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NÃO-FOLIA

Sem Carnaval, ruas do Recife perdem um pouco do brilho, mas não o encanto

Publicado em: 12/02/2021 19:23 | Atualizado em: 12/02/2021 20:38

 (Arnaldo Sette/DP)
Arnaldo Sette/DP

Em vez de ruas enfeitadas, o frevo tocando alto e a multidão fantasiada, o cenário é o oposto no dia em que seria comemorada a abertura do Carnaval 2021 do Recife. Do Marco Zero até a Ponte Duarte Coelho, no Centro, nenhum indício aponta que é o período carnavalesco. Esse ano as celebrações da maior manifestação cultural pernambucana foram canceladas por causa da pandemia da Covid-19. Nas ruas, o sentimento da população, para além da tristeza, é de esperança para com a vacina contra o coronavírus.

“É melhor a saúde do que pegar essa doença, não é?”, reflete dona Tiene Santos, 64 anos, que há 20 anos trabalha vendendo espetinhos na Rua do Sol, às margens do Rio Capibaribe. “Imagina se tivesse Carnaval, o povo estaria na folia. E a situação dos hospitais é grave. Fica difícil imaginar uma festa”, pondera.

 (Arnaldo Sette/DP)
Arnaldo Sette/DP

A barraca de dona Tiene tem uma vista privilegiada para a Ponte Duarte Coelho, que há 25 anos recebe o Galo Gigante, um dos símbolos do carnaval do Recife, mas que devido às medidas de restrição, a alegoria não foi montada. “Nesses mais de vinte anos que trabalho aqui, hoje o sentimento é de tristeza. Veja a ponte, não tem nada. Tudo que temos é doença e o povo nessa situação. Agora a ponte estaria bonita, cheia de animação, sem falar das pessoas de fora que vinham para ver o Galo Gigante. Agora não tem mais nada. Acabou”.

Para a socióloga Mônica Ayana, de 48 anos, que andava na ponte quando foi abordada pelo Diario, ver o local sem a estátua gigante causa estranheza. “O sentimento é estranho, pois todo ano vemos o Galo montado, vemos a alegria do povo pernambucano”, conta.  Ela atribui tal sentimento à forma como foi realizado o enfrentamento da pandemia. “Infelizmente, por conta das questões da vacina e do negacionismo, por não ter sido feita uma atitude prévia mais eficaz, para que essa pandemia não fosse tão grave aqui”, critica.

 (Arnaldo Sette/DP)
Arnaldo Sette/DP

Cruzando a ponte, os sentimentos do manobrista Ranilson Geraldo, do Recife Plaza Hotel, na Rua da Aurora, são de ausência e esperança. “Eu vivi muitos carnavais aqui. Sinto falta do carnaval e dos hóspedes, que sempre vêm para cá. Sinto falta do frevo, pois aqui ferve o frevo. Uma coisa que me marca muito é o Galo gigante na ponte. Faz muita falta. Mas tenho a esperança de que o próximo Carnaval será em dobro”, conta.

 (Arnaldo Sette/DP)
Arnaldo Sette/DP


“Uma das memórias que tenho é em relação a multidão. Na sexta-feira de Carnaval, a gente não parava. Começava às seis da manhã indo até o outro dia, um movimento imenso de hóspedes, o frevo passando sem parar. Mas dava tempo para brincar também. Largava a noite daqui e ia para o Recife Antigo, voltava e dormia. No sábado, que é o Galo, eu estava aqui na luta”, relembra o manobrista, que trabalha no local há 23 anos.

 (Arnaldo Sette/DP)
Arnaldo Sette/DP

No bairro do Recife Antigo, a vendedora ambulante Maria Lúcia Freitas, de 50 anos, relata as dificuldades devido à proibição do comércio das 20h da sexta-feira (12) às 6h da segunda-feira, assim como aconteceu no Sítio Histórico de Olinda. “Esse período está sendo muito triste, porque não podemos trabalhar. Ao mesmo tempo, estou com medo dessa doença. A população não pode tumultuar. Hoje o Galo já deveria estar montado e a minha barraca também. É o período em que a gente trabalha e que ganha um trocado. Sem o carnaval, a gente não tem”, lamenta.

Apesar das restrições do Governo do Estado, com a proibição do funcionamento de bares, restaurantes e do comércio de rua no Sítio Histórico de Olinda e no Bairro do Recife, que vale das 20h desta sexta-feira (12) até às 6h da segunda-feira (15), ainda foi possível encontrar alguns turistas desbravando a cidade deserta. É o caso da psicóloga Ana Paula Cavalheiro, 26 anos; e do jornalista Fábio Blanco, 30 anos, que optaram por um turismo mais tranquilo e sem aglomerações.

“A gente veio aqui imaginando que não daria para brincar, por conta das medidas de restrição, então viemos focados mais na parte cultural e das praias, pensando num turismo um pouco mais tranquilo”, explica Ana Paula, em sua primeira visita à capital  pernambucana.

Para a psicóloga paranaense, o desejo de conhecer o Recife em período festivo só aumentou. “O que a gente mais escuta é que precisamos voltar quando não tiver com as medidas de restrições. Espero que no próximo já não tenha mais realmente nenhuma condição atípica, para que a gente possa curtir, aglomerar quando quiser”, afirma. “Inclusive, saudades de aglomerar”, brinca.

 (Arnaldo Sette/DP)
Arnaldo Sette/DP

O retorno do jornalista Fábio Blanco, que já veio ao Recife em outras ocasiões, é devido aos espaços culturais e de lazer. “É a segunda vez que venho ao Recife. Muito me atrai na questão cultural, e Carnaval é um desses atrativos. Eu espero que no ano que vem o Carnaval seja muito melhor do que poderia ter sido esse ano, já tomado por um sentimento de alegria ainda maior ainda”, fala.

Com as altas expectativas para um futuro próximo, o comunicador tece elogios a cidade, que perde um pouco do brilho, sem o Carnaval 2021, mas não o encanto. “Espero que seja ainda mais festivo e colorido no ano que vem, com todo sentimento de alívio, que a gente possa curtir muito mais Recife e Olinda. O povo daqui é sempre muito receptivo e as pessoas são muito legais e simpaticas. Tem sido um tempo muito bom aqui. E o Recife é uma cidade muito especial para o Brasil, para nossa cultura e história. Apesar de tudo, estou muito feliz e quero voltar no ano que vem e nos próximos carnavais”, finaliza.
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