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Artes visuais Obra de Portinari é atração da Caixa Cultural Exposição "Portinari - a construção de uma obra" traz esboços, estudos, desenhos e maquetes do artista

Por: Isabelle Barros

Publicado em: 13/07/2015 10:42 Atualizado em: 13/07/2015 11:23

O esboço "Menino morto" traz o sofrimento do povo brasileiro em seus traços. Crédito: Caixa Cultural/Reprodução
O esboço "Menino morto" traz o sofrimento do povo brasileiro em seus traços. Crédito: Caixa Cultural/Reprodução

Ao pintar as coisas que viu na sua infância em Brodowski, no interior de São Paulo, e mostrar tanto a alegria como o sofrimento do povo brasileiro, o artista plástico Cândido Portinari (1903-1962) ganhou um lugar cativo entre os ícones mais representativos da arte brasileira. A partir de hoje, a exposição Portinari - a construção de uma obra entra em cartaz na Caixa Cultural no Bairro do Recife e deixa entrever um pouco do processo de feitura de sua obra, com esboços, estudos, desenhos e maquetes feitos pelo artista.

A mostra é a terceira só neste ano que traz estudos e esboços realizados por artistas renomados que atuaram no Brasil. A própria Caixa Cultural sedia, até o próximo dia 26, a exposição As cores do sagrado, do argentino naturalizado brasileiro Carybé, e o Instituto Ricardo Brennand traz Brecheret - mulheres de corpo e alma, com material do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret. Esta também é uma rara oportunidade de ver um Portinari fora dos acervos de colecionadores - em levantamento realizado pelo jornal O Globo e resgatado pelo Projeto Portinari, mais de 95% das obras do pintor estão nas mãos de colecionadores.

O espaço expositivo terá cerca de 60 obras realizadas desde os anos 20, quando coemçou sua produção, até sua morte, em 1962. Segundo o curador Luiz Fernando Dannemann, os trabalhos escolhidos trazem o artista nos bastidores de seus momentos de solidão criativa. “Ele teve colaboradores, como Roberto Burle Marx, mas queremos mostrar primordialmente o que vinha à mente de Portinari e como ele trabalhava dentro de seu ateliê. Alguns desses estudos são, inclusive, coloridos ou pintados a óleo. A maioria desses estudos e maquetes foram de sua propriedade até o dia de sua morte. Ele os guardava com muito carinho”.

A infância e as brincadeiras do interior podem ser vistas no trabalho "Pulando carniça", feito em azulejo. Crédito: Caixa Cultural/Reprodução
A infância e as brincadeiras do interior podem ser vistas no trabalho "Pulando carniça", feito em azulejo. Crédito: Caixa Cultural/Reprodução

Nesse material, é possível ver a essência da arte de Portinari: as crianças, os cafezais, os retirantes e os personagens de um Brasil profundo, que ainda existe e pulsa. O público pode ver esboços de figuras que apareceriam posteriormente na obra Guerra e paz e o mural de São Francisco pintado por Portinari na Igreja da Pampulha, com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, em Belo Horizonte (MG). “Para mim, Portinari era mais do que um pintor, era um cronista das desigualdades sociais do país. A exposição também mostra como ele aproveitava cada minuto de trabalho para experimentar. Mesmo nos retratos que ele pintava para sobreviver, ele se aperfeiçoava na pintura dos cafezais, por exemplo”, emenda Luiz Fernando.

Além desses estudos, também estão presentes 11 esculturas do artista plástico mineiro Sérgio Campos, que criou obras a partir da temática e do legado deixado pelo paulista. Um vídeo sobre a vida e a obra de Portinari complementam a mostra.

SAIBA MAIS

+Projeto Portinari
O legado do artista passou a contar, desde 1979, com o Projeto Portinari, iniciativa do seu filho, João Cândido Portinari, começa a existir em 1979, para que a obra do pai não caia no esquecimento. Seus membros estão à frente de exposições, levantamento de obras, catálogos e ações educativas. Embora a exposição da Caixa Cultural não seja organizada diretamente pelo Projeto Portinari, ela tem sua aprovação.

+Guerra e Paz
Os dois paineis, um com cada tema, foram encomendados em 1952 pelo governo Getúlio Vargas como uma doação do Brasil para a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. A obra, após centenas de estudos feitos pelo artista, foi concluída em 1956. Antes de embarcar, esse trabalho foi exposto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Esta é considerado como o ponto alto na carreira do artista e a síntese de sua obra.

+Portinari e seu tempo
Portinari começou a pintar aos 9 anos e, desde o início de sua carreira, apresentou grande consciência social. Isso o levou a criar laços com o Partido Comunista, o que o levou a se candidatar ao Senado por São Paulo, mas perdeu a eleição. Suas posições políticas chegaram a afetar sua carreira. Ele não foi convidado para a inauguração do painel Guerra e Paz, devido à desconfiança dos americanos por conta da Guerra Fria, que colocava capitalistas e comunistas em polos opostos na época.

SERVIÇO

Exposição Portinari - A construção de uma obra
Abertura: Hoje, às 19h30
Onde: Caixa Cultural Recife - Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Visitação: Terça a sábado, das 10h às 20h; domingos, das 10h às 17h
Entrada franca
Informações: 3425-1900

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