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TRADIÇÃO

Celebração da Champanhota relembra tradicionais comemorações do Recife

Publicado em: 04/01/2022 10:56 | Atualizado em: 04/01/2022 11:12

 (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal
O ano de 2022 foi iniciado com a realização da tradicional Champanhota. Celebrado no primeiro dia de janeiro, o encontro acontece no Bar do 28, localizado no Recife Antigo, e reúne amigos, familiares e frequentadores do espaço para comemorar o novo período que se inicia. Com o objetivo de refletir os acontecimentos da temporada que se encerrou, o evento completa 24 anos e rememora o início da festividade. 

“A Champanhota começou de maneira muito casual. No final dos anos de 1990, comecei a sair de casa com várias garrafas de champanhe no primeiro dia de janeiro, e levava a minha namorada para o Bar do 28. Eu sentava em uma mesa, na época o fundador do bar ainda estava vivo, e ficava bebendo champanhe com ele e outras pessoas. Alguns anos depois, começamos a fazer disso uma tradição”, conta o engenheiro civil, Ney Wanderley Gonçalves.

Com a movimentação do Centro do Recife e a presença dos antigos clientes, a Champanhota passou a reunir familiares e amigos, que se encontravam em frente ao bar no primeiro dia do ano. 

“Eu vinha pouco aqui na época em que o meu pai ainda era vivo. Os clientes mais antigos chegavam cedo, tomavam whisky e depois iam embora. Minha mãe trazia as sobras das comidas que eram feitas no Réveillon e usavam de tira gosto. Meu pai sempre vendeu miniaturas de champanhe e oferecia aos clientes, foi quando Ney começou a perpetuar essa tradição. Desde então, o pessoal chega pela manhã e só sai a noite”, relembra Henrique Cândido, dono do bar. 

“Depois de um tempo as pessoas começaram a perceber essa movimentação. Então entendemos que precisávamos de um mote, porque sempre vinha aquela reflexão: 'estamos aqui reunidos para pensar no ano que acabou, o que foi que fizemos, o que deixamos de fazer, o que nos frustrou e o que foi que deu certo’. A ideia de se reunir também era para fazer uma reflexão”, revela Ney.

A Champanhota tem uma outra exigência: não pode haver música. “Se tiver música a gente não conversa”, afirma o engenheiro.  

Os encontros também acompanhavam as mudanças que aconteciam no centro da capital pernambucana. 

“Quando tudo começou não tinha ainda o Marco Zero como ele é hoje. O centro era muito deserto nessa época. Onde hoje temos bares e espaços de artesanato, na época que a Champanhota começou eram apenas armazéns abandonados”, explica o geógrafo Sérgio Oliveira.

Apesar da mudança do espaço físico, há uma preocupação por parte dos frequentadores antigos: o fim da tradição e do reconhecimento da importância do encontro. 

“Infelizmente muitas pessoas que frequentavam o Bar do 28 já faleceram. Eram nomes importantes do cenário político do estado, além de intelectuais, poetas e escritores. Eles vinham aqui para fazer uma festa no dia 1°. A Champanhota já foi festa de ocupar calçadas e ruas inteiras. Hoje eu trago meus filhos, netos e bisnetos e espero que outras pessoas compareçam também. Eu convido todo mundo que goste de uma boa conversa a frequentar o Bar do 28. Quem também gosta de beber whisky, esse é o lugar ideal. Aqui você senta em uma mesa e, mesmo que não conheça ninguém, a conversa acontece. Se você gosta de falar sobre política, futebol ou qualquer outra coisa, esse é o lugar”, convida Ney Wanderley Gonçalves.
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