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SAÚDE

Bipolaridade atinge 60 milhões de pessoas; especialista desmistifica

Publicado em: 30/03/2021 15:00

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Os problemas da mente seguem na esteira das adversidades causadas e/ou potencializada pela Covid-19 no Brasil e no mundo. O confinamento, por exemplo, aciona a ansiedade e potencializa o problema, colocando em risco o nosso psicológico. Nesta terça-feira (30) celebra-se o Dia Mundial da Bipolaridade. Convidado pela reportagem, o psiquiatra Júlio Gouveia desmistifica a doença que registra mais de 2 milhões de casos por ano no Brasil, e mais de 60 milhões no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). 


"A bipolaridade ainda enfrenta muitos estigmas, onde as pessoas acometidas se encontram em dois polos antagônicos: um deles apresenta um quadro eufórico que chamamos de mania, quando a pessoa passa a maior parte do tempo hiperativa, falante e sentindo-se segura. Já no polo depressivo, é comum um quadro de diminuição de energia, irritabilidade, tristeza, angústia e insônia”, detalha o psiquiatra.

O transtorno afetivo bipolar normalmente começa durante a adolescência ou no início da idade adulta. O diagnóstico pode levar anos para ser concluído e é baseado no levantamento da história e nos sintomas relatados pelo próprio paciente. “Os sinais são semelhantes com outras doenças e transtornos como hipertireoidismo e borderline”, pondera o médico.

Diagnosticada em 2018 com bipolaridade, a estudante Monique Duarte, 25, relata como é conviver com a doença. “As viradas de humor são cíclicas. Há períodos em que tenho uma energia fora do comum e acredito que vou produzir mais no meu trabalho, praticar exercícios físicos, fazer trabalho voluntário, entre outras atividades. Em contrapartida, a baixa do humor me deixa rasa e as ações comuns do dia a dia como levantar da cama, comer e escovar os dentes se tornam difíceis. Neste momento também é habitual ter ideias suicidas”, descreve a jovem que é acompanhada por médico psiquiatra e faz uso de medicamentos.

Para prevenir a instabilidade emocional e a recorrência de crises, Júlio defende que o tratamento seja seguido à risca. “O transtorno bipolar não tem cura, é uma doença recorrente, por isso é indispensável retirar fatores que contribuem para a piora do humor: álcool, drogas ilícitas, e a privação do sono. ”, reflete. “A psicoterapia é outro recurso importante no tratamento porque oferece subsídios para o paciente superar as dificuldades e prevenir as crises”, completa.

“Quadros depressivos sem tratamento adequado podem aumentar em 15% o risco de suicídio, a intercalada da fase de depressão com a de mania pode dar a falsa sensação de que a pessoa está curada e o distúrbio pode também afetar todos que convivem diretamente com o paciente, o que pode indicar a necessidade de terapia também para os familiares”, finaliza  Júlio Gouveia.
 
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