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Levantamento nacional

Mais de 1 milhão de pernambucanos viviam com menos de US$ 2,15 por dia, diz IBGE

Em 2022, Pernambuco era o quinto estado com mais pessoas na extrema pobreza, superado por Maranhão, Acre, Alagoas e Bahia

Publicado em: 06/12/2023 12:28

 (Foto: Pablo Ruan/DP)
Foto: Pablo Ruan/DP
A extrema pobreza diminuiu em Pernambuco, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada nesta quarta-feira (6) pelo IBGE.
 
Os dados foram compilados a partir da comparação entre 2021 e 2022.
 
No ano passado, segundo o instituto, 11,7% da população pernambucana vivia com menos de US$ 2,15 de renda por pessoa, por dia, ou R$ 199 por mês.
 
Esse é o parâmetro proposto pelo Banco Mundial. Isso significa 1,1 milhão  de pessoas nessa situação. 
 
Em 2021, 19,4% dos pernambucanos se encontravam nessa situação.
 
Em 2022, Pernambuco era o quinto estado com mais pessoas na extrema pobreza.
 
O estado foi superado  por Maranhão, Acre, Alagoas e Bahia.
 
Além disso, metade dos pernambucanos (50,7%) do total, estava abaixo da linha da pobreza em 2023.
 
Ou seja, esse percentual da população recebia menos de US$ 6,85 PPC por dia (R$ 635 por mês).
 
Em 2021, o índice era de  a 59,7% das pessoas.

No Recife, são 6,7% dos residentes na extrema pobreza e 36,2% abaixo da linha da pobreza.

A pesquisa estima ainda que, se não houvesse nenhum benefício social, como o Bolsa Família e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), 21,4% dos habitantes de Pernambuco viveriam na extrema pobreza e 56,6% viveriam na pobreza. 

Desigualdade

A desigualdade na distribuição de renda é medida pelo índice de Gini, dado que também faz parte da Síntese de Indicadores Sociais.

Quanto mais perto de 1, maior é a concentração de renda. Em 2022, por exemplo, Pernambuco teve a 10ª  maior concentração de renda do país, de 0,515, abaixo da média nordestina (0,517) e da média brasileira (0,518).

É o melhor resultado da série histórica deste indicador, iniciada em 2012. No ano anterior, o índice havia alcançado 0,579. 

O Recife foi a sexta capital mais desigual do país em 2022, com índice de Gini de 0,556, atrás de João Pessoa (0,568), Fortaleza (0,566), São Paulo (0,564), Natal (0,563) e Belém (0,561). 

Em 2021, a capital pernambucana tinha sido a segunda mais desigual do país. A Síntese de Indicadores Sociais estima que, sem benefícios de programas sociais ou governamentais, o Índice de Gini em Pernambuco e no Recife saltaria para 0,580 e 0,592, respectivamente.

Homens X mulheres

O rendimento médio domiciliar per capita do pernambucano foi de R$ 991, o quarto menor do país.

No recorte por sexo, o rendimento médio do homem em Pernambuco foi de R$ 1029 e o da mulher foi de R$ 955.
 
O  rendimento médio domiciliar per capita das pessoas brancas foi de R$ 1.222, enquanto o das pessoas pretas ou pardas foi de R$ 886.

No cruzamento de dados por sexo e raça, os homens brancos tiveram o maior rendimento, de R$ 1.272, enquanto as mulheres pretas e pardas receberam R$ 848, ou seja, um terço a menos. 

Entre os 40% de pessoas com menores rendimentos, o rendimento domiciliar médio per capita é de R$ 280, o quarto menor do país, atrás do Maranhão, do Acre e de Alagoas.

Já os 10% da população com maiores rendimentos recebem, em média, R$ 4.061. Isso significa que o percentual de população com maiores rendimentos recebe 12,4 vezes mais do que o percentual de população com menores rendimentos.

Moradia

Ainda segundo o IBGE,  mais de um terço dos pernambucanos não têm acesso à rede de esgoto e um quarto não tem acesso à rede geral de distribuição de água.

O levantamento mostrou também  as condições de moradia dos brasileiros.

Em Pernambuco, 70,6% dos imóveis eram próprios e já pagos, e 19,1% eram alugados. No Recife, 62,7% dos imóveis eram próprios e 27,4% alugados.

Sobre o esgotamento sanitário, 36,2% dos pernambucanos vivem em domicílios que não são ligados à rede geral de distribuição e 24,2% dos lares não estão ligados à rede geral de distribuição de água, recorrendo a poços e outras formas de abastecimento.

Além disso, dos sete milhões de pessoas que vivem em domicílio próprio, 18,2% vivem em lares sem documentação de propriedade.

Além disso, das 1 milhão e 850 mil pessoas que vivem em domicílios alugados, 24,1% delas têm ônus excessivo com aluguel, ou seja, gastam 30% ou mais do rendimento domiciliar com esta obrigação.

Educação
 
Três em cada dez pernambucanos de 15 a 29 anos não estudam e nem trabalham

No módulo sobre educação, a Síntese de Indicadores Sociais aponta que a taxa ajustada de frequência líquida dos alunos do ensino fundamental, ou seja, a porcentagem de estudantes que frequentam o nível de ensino previsto para a sua idade é de 93,5%, a terceira mais baixa do país, à frente apenas de Mato Grosso e Roraima.

Já no ensino médio, de 15 a 17 anos, o percentual cai para 68,4%; para o ensino superior, o valor despenca para 21,9%. 

Em Pernambuco, 63,1% dos alunos frequentam a educação infantil pela rede pública e o mesmo ocorre com 78,8% dos alunos do ensino fundamental e 89,5% do ensino médio.

Já no ensino superior a proporção se inverte: 89,5% dos alunos desse nível de ensino estão na rede privada. 

Entre os adultos de 25 anos ou mais, a maior porcentagem deles (31,2%) tem o ensino fundamental incompleto, seguidos pelos que têm ensino médio completo (30,8%).

Apenas 12,8% têm o ensino superior completo e 10,9% não tem nenhuma instrução formal. Os adultos pernambucanos de 18 a 29 anos completaram, em média, 11,2 anos de estudo.

O IBGE também detalhou a correlação entre educação e mercado de trabalho para os jovens pernambucanos em 2022. 

Dos mais de 2,2 milhões habitantes do estado entre 15 a 29 anos de idade, 26,4% só estudavam, 8,6% estudavam e estavam ocupados, 35,2% só estavam ocupados e 29,7% não estudavam e não estavam ocupados. 

Na faixa etária de 15 a 17 anos, 10% dos adolescentes disseram não estudar e nem ter uma ocupação.

O número subiu para 34,3% no grupo entre 18 a 24 anos e se estabilizou em 35,1% para a faixa de 25 a 29 anos. 

Entre os 661 mil jovens de 15 a 29 anos que não estudavam e nem trabalhavam, 37,7% estavam na força de trabalho como população desocupada e 62,5% estavam fora da força de trabalho, ou seja, não trabalhavam e não estavam procurando emprego.

Mercado de trabalho

O IBGE disse, ainda, que Pernambuco tem mais trabalhadores por conta própria do que com carteira assinada

Entre as mais de três milhões de pessoas de 14 anos ou mais ocupadas em 2022, o maior percentual – 32,1% do total - trabalhava por conta própria, enquanto 30,1% eram empregados com carteira de trabalho assinada.

Além disso, 20,1% dos empregados não tinham carteira assinada e apenas 2,9% dos pernambucanos eram empregadores. 

O rendimento médio de todos os trabalhos em 2021 no estado foi de R$ 1.813, e os trabalhadores receberam, em média, R$ 11 a hora, enquanto, no Brasil, a média é de R$ 15,9 a hora. 

Quanto aos rendimentos dos trabalhadores, em Pernambuco, os formais recebem, em média, R$ 2.539 por mês, enquanto os informais ganham R$ 1.109.

A taxa de informalidade entre a população ocupada é de 55,1%.

O tempo de procura de trabalho para a população desocupada foi outro fator mensurado na Síntese de Indicadores Sociais. 

Em 2022, 47,6% desses trabalhadores procuravam ocupação há menos de um ano e 12,7% entre um ano e dois anos. 

Entre os desempregados, 39,7%, procuravam recolocação há dois anos ou mais.
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