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ESTUDO CIENTÍFICO

"Não é possível se contaminar com o Coronavírus através dos esgotos sanitários", aponta pesquisa da UFPE

Publicado em: 27/05/2021 12:52 | Atualizado em: 27/05/2021 13:46

 (Ascom UFPE/Divulgação)
Ascom UFPE/Divulgação
Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) encontraram a carga genética da Covid-19 inativa em amostras de esgoto coletadas no Recife, durante quatro meses de pesquisa. A equipe verificou que a variação do material genético do coronavírus acompanhou a curva epidemiológica da doença na Capital pernambucana. Segundo os resultados do estudo, não é possível se contaminar com a Covid-19 através dos esgotos sanitários.

“Esse acompanhamento da presença do genoma viral pode fornecer informação sobre a prevalência da Covid-19 na população da área pesquisada, incluindo os assintomáticos e subnotificados pelo sistema de saúde, ou seja, seu foco é a coletividade”, explica a pesquisadora Lourdinha Florêncio, que é uma das coordenadoras do projeto vinculado ao Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UFPE.

O monitoramento, que ocorreu de maio a agosto do ano passado, apontou a relação entre o volume de carga viral encontrado nos esgotos e os registros de pessoas contaminadas pela Covid-19. “A quantidade do vírus nos esgotos aumentava quando os casos da doença na cidade subiam, e diminuía quando decresciam os índices de pessoas infectadas”, explica.

Segundo a pesquisa, a detecção do micro-organismo nas redes de esgoto ocorre porque o vírus é expelido pelas fezes dos infectados (sintomáticos e assintomáticos), atingindo essas vias desde o início da infecção. O estudo destaca que ainda não foi encontrado o novo coronavírus viável nas amostras coletadas, provavelmente porque essas águas também contêm detergentes e outros produtos químicos que inativam o vírus.

“Isso é uma boa notícia, pois, pelo menos até agora, as pesquisas mostram que não é possível se contaminar com o coronavírus através dos esgotos sanitários; nós estamos medindo o esgoto bruto mesmo, na entrada, antes que siga para o tratamento, que é o pior cenário. Mesmo assim, o vírus já não estava mais vivo. Até agora, nenhum país encontrou o vírus vivo em sua rede de esgoto. Pode ser que isso mude com as novas cepas, mas isso precisa ser investigado para eventual confirmação”, ressalta a coordenadora do projeto.

O projeto “Covid-19 em resíduos: diagnóstico e medidas de proteção”, foi realizado no Laboratório de Saneamento Ambiental (LSA), e é mais uma ferramenta de controle de micro-organismos. “Em estudos no início de 2020 na Holanda e Espanha, foi encontrado traço genético (RNA) do novo coronavírus (Sars-CoV2) nos esgotos, mesmo antes da detecção de casos clínicos da Covid-19”, explica Lourdinha Florêncio.

Mais segurança
Segundo a pesquisadora, o estudo pode ajudar o Governo a mapear bairros ou áreas mais afetadas pelo vírus, de modo coletivo, sem a necessidade de sempre fazer a testagem individual. “Dessa forma, o projeto visa ajudar o Estado a desenvolver previamente ações de políticas públicas de enfrentamento ao novo coronavírus nas áreas mais afetadas, como fechamento de comércios locais, instauração de lockdown ou toque de recolher e, até mesmo, vacinação mais cedo dos moradores dessas regiões, antes que muitas pessoas adoeçam efetivamente”.

Dentro desse contexto e em resposta ao edital da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PROPESQI) nº 06/2020 da UFPE, com o objetivo de dar apoio institucional para ações de diagnóstico e prevenção da Covid-19, o Grupo de Saneamento Ambiental da Universidade monitorou a presença do genoma do Sars-CoV-2 não apenas nos esgotos sanitários, mas também das águas de drenagem urbana.

“Pois estão contaminadas pelos esgotos, uma vez que ainda é baixo o nível de atendimento de sistemas públicos de esgotamento e tratamento no Recife. As amostras foram coletadas semanalmente, em três estações de tratamento de esgotos, um hospital e oito canais de drenagem urbana”.

Os pesquisadores ressaltaram, entretanto, que a vigilância epidemiológica nos esgotos não se destina a substituir os testes realizados nos infectados pelo sistema de saúde. “Funciona como um alerta precoce, pois é possível acompanhar a evolução e o surgimento de novos focos nos bairros da cidade e em locais de grande circulação da população, como nas rodoviárias, aeroportos, mercados públicos, universidades, hospitais entre outros”.
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