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Multiartista Lucas dos Prazeres vive momento produtivo e promissor

Cantor, percussionista e dançarino está envolvido em projetos simultâneos de música, dança contemporânea e televisão

Publicado: 14/06/2015 às 08:03

Vista do Morro da Conceição, onde Lucas cresceu cercado pela cultura popular. Foto: Rafael Martins/

Vista do Morro da Conceição, onde Lucas cresceu cercado pela cultura popular. Foto: Rafael Martins/

 
Passado, presente e futuro alcançam harmonia no trabalho do pernambucano Lucas dos Prazeres. Aos 31 anos de idade, o percussionista vive atualmente um dos momentos mais produtivos e promissores da carreira, com projetos simultâneos nas áreas de música, televisão e dança contemporânea, além de novos planos para os próximos anos. Todos eles têm em comum uma herança das vivências de infância no Morro da Conceição, onde entrou em contato com a cultura popular por influência dos pais e da avó.

Lucas será visto na TV como apresentador e entrevistador do programa Patrimônio vivo: Na estrada sempre, que vai ao ar a partir do dia 7 de julho na Rede Globo. Em novembro, lançará o primeiro DVD da Orquestra dos Prazeres, gravado no Parque Dona Lindu, onde regeu um grupo de 30 percussionistas. Antes disso, estreará um novo show musical, que será seu primeiro trabalho solo (sozinho no palco). Ao mesmo tempo, participa do elenco do espetáculo Abô, do Grupo Grial de Dança, que estreou em maio (ainda sem novas datas programadas).

Conceição dos Prazeres, mãe de Lucas, participou do Balé Popular do Recife no início da década de 1980 e depois fundou companhia Brincando e Dançando. O filho estava sempre por perto e teve acesso privilegiado a essa formação, que foi complementada por uma creche que a avó dele manteve no Morro da Conceição, onde a cultura era o método de ensino: "Aprendi matemática com as divisões rítmicas da música", relembra o artista.

Na adolescência, começou a trajetória de percussionista. Nos últimos 19 anos, participou de shows, turnês e discos de bandas e músicos como Alceu Valença, Naná Vasconcelos, Elba Ramalho, Lula Queiroga, Geraldo Maia e Cordel do Fogo Encantado, além de Marco César, que considera "um pai artístico, grande mestre na arte e na vida".

Solo:
"Solo significa sozinho em cena. É um monólogo. O mote sou eu mesmo", antecipa Lucas dos Pazeres sobre o show que está prestes a começar a ensaiar para seguir em turnê nos próximos meses. "É um triálogo entre a dança, a percussão e o canto", descreve. No palco, calçado com tamancos de madeira, ele vestirá sete figurinos diferentes, como se fossem sete personagens, e tocará instrumentos percussivos divididos em três grupos: peles (ilu, conga, djembê, tocados com as mãos), tambores (tocados com baquetas) e miudezas (sementes, panelas, penico, papeiro, moedas, assadeira e outros objetos caseiros). O repertório é formado por músicas tradicionais, de mestres do coco e do maracatu ou de domínio público, que ele cantava e dançava quando era criança na creche da avó.

Orquestra:
"Não é uma batucada. É percussão orquestrada. Cada naipe tem sua voz. Todas as músicas são peças sinfônicas, são sinfonias", define Lucas ao descrever a Orquestra dos Prazeres, formada por 23 percussionistas, que lançará o primeiro DVD em novembro, mês da consciência negra. O repertório é formado por músicas de Zé Neguinho do Coco, Afoxé Alafin Oyó (composições de Rivaldo Pessoa), Afoxé Oyá Tokolê, toques de terreiro ( de domínio público) e canções de "quatro negões": Jorge Ben (África Brasil), Gilberto Gil (A felicidade guerreira), Djavan (Luanda) e Martinho da Vila (Semba dos ancestrais).

Orquestra dos Prazeres é formada por 23 percussionistas. Foto: Beto Figueiroa/ Divulgação
Grial:
"A dança nunca saiu de mim. Existe toda uma sutileza de movimentos no meu trabalho musical", identifica o multiartista para justificar a naturalidade demonstrada em sua participação no espetáculo Abô, do Grupo Grial de Dança, dirigido por Maria Paula Costa Rêgo, ao lado da dançarina Anne Costa. Ele participou da trilha sonora e da concepção da coreografia a partir de vivências pessoais e pesquisas sobre a cultura afro-brasileira, "sobre a riqueza do candomblé e sobre esses deuses que são guardiões da natureza".

Lucas e a dançarina Anne Costa em cena do espetáculo Abô. Foto: Dani Neves/ Divulgação
TV:
"Ouvir todos esses mestres foi mais do que um aprendizado artístico, foi um aprendizado de vida. É triste perceber que eles não vivem com conforto", avalia Lucas dos Prazeres a respeito da experiência de conduzir, em frente às câmeras, a série de documentários Patrimônio vivo: Na estrada sempre. No programa, ele entrevista 33 artistas que ganharam o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Além de conversar com os mestres, experimenta seus ofícios na prática: "Procurei interagir fisicamente com a arte deles". Entre os entrevistados estão ícones que faleceram recentemente, como Dona Selma do Coco, Mestre Camarão e Juracy Simões do Caboclinho Canindé. A direção é do cantor Lula Queiroga.

Selma do Coco foi entrevistada no programa. Foto: Luni Produções/ Divulgação
Documentário:
Lucas foi um dos 150 brasileiros selecionados para participar do projeto Brasil: DNA África, organizado pela produtora Cine Group em parceria com o laboratório African Ancestry, sediado em Washington (capital dos Estados Unidos). Por meio de um mapeamento genético, ele descobrirá de que região da África são seus ancestrais. Com o resultado, o músico pretende realizar um documentário que mostrará a trajetória da família Prazeres nos últimos 500 anos.

CD:
Em 2016, Lucas dos Prazeres pretende começar a produzir um disco solo de música pop, com a participação de uma "big band". Para este trabalho, ele deve assumir as composições e, pela primeira vez, gravar músicas de sua própria autoria. Cada faixa é dedicada a um diferente gênero musical da cultura pernambucana.

Quarteto:
Já começaram, no estúdio carranca, as gravações do primeiro CD do Quarteto Capibaribe, que tem Lucas dos Prazeres entre os integrantes, ao lado dos músicos Fernando Rangel, Pepê de Carvalho e Marco César.

São João:
No próximo dia 23 de junho (terça), às 21h, na Praça do Arsenal, Lucas dos Prazeres apresenta um show solo na programação de São João do Recife. O repertório, segundo ele, será uma homenagem, "in memorian", aos cantores Selma do Coco e Zé Neguinho do Coco e às extintas bandas Cordel do Fogo Encantado e Mestre Ambrósio. O formato é um resgate de festas que realizava no quintal de sua casa no Morro da Conceição.

Saiba mais:

Gutie é o produtor responsável por Lucas. Foto: Tiago Calazans/ Divulgação
O RETORNO DE GUTIE

Antonio Gutierrez, conhecido como Gutie, que comanda os festivais Rec-Beat (música), Continuum (arte-tecnologia) e Animage (cinema de animação), retoma o trabalho de produção e agenciamento de artistas, atividade que mantinha suspensa desde a parada da banda Cordel do Fogo Encantado em 2010. Para esta retomada, Gutie fechou acordo com DJ Dolores (projeto Banda Sonora), Frevotron e Lucas dos Prazeres. “São artistas talentosos, que admiro muito, e todos com muita disposição para o trabalho”, resume o produtor, que ainda trabalhou com João do Morro e agenciou o grupo Mundo Livre S/A na década de 1990.
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