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Música Gonzaguinha 70 anos: homenagens ao músico rendem três discos até o fim do ano Tributos já motivaram séries de shows, musicais e espetáculos comemorativos, além de documentários que estão sob avaliação do filho, Daniel Gonzaga

Por: Larissa Lins - Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/09/2015 08:45 Atualizado em: 22/09/2015 08:48

Se vivo, Gonzaguinha completaria 70 anos nesta terça-feira (22). Foto: Edvaldo Rodrigues/Arquivo DP
Se vivo, Gonzaguinha completaria 70 anos nesta terça-feira (22). Foto: Edvaldo Rodrigues/Arquivo DP

“É a certeza da eterna presença da vida que foi, da vida que vai. É a saudade da boa”, cantava Gonzaguinha na faixa Feliz, trilha sonora de telenovelas e de histórias de amor. Os versos regem o dia 22 de setembro na vida dos fãs de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, que, se vivo, completaria hoje 70 anos. O marco, celebrado há meses em musicais, espetáculos e shows comemorativos, ganha força, agora, em três novos discos - um deles, recém-lançado no mercado. Deve render, ainda, dois documentários e mais uma montagem no teatro, até o próximo ano - tudo sob avaliação de Daniel Gonzaga, filho do artista e sócio-gerente da Moleque Editora, que administra os direitos autorais do músico.

Falecido em acidente de carro no Paraná, em 1991, o filho carioca do pernambucano Luiz Gonzaga teve a voz extraída de tapes originais e voltou a ser ouvido pelos fãs neste mês, no álbum Presente (Universal Music, R$ 24,90), lançado no último dia 18. O disco reúne 14 duetos, produzidos em estúdio, onde a voz de Gonzaguinha foi unida às de Ivete Sangalo, Maria Rita, Lenine, Fagner, Gilberto Gil, Ana Carolina, Alcione, Victor e Leo, Zeca Pagodinho, Alexandre Pires, Martinho da Vila, Luiza Possi e Zeca Baleiro. O também músico Daniel Gonzaga canta “junto” com o pai na última faixa, A vida do viajante, na qual a voz de Gonzagão, seu avô, também foi incluída.

“Eu acho sempre um barato que as pessoas não se esqueçam dele. Se estivesse aqui, estaria ‘novão’, produzindo mais músicas. Talvez mais tranquilo, talvez mais ranzinza, mas ativo”, especula Daniel, que estima um aumento de 20% nos pedidos de autorização enviados à Moleque Editora, para uso de imagem e composições de Gonzaguinha. Nos últimos meses, deu as “bênçãos” e a própria presença, ainda, ao musical Moleque Gonzaguinha - 70 anos, promovido pelo grupo Chicas, com apoio do Centro Cultural Banco do Brasil (com participação de Paulinho da Viola, Moska e Elza Soares) e à série de shows Gonzaguinha: tudo outra vez, do trio Fábio Luna, Marcelo Caldi e Edu Krieger.


Até o fim deste ano, Fernanda Gonzaga (irmã de Daniel) e o cearense Marcos Lessa também lançam discos comemorativos. O dela reúne, além de clássicos como Explode coração e Sangrando, composições inéditas do pai. Lessa, por sua vez, conta a história da vida de Gonzaguinha através do repertório do ídolo, em formato acústico. “Estradas será lançado em Fortaleza, no dia 27 de outubro”, conta Marcos Lessa, que seguirá em turnê pelo país a partir de novembro, mês em que negocia data para show no Recife.

>> DUAS PERGUNTAS: Daniel Gonzaga, músico e filho de Gonzaguinha

Planeja algo para a data? Alguma homenagem programada?

Eu não vou fazer nada, vou ficar tranquilo. Não sei se Fernanda [irmã] fará algum show. Cada pessoa da nossa família mora em um lugar diferente. Mas pelo Brasil, certamente, haverá muitas homenagens. Temos recebido muitos pedidos de rádios e emissoras de televisão nos últimos dias.

Como era Gonzaguinha como pai? Como se recorda da figura dele, dos ensinamentos?
Ele faleceu quando eu tinha 16 anos. Era um pai normal. Colégio, reclamações, ensinamentos, conselhos. O trabalho dele como artista, claro, dava mais visibilidade a ele. Mas, em casa, era um pai comum. Ele era uma pessoa incrível. O lado pessoal era o melhor dele. Me ensinou valores de integridade, honestidade. Me incentivou a passar por situações difíceis e não se deixar corromper. A estar sempre atento e calmo.

>> DUAS PERGUNTAS: Paulo Vanderley, pesquisador e colecionador, administrador de site dedicado à obra do artista

O que o legado de Gonzaguinha “ganha” com essas homenagens?
Os tributos dos últimos meses diversificaram o repertório dele, destrincharam o lado B do Gonzaguinha. Revisitaram as clássicas, mas também as menos conhecidas.

Como você acha que Gonzaguinha estaria, profissionalmente, se vivo?
Ele teria mantido a coerência, que era sua marca. Estaria transitando por novos ares, aberto ao novo, mas mantendo os objetivos dele. Muitos artistas da geração de Gonzaguinha são considerados parados no passado, estagnados. Eu não vejo assim. Eles continuam produzindo. Gonzaguinha produziria também. Como ele gostava de dizer, com calma e sem pressa. E sem jamais confundir calma com frouxidão.

>> DUAS PERGUNTAS: Marcos Lessa, músico

Como surgiu a ideia do disco Estradas, em homenagem a Gonzaguinha?
Eu nasci no ano em que Gonzaguinha morreu, em 1991. Sempre fui fã. Planejava fazer esse álbum há bastante tempo. Mas quando me lancei como cantor, optei por um disco com músicas próprias. Queria começar a carreira com algo mais autoral. Em 2014, lancei Entre o mar e o sertão, que leva o nome de uma música que ganhei de presente do Paulo César Pinheiro. Como em 2015 Gonzaguinha completaria 70 anos, achei que seria o melhor momento para homenageá-lo. Conheci o Paulo Vanderley [pesquisador], a quem apresentei minha ideia. Conversamos com o Daniel [Gonzaga], a fim de conseguir autorização para a obra. Eu queria ter uma ideia dos custos dos direitos autorais. Para a minha surpresa, Daniel não somente autorizou a produção do disco, como também apoiou a ideia, resolveu bancá-la. O álbum será lançado pelo selo da família. O que deu nova força ao projeto. Realizar isso com o aval dele tem outro significado.

Como foi produzido? Quando será lançado?
O álbum foi gravado no Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 19 de agosto. O formato é acústico. Não somente para reduzir custos, mas porque esse é um formato do qual o próprio Gonzaguinha gostava. O último álbum dele já teve esse formato. O projeto Estradas reúne minha voz e dois violões, de Eduardo Holanda e Cainã Cavalcante. A ideia era lançar o álbum nesta terça-feira (22), mas tivemos alguns atrasos. O show de lançamento será no dia 27 de outubro, em Fortaleza. Depois, seguiremos em turnê pelo país.

>> AS DEZ MAIS TOCADAS
Fonte: Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição)
1. O que é, o que é
2. Lindo lago do amor
3. Mamão com mel
4. Maravida
5. Começaria tudo outra vez
6. E vamos à luta
7. Recado
8. É
9. Um homem também chora (guerreiro menino)
10.  Sangrando

>> DISCO PRESENTE (Universal Music, R$ 24,90)

1. O que é o que é? – Participação especial Alexandre Pires
2. Sangrando – Participação especial Ivete Sangalo
3. Espere por mim morena – Participação especial Victor & Leo
4. Não dá mais pra segurar (Explode Coração) – Participação especial Ana Carolina
5. Lindo lago do amor – Participação especial Gilberto Gil
6. E vamos à luta – Participação especial Zeca Pagodinho
7. Grito de alerta – Participação especial Maria Rita
8. Ponto de interrogação – Participação especial Alcione
9. Começaria tudo outra vez – Participação especial Lenine
10. Com a perna no mundo – Participação especial Martinho da Vila
11. Feliz – Participação especial Fagner
12. Recado – Participação especial Luiza Possi
13. Um homem também chora (Guerreiro Menino) – Participação especial Zeca Baleiro
14. A vida do viajante – Luiz Gonzaga e Gonzaguinha - Participação especial Daniel Gonzaga



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