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Dia de Reis com encontro de cavalo marinho em Pernambuco
Tradição recebeu, em dezembro, o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, concedido pelo Iphan
Publicado: 06/01/2015 às 10:05
Pedro Salu aprendeu a arte com o pai e já passa para João Pedro, de apenas 3 anos. Crédito: Bernardo Dantas/ DP/D.A Press()

Encerrando os festejos do ciclo natalino, os folguedos populares como o cavalo marinho, pastoril e reisado, homenageiam os Três Reis Magos, e unem religiosidade a manifestações culturais, com programações espalhadas pela cidade. Motivada pela tradição, a família Salustiano realizará a 20ª edição do encontro de cavalo marinho, hoje, a partir das 18h, com oito grupos, na Festa de Reis da Casa da Rabeca, em Olinda. Haverá ainda a Queima da Lapinha, às 18h, no Pátio de São Pedro e no Sítio Trindade. Na Praça do Carmo, em Olinda apresentações de pastoril e reisado.
[SAIBAMAIS] O encontro de cavalo marinho foi criado pelo mestre Salú, em 1995. Neste ano, a abertura será marcada por um espetáculo dos descendentes do mestre pernambucano, com muito balanço de ciranda e trupé do coco. A entrada é gratuita e a expectativa é reunir 5 mil pessoas, entre brincantes e espectadores.
O cavalo marinho recebeu, em dezembro, o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ao lado dos maracatus de baque solto e baque virado. "Junto com o posto tem que haver o reconhecimento. Mas nós da cultura popular só temos a agradecer a valorização e o apoio do governo", observa Pedro Salú, 35 anos, um dos 15 herdeiros do mestre Salustiano. A ciranda e o reisado ainda aguardam o aval do Iphan.
O levantamento feito a partir do inventário realizado pela Fundarpe mostrou que há 14 grupos em atividade no estado, com diferentes estilos de brincar do cavalo marinho. "Muda o toque, as toadas e a sequência dos personagens. Cada um tem seu folgazão e folgazan (líder)", explica Pedro. Entre as mudanças observadas, a figura da mulher ganhou destaque no folguedo. Antigamente, elas ficavam às margens da brincadeira, apenas tocavam instrumentos ou no canto. Hoje, conquistaram seu espaço, chegando a dar vida aos personagens importantes.Uma apresentação completa pode ter duração de oito horas seguidas, com mais de 70 personagens em cena. Por causa do tempo, muitas delas precisam ser cortadas. A ideia do produtor é realizar um encontro que vire a madrugada. "Nosso projeto, daqui a dois anos, é amanhecer o dia e registrar em um documentário", adianta. Dos 15 filhos de Mestre Salustiano, 12 estão envolvidos na produção, confecção de figurinos, bordas e rabecas. "Fico até emocionado por ter aprendido tudo com meu pai e poder repassar ao meu filho João, de 3 anos. É como um cordão de ouro, que vai passando por gerações. A semente está plantada", garante.
Programação
Queima da Lapinha - Polo Sítio da Trindade
17h - Pastoris Estrela Guia do Cabo, Estrela Dalva de Santo Amaro, Infantil do Ibura, Angel de Brasília Teimosa, Sol Nascente, Campinas Alegres, Tia Nininha, Estrela Guia do Recife, Aurora Boreal e Reisado Imperial
Queima da Lapinha - Polo Pátio de São Pedro
19h - Pastoril Estrela Brilhante, Lindas Ciganas, Jardim da Alegria, Estrela do mar, Luz do Amanhecer, Tia Marisa, Aurora da Redenção, Giselly Andrade, Idosos Estrela Dalva
Queima da Lapinha e Reisado, na Praça do Carmo, Olinda
19h - Pastoril Estrela de Belém e grupo folclórico Damas e Cavaleiros de Nossa Sra das Neves.
Oficina
Estão abertas as inscrições gratuitas para a oficina Cavalo marinho e o corpo na cena, com a bailarina Tainá Barreto, que será realizada de 16 a 18 de janeiro, das 15 às 18h, no Paço do Frevo (Praça do Arsenal), dentro da programação do 21º Janeiro de Grandes Espetáculos. Inscrições: [email protected]. Informações: 3355-9500.
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