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TRUCULÊNCIA POLICIAL

'Determinei a imediata paralisação', diz secretário sobre ação policial em manifestação

Publicado em: 03/06/2021 18:36 | Atualizado em: 03/06/2021 19:09

 (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução
Nesta quinta-feira (3) o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antônio de Pádua, concedeu uma entrevista sobre a truculência do Batalhão de Choque da Polícia Militar contra manifestantes que realizavam um ato contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último dia 29, em uma ação que terminou com duas vítimas feridas no olho após tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogênio. Na ocasião, a do vereadora do Recife, Liana Cirne (PT), foi atacada por um policial com spray de pimenta no rosto. 
 
Até o momento, segundo Pádua, o policial que atirou no olho de Daniel, vítima atingida na Ponte Princesa Isabel, foi identificado e está sofrendo processo disciplinar. Os comandantes da operação, assim como os quatro policiais envolvidos no ataque de spray de pimenta à vereadora Liana Cirne. 

Após se solidarizar às vítimas e afirmar que o caso está sob investigação, Antônio de Pádua afirmou à Rede Globo que a hipótese de investigação mais forte no momento aponta que a ordem da ação teria partido de policiais que estavam em campo, na rua, durante a manifestação, sob alegações de que os oficiais da polícia teriam, supostamente, sido atacados por manifestantes. 

“Existe aí, de acordo com as informações colhidas, uma hipótese levantada pelo próprio comandante operacional é de que essa ordem teria partido diretamente do campo, em razão de, supostamente, ter sido agredido o policiamento. Mas isso são suposições que precisam ser confirmadas por imagens, por provas. Somente depoimento e hipótese não é suficiente para indicar efetivamente o porque do início dessa ação contundente do Choque. Nós continuaremos fazendo a investigação, não fugiremos do nosso compromisso com a verdade para que todas as pessoas responsáveis pelo ato sejam identificadas e responsabilizadas”, disse o secretário. 

Pádua afirmou, ao ser perguntado se há insubordinação na polícia, que a PM tem protocolos próprios de atuação, reafirmando que a presença da polícia em manifestações é normal, mas não autoriza, por si só, que as forças de segurança ajam de forma violenta contra a população. 

“O policial oficial da operação tem uma certa autonomia de decisão em razão de uma necessidade urgente, preemente. Mas ele tem que se basear nos princípios da legalidade, da necessidade e da proporcionalidade. Todos os excessos precisam ser avaliados. A gente não pode fazer essa avaliação, esse julgamento já de imediato, mas tudo mostra que houve uma desproporcionalidade na reação ou na ação. Isso vai ficar provado depois da investigação, então os protocolos, se por acaso estiverem errados, já existe um procedimento instaurado, determinado por nós aqui na SDS, para que seja feita a avaliação se esses protocolos não estão equivocados, se não precisa de um nível hierárquico superior  para que seja dada essa ordem, mesmo numa situação emergencial, que até então nós não tivemos nenhuma imagem confirmando ou ‘desconfirmando’ essa necessidade”.

Ele também alegou ter sabido da operação policial somente após ter concedido uma entrevista ao vivo sobre a situação das praias, realizada na central de monitoramento da Secretaria de Defesa Social (SDS), durante a ação do Batalhão de Choque. De acordo com o secretário, “poucos minutos” após saber do que estava acontecendo no centro da cidade, ele mesmo deu ordem para que a ação parasse imediatamente. 

“Iniciamos a entrevista sobre as praias que estavam sendo mostradas no telão (...) Quando acabou essa entrevista com a repórter foi que eu tive a oportunidade de receber todas as informações e aí sim, assim que eu recebi todas as informações depois da entrevista, que tive a dimensão da situação, determinei a imediata paralisação, o encerramento daquela ação da Polícia Militar no centro da cidade”, disse Antônio de Pádua. 

Questionado se a sua permanência no cargo e coordenação das investigações, mesmo tendo tomado decisões relativas à ação policial no dia da manifestação, não poderia atrapalhar o andamento dos inquéritos, o secretário se limitou a repetir que até o momento já foram instaurados inquéritos, realizada a identificação e afastamento de policiais envolvidos, declarando em seguida que a Corregedoria da Polícia Militar tem autonomia para conduzir as investigações. 

Antônio de Pádua também reforçou que, ao contrário do que se viu, com policiais impedindo as pessoas de socorrer vítimas, a polícia tem o dever de prestar socorro a eventuais feridos. Diante disso, o secretário alega que “em determinado momento, no final, é que a gente precisa entender e, mais ainda, nós não nos furtaremos de fazer a investigação até o final, de quem serão os responsáveis”, alegou o secretário.
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