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Boi Neon está em cartaz em Caruaru, Recife e Jaboatão

Premiado em Veneza, filme pernambucano pode ser visto no Cinema São Luiz, Cinépolis Guararapes, Centerplex North Caruaru e Cinema do Museu. Leia resenha escrita por Ricardo Daehn, crítico do Correio Braziliense

Publicado: 17/01/2016 às 09:57

Maeve Jinkings interpreta motorista de caminhão que transporta bois no agreste e no sertão. Foto: Mateus Sá/ Divulgação/

Maeve Jinkings interpreta motorista de caminhão que transporta bois no agreste e no sertão. Foto: Mateus Sá/ Divulgação/

 
Com pontuações oníricas, Boi neon tem múltiplas cenas que impressionam — muitos sairão do filme postos à prova no tocante às imagens de sexo. Mas talvez o mais icônico no novo filme do pernambucano Gabriel Mascaro esteja numa atmosfera perturbadora: há um homem que exerce domínio absoluto sobre um cavalo, um nato encantador do animal.

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Partindo de um aboio, bem no começo do longa, o enredo traz para o primeiro plano um império de desejos de personagens com restrições, mas conscientes das vontades. Mascaro defende um Nordeste inventivo e desatrelado de privações financeiras.
 
Comandam a cena tipos como Iremar que, na lida com currais, intenciona ser costureiro, e Galega, uma mulher por trás da pesada condução de caminhão que acompanha vaquejadas. Muito afeito ao cinema que mescla documentário e encenação, Mascaro parece mais interessado em deixar a história se levar do que em impôr clímax e soluções.
 
A postura dá margem à observação, mas sem os desbravamentos pretendidos num Bye bye Brasil. No papel da pragmática Galega, a brasiliense Maeve Jinkings observa que a filha Cacá (Alyne Santana, uma revelação) “só quer o que não pode (ter)”. Em contraponto, o amigo de Galega, Iremar (Juliano Cazarré), se farta com reaproveitamento de materiais, no sonho de, a partir da moda, fazer bonito tanto na “cidade fashion” quanto com a satisfação da sensualidade empregada em decotes e modelitos.
 
Sem intenção de denúncia, Mascaro investe num tom subliminar, em que lotes de gado aparecem valorizados pelos integrantes de “sangue azul” enquanto os plebeus não se rendem a estereótipos (Iremar não é afetado, e por aí vai...). Arteiro, prefere privilegiar o despudor (a câmera de Diego García parece apaixonada por Cazarré), a graça dos sotaques e um espontâneo bom humor.

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