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MORADIA

Região Metropolitana do Recife coleciona risco em habitações

Publicado: 07/07/2023 às 19:47

/Foto: Sandy James

/Foto: Sandy James


A tragédia desta sexta-feira (7) aconteceu quase três meses após as seis mortes do Edifício Leme, que caiu em Olinda, renovando o debate sobre os perigos dos prédios tipo "caixão" em Pernambuco, boa parte deles já condenados, mas ocupados ilegalmente.

A ocupação de prédios interditados por risco de desabamento se tornou uma realidade presente há mais de 20 anos na Região Metropolitana do Recife. No dia 27 de abril deste ano, o Edifício Leme, localizado em Jardim Atlântico, Olinda, desabou, deixando seis pessoas mortas e cinco feridas. O prédio estava interditado desde 2000, segundo a prefeitura de Olinda. Desde então o tema tem virado pauta de discussões no estado sobre as moradias condenadas e o risco de suas ocupações irregulares. Somente na Região Metropolitana do Recife são cerca de 5,3 mil prédios do tipo caixão. Sendo 2,3 mil somente no Recife. Aproximadamente 4,7 mil apresentam riscos entre leves e graves. 340 prédios do Grande Recife apresentam problemas graves, desses, 110 estão localizados no município de Olinda.  Logo após a tragédia do Leme, Olinda deu início a demolição desses locais. 

A Prefeitura de Paulista precisará apresentar a relação de todos os imóveis interditados ou diagnosticados com risco de desabamento no município, num prazo de 15 dias. O Ministério Público de Pernambuco, emitiu uma nota em que afirma “a interdição do referido imóvel, assim como sua reocupação, nunca foram comunicada ao órgão, tal como aconteceu com os edifícios Zoe e Montecarlo também na cidade de Paulista.” Eles ainda afirmam que para evitar possíveis novas tragédias, foi instaurado um processo administrativo. 

“Esse procedimento tem como objetivo apurar a existência de outros edifícios em situações semelhantes, fazendo levantamento de prédios interditados na cidade de Paulista, ou que precisem ser, buscando adoção das medidas pertinentes para desocupação e/ou demolição, garantindo assim a segurança da população”, complementou.

Na última quinta-feira (29), uma audiência pública sobre o assunto, foi requerida pela deputada estadual, Rosa Amorim (PT), que aconteceu na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A assembleia foi concluída com uma série de encaminhamentos. O de formalizar uma comissão entre as secretarias das prefeituras para articular com a Caixa Econômica Federal a resolução dos pagamentos; o de cobrar os planos municipais de habitação; saber da estrutura que é destinada pelas prefeituras para a Defesa Civil para fazer o trabalho de orientação; cobrar política de assistência social e jurídica para o mapeamento e acolhimento dos ocupantes e mutuários em situação de vulnerabilidade; o de construir um espaço para o plano estadual de habitação; e por fim, aprofundar o debate com os órgãos competentes a cobrança das indenizações dos mutuários.

DESABAMENTOS  

Em maio de 1997, moradores do Edifício Aquarela, no bairro de Piedade, Jaboatão dos Guararapes, foram surpreendidos quando parte do prédio afundou. Todos os 16 apartamentos foram desocupados e não houve vítimas. A estrutura foi condenada e o edifício precisou ser demolido.

Em novembro de 1999, quatro dos oito apartamentos do Edifício Éricka, no bairro de Jardim Fragoso, em Olinda, desabaram. Quatro pessoas morreram. A estrutura que restou foi condenada pela Defesa Civil. Dois dias depois da tragédia, começou a demolição do restante do imóvel. Um mês depois, outro desabamento aconteceu em Jardim Fragoso. Dessa vez, o Bloco B do conjunto Enseada de Serrambi. 17 pessoas estavam no edifício. Seis morreram.

Em junho de 2001, metade do edifício Ijuí desmoronou, em Piedade, Jaboatão. Os moradores não foram atingidos porque abandonaram o local quando ouviram estalos. Em outubro de 2004, também em Piedade, outro edifício, o Areia Branca, veio abaixo, culminando na morte de quatro pessoas. Horas antes do desabamento, moradores relataram ter ouvido estalos e saído do prédio.

No mês de agosto de 2014, o Edifício Emílio Santos desabou parcialmente. O prédio ficava no bairro de Boa Viagem, no Recife. Ninguém se feriu. O edifício havia sido condenado pela Defesa Civil e desocupado no ano anterior.

Em agosto de 2017, no bairro de Jardim Fragoso, em Olinda, ocorreu mais um desabamento. Parte do Edifício Agave veio abaixo. A estrutura do prédio ficou inclinada. Na época, a Defesa Civil da cidade encaminhou um pedido de demolição emergencial do imóvel para a Procuradoria-Geral do município. Nada foi feito. Duas semanas depois, outra parte do edifício desabou, mas ninguém se feriu.

Em dezembro de 2020, no bairro do Janga, em Paulista, parte de um edifício tipo ''caixão'' desabou sem deixar vítimas. O prédio havia sido interditado dias antes.

Em junho de 2022, um susto na Iputinga. Parte de um prédio abandonado de três andares desabou. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento. Ninguém ficou ferido.
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