UFRPE manifesta apoio a docente intimada a depor em inquérito de outdoor com críticas ao Governo Federal
Publicado: 10/03/2021 às 11:36
/Foto: Cortesia
A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) emitiu uma nota manifestando apoio à professora Erika Suruagy, que foi intimada junto à Polícia Federal a partir de inquérito criminal aberto para apurar a colocação de outdoors, em 2020, com críticas ao Governo Federal.
Em comunicado feito pela instituição, a Universidade declarou que "Reafirma-se o direito legítimo a manifestações públicas, sejam de origem do movimento sindical ou de qualquer outra, ressaltando-se o caráter inconstitucional e inadmissível da censura", anunciou.
A professora Erika Suruagy também se manifestou e afirmou que "É um absurdo o presidente solicitar abertura de inquérito à Polícia Federal, diante de uma manifestação legítima, respaldada na Constituição, que é a liberdade de expressão. Na época dos outdoors, o número era de 120 mil pessoas mortas por Covid-19 no Brasil. Hoje, estamos chegando a quase 300 mil mortos. É uma tentativa de silenciamento, censura e intimidação aos professores, como foi o caso recente da Universidade de Pelotas (RS) e também com cientistas, artistas e intelectuais que se colocam contrários as políticas do governo Bolsonaro", declarou.
Entenda o caso
Após a publicação de outdoors, em 2020, que anunciavam 'O senhor da morte chefiando o país’, responsabilizando o presidente Jair Bolsonaro pelas mais de 120 mil mortes por Covid-19 no Brasil, a Universidade Federal Rural de Pernambuco informou que a Polícia Federal, a pedido do presidente, abriu inquérito criminal para apurar a colocação dos cartazes, feito pela
Associação dos Docentes da UFRPE (Aduferpe).
A professora Erika Suruagy, atual vice-presidenta da entidade, que presidia a Aduferpe na ocasião, foi convocada a depor na sede da PF – para prestar esclarecimentos. Ainda de acordo com a diretoria da entidade, o ato é considerado "um brutal ataque à liberdade de expressão, garantida constitucionalmente, numa tentativa de calar opiniões e intimidar o livre e legítimo exercício da atividade associativa".
A Assessoria Jurídica da Aduferpe afirmou que não há base legal para a instauração de um processo. E considera essa convocação da professora Erika "uma ação de cunho político do senhor Jair Bolsonaro – numa atitude incompatível com sua condição de presidente da República", concluiu.