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EDUCAÇÃO

Estudantes de medicina da UPE questionam convênio com instituição privada e processo de vacinação

Publicado em: 09/04/2021 19:51 | Atualizado em: 09/04/2021 21:32

Reunião de alunos de Medicina com o reitor da UPE, Pedro Falcão, na manhã desta sexta-feira (9). (UPE/Divulgação)
Reunião de alunos de Medicina com o reitor da UPE, Pedro Falcão, na manhã desta sexta-feira (9). (UPE/Divulgação)
Um grupo de estudantes do curso de medicina da Universidade de Pernambuco (UPE) procurou o Diario para denunciar a presença supostamente excessiva de alunos de instituições privadas no Complexo Hospitalar da  instituição, destinada a atividades práticas e de estágios dos discentes. De acordo com os acadêmicos, teria havido redução das vagas para alunos da UPE devido à presença de estudantes de outras instituições de ensino.

A UPE esclareceu que pode disponibilizar campos de práticas e estágios para alunos de faculdades nacionais e internacionais que tenham reconhecimento legal, mas ressaltou que a prioridade é dos estudantes de graduação da Universidade. 

Para o universitário Luís Santino, 23 anos, do terceiro período do ciclo básico do curso, que representa os alunos da UPE, há um desequilíbrio na oferta das vagas. “Nós temos algumas portarias estaduais que dão preferência para os estudantes de instituições públicas nos espaços de práticas de hospitais públicos. Alunos da UPE e da UFPE, que são universidades públicas daqui, têm prioridade”, relata. Ele cita como exemplos o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), o Centro Integrado de Saúde (Cisam) e o Pronto-Socorro Cardiológico (Procape), que integram o Complexo Hospitalar da UPE.

Santino acredita que os alunos das faculdades privadas passaram a frequentar irregularmente os espaços da UPE. “Eles começaram a ocupar esses espaços informalmente, por meio de professores que ensinam em instituições privadas e nas públicas, por exemplo”. A denúncia, que circula nas mídias sociais desde a manhã da quinta-feira, cita o Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau). Na avaliação do estudante, a presença de alunos de outras instituições prejudica o processo educativo. “Nós temos leitos (de estudo) que deveriam ter presença de cinco alunos, mas têm 12. Isso prejudica a formação médica”, opina.

Em nota, a UPE explicou que recebeu uma solicitação do Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau), protocolada na última quarta-feira (7), para a celebração de um convênio envolvendo práticas e estágios (internato) de seus discentes no Complexo Hospitalar da UPE. Segundo a universidade, o pedido seguirá os trâmites institucionais previstos na Resolução 034/2016, que informa que a UPE pode disponibilizar campos de práticas e estágios para discentes de outras faculdades.

“Havendo disponibilidade de vagas externas, deverá ser obedecida a seguinte ordem de prioridade: instituições de ensino públicas, instituições confessionais, instituições de ensino privadas sem fins lucrativos e instituições de ensino privadas”, diz o texto.

Também em nota, a Uninassau esclareceu que a parceria se dá através da Resolução anteriormente citada que “permite, em caso de vagas remanescentes não ocupadas por alunos da UPE nos campos de estágios, que discentes de outras instituições conveniadas ocupem tais vagas” e confirmou o interesse em firmar parceria com a Universidade, com o objetivo de “cumprir seu papel de formar profissionais de alto padrão de qualidade”. Até o momento, nenhum convênio com a Uninassau foi formalizado.

O grupo de estudantes se reuniu com a reitoria da UPE, nesta sexta-feira (9) e pediu transparência na divulgação da oferta de vagas disponíveis e investigação de irregularidades surgidas no processo.


Vacinação dos estudantes da UPE
Além da preocupação com a redução do campo de práticas e estágios, os graduandos de medicina da UPE questionam a Universidade sobre o processo de vacinação contra a Covid-19 para os estudantes que tem vínculos nos serviços do Complexo Hospitalar. “A gente está com uma pequena taxa de vacinação, enquanto nas instituições privadas há uma taxa maior. Até pela natureza da faculdade privada, pois se não houver aula, não há fonte de renda. Como nós não estávamos vacinados, não temos  como ocupar certos setores da prática, que ficam vagos”, alega Luís Santino.

Segundo a reitoria da UPE, os alunos com estágios e práticas oficializadas e confirmadas no Complexo Hospitalar estão recebendo declarações de vínculo para que possam tentar agendar vacinação pelo aplicativo Conecta Recife. Para o representante do grupo de medicina, a medida não é eficaz. “Parte dos alunos conseguiu se vacinar e outra não. Há setores que não emitem a declaração”, diz Santino.

A Secretaria de Saúde do Recife esclareceu que podem se vacinar “estudantes da saúde que atuam na linha de frente da Covid-19, nas UTIs e enfermarias de Covid, ou em hospitais públicos, filantrópicos e privados.”

Segundo a UPE, devido à pandemia os estágios no Complexo Hospitalar continuarão apenas para os alunos da cursos de graduação de medicina, enfermagem, odontologia, ciências biológicas, fisioterapia e nutrição, que integrem o corpo discente da universidade. A previsão é que em junho seja feita uma reavaliação da situação.

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