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Índice de lixo doméstico é crescente na pandemia, indica Abrelpe

Publicado em: 30/04/2021 16:43

 (Ricardo Fernandes/Arquivo DP)
Ricardo Fernandes/Arquivo DP
Com o isolamento social imposto pelas autoridades para controle da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e a prática do trabalho em casa, o volume de lixo produzido nas residências aumentou e o assunto foi para o centro das discussões sobre sustentabilidade em 2020 e continua em destaque. A geração de resíduo domiciliar cresceu em mais de 10% e deve chegar a aproximadamente 25% ou mais, segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

A engenheira ambiental da Locar Gestão de Resíduos, Carolina Buarque, observa que o volume de lixo mudou de localização, o que antes estava predominante em bairros comerciais, agora está em bairros residenciais. “O problema é que as pessoas não separam o lixo como deveriam, sobretudo na pandemia. Misturam o orgânico com o inorgânico, colocam materiais contaminados no lixo comum. E se, quem tiver contato com esse material, não estiver bem preparado, pode se contaminar”, diz.

Diante das mudanças geradas pela pandemia, pode-se observar o crescimento do volume de resíduos recicláveis devido ao maior número de compras em delivery, muitas vezes pela internet. “O lixo que está sendo gerado nas casas é muito mais reciclável do que orgânico, fruto das compras online que chegam em caixas, papel, plásticos”, acredita Carolina.

O consumo desenfreado e o descarte inadequado
A alta demanda por produtos que utilizam de matéria-prima proveniente do meio ambiente ocorre em escala cada vez maior, devido ao alto nível de produtividade e consumo, principalmente durante a pandemia. A sociedade moderna conforta-se em consumir, sejam eletrodomésticos que tornam o cotidiano mais prático ou em algo só para satisfazer o desejo, não por necessidade. Com isso, um grave problema ambiental é gerado decorrente dos hábitos da população em relação ao consumismo desenfreado e a geração de resíduos com descarte inadequado.

Ao longo dos anos, o efeito negativo do despojo incorreto de lixo resultou em doenças e prejuízos expressivos no âmbito ecológico e social. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece que a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos deve ser compartilhada para que haja a disposição final adequada.

De acordo com dados da Abrelpe, apesar da possibilidade de se reciclar 30% de todo o lixo produzido no país, a taxa de reaproveitamento desses insumos chega a 3% desse total. Com isso, o país tende a perder dinheiro com o descarte incorreto de lixo, pois deixa de aproveitar oportunidades de grande viabilidade econômica.

Como separar o lixo da forma correta
O descarte correto dos resíduos começa com a separação do que é reutilizável, reciclável, lixo comum e resíduo tóxico. O ideal é que papel, alumínio, plástico, vidro e orgânicos sejam separados devidamente nas residências. Os lixos orgânicos podem ser reciclados através da compostagem ou encaminhados para aterros em sacolas biodegradáveis; já os recicláveis devem ser higienizados, embalados e destinados ao local correto.

O plástico é o maior vilão da sustentabilidade e do meio ambiente. Ele pode ser encontrado facilmente na maioria dos produtos. Diante disso, exige mais atenção, pois resiste por mais de 100 anos na natureza. Seu descarte incorreto pode causar grandes prejuízos à natureza como, por exemplo, enchentes e liberação de gases nocivos na atmosfera. Além disso, pilhas, baterias e outros equipamentos compostos por elementos químicos, quando descartados de forma incorreta, podem causar grande contaminação no solo. Dessa forma, tais objetos precisam ser levados aos centros de coleta apropriados.

Carolina esclarece que “a coleta seletiva pode continuar acontecendo mesmo na pandemia – uma vez que sejam utilizados EPIs e tomados os cuidados necessários para diminuir os riscos de contato com vírus”.
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