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OUTUBRO ROSA

Autocuidado e valorização do corpo com importância significativa neste Outubro Rosa

Publicado em: 11/10/2021 07:15 | Atualizado em: 10/10/2021 08:34

 (Foto: Paulo Paiva/DP Foto)
Foto: Paulo Paiva/DP Foto
O período da pandemia que o Brasil ainda está vivendo não deixou de lado os outros problemas de saúde, como câncer de mama, por exemplo, que está sendo muito relembrado neste mês, quando se comemora o Outubro Rosa. Podendo ser manifestado em várias formas morfológicas, assinaturas genéticas e consequentes diferenças nas respostas terapêuticas, com espectro de anormalidade proliferativa nos lóbulos, a pandemia da Covid-19 gerou uma queda de 84% do número de mamografias feitas no Brasil, em comparação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

Sendo o câncer que mais acomete mulheres de todas as regiões brasileiras, depois do câncer de pele não melanoma, é estimado que ocorram 66.280 novos casos do câncer de mama em 2021, segundo o Instituto Nacional de Câncer.

Frequentemente associado às mulheres, é importante salientar que ele também atinge a população transgênero. Mesmo o risco geral do câncer sendo baixo em pessoas trans, principalmente após a mastectomia, é importante seguir exames clínicos anuais a partir dos 50 anos. Em caso de alto risco da doença, os exames devem ser feitos anualmente a partir dos 30 anos, como recomenda a American Cancer Society. Também é preciso haver ações de incentivo e conscientização para a população transgênero sobre prevenção e tratamento do câncer de mama pelo SUS e sistema privado. 

A radiologista e diretora médica do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila, Mirela Ávila, explica que o câncer de mama vem na sociedade com um tabu relacionado à sentença de morte. "A verdade é que ele é altamente curável quando detectado precocemente. Quando ele é localizado em dimensões menores, não têm disseminação para o corpo, a possibilidade de cura é de mais de 90%. É uma doença extremamente curável, mas relacionável à fase de descoberta, por isso se fala em diagnóstico precoce”, aponta.

Prevenção 
De acordo com a médica, as mulheres que não têm fatores de risco devem iniciar os exames de mamografia anual a partir dos 40 anos. "Existe também o grupo de alto risco, que tem fatores que fazem com que ela possa desenvolver o câncer, como histórico familiar em parentes de primeiro grau, seja por parte de pai e mãe, principalmente quando são mulheres mais jovens na família que desenvolveram a doença. Outras situações são a realização de tratamento do tórax antes dos 30 anos de idade, como tratamento de linfoma que atinge a região e precisa ser radiado. A mulher não está livre da doença sem o histórico familiar. Nesse contexto, 90% dos diagnósticos são em mulheres que não têm histórico nenhum, e 10% em quem tem", relata a médica. 
Para ela, as mulheres jovens devem procurar um especialista por volta dos 20/25 anos para fazer avaliações periódicas. "O médico vai dizer em que grupo você está e que rastreamento deve fazer". 

Tipos de exame
Os três principais exames para detectar e acompanhar o câncer de mama são: mamografia, ressonância magnética e ultrassonografia. A radiologista deu algumas dicas de quando fazer qual exame, como a mamografia, que não deve ser realizada antes dos 30, "só em casos excepcionais", alerta. "A mamografia tem que ser usada com cuidado porque a radiação em excesso pode trazer malefícios e danos. Ela é baixa, mas como se faz uma mamografia completa nas duas mamas, a dose de radiação recebida no final equivale a três dias de radiação natural. A mamografia geralmente é feita na mulher de risco usual a partir dos 40 anos. A ultrassonografia não tem radiação, é um contexto mais amplo, é mais acessível e disponível em vários locais, mas ela tem que ser de boa qualidade na mama, não é um exame fácil. Não adianta fazer exame para não ter resultado que não seja eficaz. Já a ressonância é um exame muito mais limitado porque só funciona com contraste intravenoso. É feita no tubo, muitas pessoas têm fobia e precisam fazer uma anestesia geral para fazer o exame sedado. Existem várias limitantes nesse contexto, além de que quem tem marcapasso não pode se submeter, quem tem algum metal no corpo não pode fazer, além de ser um exame extremamente caro", disse. 

Diagnóstico
Mirela Ávila ressalta que todo laudo de mamografia vem com o nome 'Bi-rads', que tem uma categorização e é utilizado como regra em todo o mundo. "Ele nos orienta a escrever e categorizar um achado para entender se é suspeito de câncer ou já diagnosticado. Ele é acompanhado de números, no zero é inconclusivo, precisa de um exame adicional, já no seis, que é o máximo, é o câncer já diagnosticado. Os chamados mamográficos benignos são o Bi-rads 2, uma mamografia que mostrou alterações benignas sem necessidade de evoluir na investigação”.

“Quando vai para o Bi-rads 3 é provavelmente benigno e as mulheres são orientadas a ficar acompanhando de perto, com exames num período mais curto, mas precisam de biópsia, porque o achado pode ser suspeito ou estar no grupo de alto risco, que é o Bi-rads 4 e 5. Receber um diagnóstico desse não quer dizer que você tem câncer, quer dizer que precisa de uma biópsia e uma investigação que vai ser orientada por um mastologista. Pedir biópsia não é diagnóstico taxativo de câncer de forma alguma, assim como complemento de mamografia, só quer dizer que a gente precisa de umas confirmações para fechar o laudo", afirma. 

Pandemia 
A pandemia fez com que o rastreamento do câncer de mama fosse pausado e diminuído, sendo feitos apenas exames emergenciais e eletivos com pacientes patológicos. "A maioria das pessoas ficou isolada e não teve rastreamento. Foram 800 mil mamografias que deixaram de ser feitas no Brasil e quase quatro mil casos de câncer não realizados, mas eles estão lá, a pandemia não fez com que a gente tivesse menos câncer", disse a diretora do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila.

"Esse Outubro Rosa é mais do que precisar falar sobre o câncer de mama, que já está na nossa caixa de memória. Precisamos voltar a viver, é tempo de viver e buscar saúde. Vamos tentar suavizar essa carga tão grande que a gente já tem da Covid-19 com tantas perdas e não ter medo de se cuidar, valorizar o cuidado com o nosso corpo. A mulher teve demandas mais acentuadas na rotina, seja com cuidado com filhos em aula online, trabalhando duplamente, se expondo e com medo de se expor, com cuidados extremos com pais, filhos e familiares, e deixaram de se observar. Esse é o momento de cuidar da saúde, da mente, sem medo. A gente já passou por tanta coisa e estamos aqui para enfrentar o que vier pela frente com força, saúde e muita fé. O tempo de viver é hoje", disse. 
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