seus governantes as ações para as quais foram eleitos: cuidar da nação e não dos interesses próprios."

Governo
"Quando você se vê em um governo em que o vice-presidente junto com o presidente da Câmara, ambos com problemas na Justiça, conseguem impetrar processo de impedimento de uma presidente, não há como ter otimismo. Um vice interino que a partir dessa manobra absolutamente suspeita acabe com o Ministério da Cultura e volta atrás com a pressão fica claro que se trata de um governo oportunista, casuísta e que não sabe o que quer fazer."

Espetáculo
"Queria contar uma história vibrante com a qual pudesse atingir todas as idades. O musical traz esse tipo de alegoria que agrada muito o pensamento lúdico. É uma história non sense, quase conversando com o surrealismo. Optei por Tatiana por ser um nome sonoro e também para prestar uma homenagem ao nome da filha do primeiro casamento da minha amiga Adriana Falcão."

Ligação musical
"Pensei em convidar Flávio Mendes, maestro de Bibi Ferreira, e o músico Zé Ricardo para criarem as músicas. Para minha surpresa, pouco tempo depois, uma das canções estava pronta."
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