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Curso de Ciência da Computação da Unicap completa 40 anos e celebra com encontros virtuais

Publicado em: 31/03/2021 14:40 | Atualizado em: 31/03/2021 16:17

A Unicap formou 2.488 profissionais em Ciência da
Computação.  (Foto: Divulgação/Unicap)
A Unicap formou 2.488 profissionais em Ciência da Computação. (Foto: Divulgação/Unicap)


Em tempos em que o isolamento social decorrente da pandemia da Covid-19 levou o mercado a acelerar seus processos de transformação digital, a Universidade Católica de Pernambuco está comemorando os 40 anos do curso de Ciência da Computação, que faz parte da Escola Unicap Icam Tech, formação acadêmica imprescindível nos avanços tecnológicos. “Celebramos esses 40 anos em um momento crucial. Por um lado, estamos vivendo o contexto de uma difícil pandemia mas, que apesar de tudo, impulsionou a revolução digital. E por outro lado, estamos presenciando a Unicap reinventar sua estrutura acadêmica, adotando novas formatações e se adaptando ao modelo de aulas telepresenciais”, aponta o reitor da instituição, Padre Pedro Rubens.

“Teremos um ano para aprofundar as discussões sobre a importância do curso para comunidade acadêmica e para a sociedade. Iremos cumprir três agendas: a da memória, resgatando com gratidão tanta gente que fez a história do curso. A do presente, mostrando o panorama atual da graduação, e a da atualização, que significar abraçar o presente e projetar um futuro com ousadia. É importante ainda, agradecer a todas as gerações de professores e funcionários que trabalharam pelo êxito do curso”, completa Padre Pedro.

Em 27 de novembro de 1980 foi instituído o curso de Bacharelado em Informática, que no ano seguinte veio então a formar a primeira turma em 1981, a data que referencia a comemoração. Ao longo desses anos, o curso manteve a sua missão de promover a capacitação e desenvolvimento científico e tecnológico, e uma maior integração do ensino, pesquisa e extensão. A primeira turma finalizou a graduação em 1986. Hoje, a Unicap contabiliza a formação de 2.488 profissionais no curso. “Estamos muito felizes de comemorar essas quatro décadas. Preparamos diversas ações bem interessantes para reviver esse momento tão especial que iniciou com a primeira turma em 1981. Teremos algumas atividades como ciclos de palestras, painéis de negócios, painéis de ensino, pesquisa e extensão e em todos eles vamos contar com a presença de alunos egressos, nomes que fazem parte dessa história”, explica a coordenadora do curso, Liliane Fonseca.

As atividades comemorativas vão ficar concentradas no canal do YouTube da Unicap. O encontro - mais recente abordou o tema "Mulheres em Ciência da Computação: Panorama e Tendências do Futuro Profissional", com apresentação da coordenadora Liliane Fonseca, e mediação da estudante Katherine Coutinho, além das convidadas, as ex-alunas Barbara Fernandes, gerente de projetos e market client principal da ThoughtWorks, Michelle Horta, professora da graduação, e Melissa Pontes, que é QA Lead at Mesa Mobile Thinking. “Antes existia muitos estereótipos para a área de computação. O estereótipo de gênero, financeiro, de cor de pele e até de mindset. E hoje, a gente entende que a pluralidade e diversidade das pessoas é o que faz o curso de computação, que contribuem para a tecnologia funcionar. São pessoas que pensam diferente, muito criativas, que fazem a tecnologia evoluir”, afirma Liliane Fonseca.

A temática do empoderamento feminino foi abordada no bate-papo do YouTube. Nos primórdios do curso de Ciência da Computação, era observada a predominância feminina, alunas que migravam do curso de matemática, fenômeno que já não ocorre atualmente. De acordo com o corpo docente, vem sendo observado um declínio no número de alunas nas salas de aula. “Enxergo que existe uma visão muito errada de que a mulher não pertence à área. Mas isso vai muito do perfil da pessoa. O curso é sim para mulheres”, afirma a ex-aluna e professora da Unicap Michelle Horta, que atualmente é responsável por ministrar as disciplinas de Sistemas de multimídia, Computação gráfica e Introdução à robótica.

Coordenadora Liliane Fonseca diz que a diversidade das pessoas é o que faz o curso de computação (Foto: Débora Dantas/Esp DP)
Coordenadora Liliane Fonseca diz que a diversidade das pessoas é o que faz o curso de computação (Foto: Débora Dantas/Esp DP)
Outro grande diferencial e sucesso do curso é a formação humanística do profissional de tecnologia, que cursa disciplinas de filosofia e ética na grade curricular. “Tudo isso que a gente está trabalhando nos avanços tecnológicos requer implicações éticas. Principalmente na construção dos sistemas de automação e de tomadas de decisão, do algoritmo. Estamos vivendo uma crise ética no mundo e os alunos de Ciência da Computação, que têm essa formação desde cedo, aprendem a chegar mais bem preparados para o mercado”, analisa o ex-aluno do curso Carlos Renato Azevedo. Um profissional com esta formação vai entender com mais profundidade os dilemas que o mercado enfrenta e estar mais bem preparado para apresentar soluções e fazer a diferença. “Há décadas que na grade da Católica existe essas disciplinas, então você percebe que é formação atemporal e que o curso já estava na vanguarda”, afirma.

Números

1981 ano da primeira turma de Ciência da Computação

1986 formatura dos primeiros bachareis em Ciência da Computação

3.230 horas (carga horária completa do curso)

2488 alunos formados até 2020.2

8 períodos (mínimo) e 16 períodos (máximo)

4 laboratórios fazem parte da estrutura

Boas oportunidades durante a graduação

O ex-aluno Carlos Renato estudou na Singularity University. (Foto: Arquivo Pessoal)
O ex-aluno Carlos Renato estudou na Singularity University. (Foto: Arquivo Pessoal)
Com o avanço da tecnologia, a Ciência da Computação vem ganhando cada vez mais importância no Brasil e no mundo. Em Pernambuco, a Unicap assume papel fundamental na formação de profissionais que são direcionados ao mercado de trabalho e alcançaram boas posições em empresas nacionais e internacionais. Um dos exemplos é a trajetória do pernambucano Carlos Renato Azevedo, ex-aluno e concluinte em 2008, radicado em Campinas (São Paulo), que se dedicou com afinco e colheu bons frutos na profissão. Após a graduação, foi selecionado entre 80 participantes para o Global Solutions Program, em 2010, e estudou na Singularity Univerity, da NASA. Ao longo da carreira profissional, atuou em empresas de tecnologia como Ericsson e Samsung e atualmente é diretor de ciência de dados da Coteminas, em São Paulo. "Quando estava na graduação tive o privilégio de ter vários professores com experiência no mercado e também professores muito engajados com a prática científica. Tudo o que o jovem precisa são exemplos e inspirações", relata.

No curso, a Unicap estimula os alunos e oferece oportunidades como programas de monitoria, com bolsas e apoio financeiro e o estímulo à iniciação científica. "Toda essa estrutura fez toda diferença na minha vida. Foi fundamental para minha carreira ter acesso a oportunidades. Fiz três mentorias e fui muito feliz. É ensinando os colegas e tirando dúvidas que se aprende. Meu conselho é: agarre as oportunidades que o curso vai te der. Aprender a aprender também é uma constante. As pessoas que não investem em aprendizado contínuo acabam ficando para trás", explica.

Carlos acumulou boas experiências como monitor de Algoritmos e Estrutura de Dados,  voluntário de Iniciação Científica, monitor de Técnicas de Simulação, bolsista PIBIC, teve oito artigos publicados, um estágio, dois empregos e finalizou o curso com láurea acadêmica. "Ser uma pessoa organizada, disciplinada com seu próprio tempo e ser muito otimista. Escolher um curso com potencial para transformar a sociedade, o papel do profissional só cresce e com a relevância vem grandes responsabilidades", detalha.

Mercado aquecido e setor em ascensão
Entre as possíveis áreas de atuação, o profissional de Ciência da Computação pode conquistar vagas nos setores de desenvolvimento de sistemas de informação, desempenhando os papéis de analista de sistemas, programador de sistemas, gerente de desenvolvimento de sistemas, gerente de projetos de sistemas; de infraestrutura de tecnologia da informação, em cargos de analista de suporte, administrador de banco de dados; e ainda como gerente de redes de computadores, gestão de sistemas de informação, entre outros.

O mercado de trabalho para a área nunca esteve tão aquecido. Segundo dados recentes do Banco Mundial, até 2024 haverá a criação de novas 420 mil vagas na área de tecnologia. O crescimento do número de oportunidades ainda é pequeno, se comparado ao aumento significativo do uso da tecnologia no último ano.

"Gestores estão enfrentando dificuldades de recrutamento, porque existe muito mais demanda de profissionais do que a oferta. Vivemos uma verdadeira guerra de talentos”, analisa o ex-aluno Emanuel Di Matteo, CEO da Liferay na América Latina. Segundo Emanuel,  vivemos a chamada “era de ouro” da Engenharia de Software, e para ele, as universidades precisam se atualizar e estar sempre atentas aos processos evolutivos do mercado.

"A iniciativa privada se aproxima cada vez mais da academia. É um trabalho que a gente vem fazendo de captação e recrutamento. A comunidade acadêmica com a potência da Unicap agrega valor fazendo a ponte de alunos, que de fato têm capacidade intelectual de desenvolver bem o trabalho no que diz respeito às tendências", explica. "Em um momento onde o mercado está superaquecido e que a gente precisa de profissionais capacitados, a Unicap tem sido esse grande celeiro de cérebros atuantes. Enxergo que a instituição possibilita o aluno a se desenvolver de maneira generalista, esse aluno que sai da universidade e pode atuar em diversas vertentes”, complementa. Pernambuco é apontado como importante polo de tecnologia e desenvolvimento de software, antenado às inovações, principalmente pela boa qualidade da boa mão-de-obra disponível. "A universidade é vital nesse processo da formação intelectual de formadores de opinião, lideranças importantes para as organizações que hoje são responsáveis por boa parte do PIB do nosso estado".
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