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FESTIVAL JANELA: Mate-Me por Favor transmite o medo cotidiano sentido por mulheres
Premiado no Festival de Veneza, filme da carioca Anita Rocha da Silveira é exibido neste sábado. Veja também outros destaques da programação
Publicado: 07/11/2015 às 07:58
Casos de estupro e assassinato afetam a rotina de uma adolescente no filme. Fotos: Bruno Mello/ Divulgação/
Com o elenco totalmente formado por adolescentes, sem a presença de crianças ou adultos na tela, Mate-me por favor retrata os sentimentos de um grupo de meninas que vivem ao mesmo tempo a descoberta da sexualidade, um fascínio involuntário pela violência e um sentimento constante de medo provocado por uma rotina urbana marcada por notícias de estupros e assassinatos. O filme da cineasta carioca Anita Rocha da Silveira é exibido neste sábado, às 20h, na programação do festival Janela Internacional do Recife, no Cinema São Luiz, com reprise na segunda-feira, às 18h15, no Cinema do Museu (Casa Forte).
[SAIBAMAIS]Mate-me por favor foi um dos longas-metragens que representaram o Brasil no Festival de Veneza em 2015 (o outro foi o pernambucano Boi neon), onde ganhou um prêmio especial para as atrizes Julia Roliz, Dora Freind, Mariana Oliveira e Valentina Herzsage. No Festival do Rio, venceu os troféus de melhor direção (Anita) e melhor atriz (Valentina). Nesta semana, foi o vencedor do Panorama Coisa de Cinema (em Salvador).
Na Barra da Tijuca, no caminho entre a casa e a escola, as personagens do filme passam sempre por um grande terreno vazio, uma área de especulação imobiliária ao lado de um condomínio em construção. Casos de estupros seguidos por assassinatos tornam-se frequentes no local e passam a mexer com o imaginário das jovens. No cotidiano delas, com a presença marcante da internet, o medo passa a conviver com as novas experiências amorosas e uma coisa parece afetar a outra.
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O filme transmite a tensão vivida diariamente pelas mulheres e coincide com campanhas de conscientização atuais como "Deixa Ela em Paz" e "Primeiro Assédio". Não à toa, os personagens masculinos são bem menos maduros do que as garotas, como uma forma de ilustrar a ideia de que os meninos saem da infância mais lentamente do que as meninas.
Apesar da temática mórbida, o filme tem uma energia pulsante. O clima de tragédia iminente, afinal, contrasta com o intenso ritmo de vida da juventude retratada. A iminência do terror é pontuada pela trilha sonora tocada em volume alto, que embala as personagens com músicas de fases clássicas do funk carioca (sobretudo canções mais românticas, de cantores como Claudinho e Buchecha) e antigos sucessos internacionais sensuais, como Kiss and say goodbye (The Manhattans).

A direção das atrizes demonstra intimidade e precisão. Elas parecem sempre à vontade, verdadeiras e espontâneas mesmo em cenas mais delicadas. A presença de elementos de horror acontece também de maneira fluida, sem cair no mero exercício de gênero. É o primeiro longa-metragem dirigido por Anita, que só transparece certa insegurança nas cenas finais, como se tivesse dificuldade para encontrar um desfecho. É um detalhe que não chega a comprometer a obra como um todo, mas atrapalha a envolvente linguagem pop adotada até então.
Mate-me por favor surge em um momento em que o cinema brasileiro tem dado bastante atenção à adolescência, com filmes de diferentes abordagens lançados nos últimos anos, como Califórnia, de Marina Person, Big Jato, de Cláudio Assis, Confissões de adolescente, de Daniel Filho e Cris d'Amato, Depois da chuva, de Cláudio Marques e Marília Hughes, Eles voltam, de Marcelo Lordello, Beira-mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, Ausência, de Chico Teixeira, e Hoje eu quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro.
OUTROS FILMES DESTE SÁBADO NO JANELA:

Na sessão especial Três filmes safados, às 20h, no Cinema do Museu, são exibidos os curtas pernambucanos eróticos Virgindade, de Chico Lacerda, Como era gostoso meu cafuçu, de Rodrigo Almeida, e Soledad, de Joana Gatis, Daniel Bandeira e Flávia Vilela.
Cria Cuervos (1976), de Carlos Saura, O grande Lebowski (1998), dos Irmãos Coen, O caçador de bruxas (1968), de Michael Reeve, Desencanto (1945), de David Lean, e A múmia (1959), de Terence Fisher, são os clássicos da programação deste sábado.
O cineasta Gabriel Mascaro conversa com o público após a projeção de Boi neon, às 17h, no Cinema do Museu. Mais três longas de 2015 estão na programação do dia: As mil e uma noites: Volume 1, do português Miguel Gomes, O evento, do bielorusso Sergei Loznitsa, e A paixão de JL (documentário sobre o artista Leonilso), do paulista Carlos Nader.
Curtas relacionados ao movimento Ocupe Estelita são projetados às 15h no Cinema da Fundação no programa Filmes de Ação, em sessão seguida de debate.
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