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Moda Livro desvenda três personalidades que revolucionaram a moda nos anos 1990 Através das histórias de Marc Jacobs, Alexander McQueen e Kate Moss, jornalista destrincha tendências e comportamentos que se mantêm atuais

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 05/09/2015 10:00 Atualizado em: 04/09/2015 16:48

A top Kate Moss ganhou fama nos anos 1990 e propagou o estilo grunge. Fotos: Corinne Day/Divulgação
A top Kate Moss ganhou fama nos anos 1990 e propagou o estilo grunge. Fotos: Corinne Day/Divulgação

Uma taça de Martini “batizada” com cocaína na borda (drink conhecido como champagne supernova, apreciado pela top model Kate Moss) inspira o título do livro da jornalista Maureen Callahan, agora lançado no Brasil - e já denuncia os excessos que permearam os bastidores da moda nos anos 1990. Além da bebida, Champagne supernovas (Editora Rocco, 256 páginas, R$ 34,50) faz alusão aos corpos celestes, ao destrinchar as trajetórias de três estrelas em ascensão na época: os estilistas Marc Jacobs e Alexander McQueen e a modelo Kate Moss.

Por meio da investigação do passado conturbado dos três, e das narrativas “em off” da década de 1990, Maureen constrói um pano de fundo caótico, porém sedutor: festas, álcool, passarelas, música pop e estrelato se misturam, costurando tendências e comportamentos ainda em voga.

O surgimento do grunge, a substituição das curvas pela magreza no casting dos desfiles de moda, a ascensão do estilo de vida underground à cena mainstream e a extravagância pop nas coleções de alta costura são processos decifrados no livro - interessante para quem não sabe como as ombreiras dos anos 1980, em algum momento, deram lugar aos jeans rasgados e aos cabelos sujos do street style. Apesar da ausência de imagens, fundamentais no universo fashion, Champagne supernovas - dedicado “para os filhos dos anos 1990” - revela curiosidades que se desdobram até as passarelas (e armários) atuais.

>> TENDÊNCIAS
Confira três tendências que Jacobs, McQueen e Moss nos deixaram de herança a partir da década de 1990.

Grunge

Ganhou força com o crescimento de bandas como Nirvana e Pearl Jam, e encontrou eco no estilo de top models como Kate Moss. O figurino simula uma combinação acidental de peças de segunda mão e jeans desgastados, com cabelo desgranhado e aparência “largada.”

High low
Na lista de legados de Marc Jacobs, a entrada das produções prêt-à-porter (roupas de qualidade, assinadas por estilistas, mas produzidas em massa) nas passarelas. A mistura do bonito com o bizarro e do caro com o barato (high-low).

Rebeldia
Antes do suicídio, em 2010, Alexander McQueen usou as passarelas para exorcizar os próprios demônios. Assinou a polêmica coleção Highland Rape (inspirada na violação da Escócia pelos britânicos), criou as calças de cintura baixíssima e se chegou a se inspirar em Jack, o estripador. Mesclava glamour, horror e rebeldia - elementos que deixou como legado.

Sportswear
Outro legado da atuação de Marc Jacobs na década de 1990 foi a introdução de figurino esportivo nas passarelas. Os tênis de corrida combinados a figurinos mais sofisticados criam looks que permanecem atuais, despojados mas estilosos.

Jeans
Rasgados, desconstruídos, desgastados, os jeans ganham ares de protagonistas na cena grunge. Devem parecer acidentalmente velhos, mas são, na verdade, calculados para passar a impressão de look despreocupado, montado de última hora.

Cabelos desarrumados
Com aparência de sujos, os cabelos perdem o ar glamouroso e ganham aspecto de que não são lavados há dias. Sem corte definido, com fios ondulados, devem parecer desgrenhados, informais.

>> TRINDADE DA MODA
Passe o mouse sobre as imagens abaixo e confira um resumo sobre as três personalidades que dão corpo ao livro.



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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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