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Arquiteta lança livro sobre prédios modernistas e históricos do Recife

Publicado em: 09/02/2021 13:54 | Atualizado em: 09/02/2021 16:04

 

 (Foto: Cortesia/Divulgação)
Foto: Cortesia/Divulgação

Você pode até não conhecer a história, mas provavelmente já passou por um prédio de arquitetura modernista recheado de memórias importantes para a cidade do Recife. Basta mencionar alguns deles: o Hotel Central, Edifício Holiday, Edifício Acaiaca. O nome é traiçoeiro, eu sei. De "novo" -e moderno, na nossa definição diária-, esses prédios não tem quase nada. Mas é que existe uma diferença entre o moderno e o contemporâneo, e a definição se distancia ainda mais do nome quando se fala no âmbito da arquitetura.

O movimento Modernista tomou força no início do século XX e foi marcado por um período de rejeição aos estilos tradicionais. Aqui no Brasil, o movimento arquitetônico foi influenciado pela Semana de Arte Moderna de 1922.

 

Passeando pelas ruas da capital pernambucana, não precisa procurar muito, logo você encontra uma construção que exemplifica o movimento. Mas se você não souber identificar, não tem problema! A arquiteta e fotógrafa Maria Laura Pires, de 25 anos, pode te ajudar. Laura criou um projeto chamado Prédios do Recife. O objetivo é pesquisar, documentar e dar visibilidade ao patrimônio arquitetônico modernista da cidade do Recife. o trabalho é acolhedor e faminto por identificação cultural e pela amplitude de uma arquitetura democrática: livre de teorias e apegado à prática do antigo conhecimento das ruas.

O trabalho foi inaugurado em março de 2016, quando Laura ainda era estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo. Movida pela paixão em arte e arquitetura, como explica em seu comentário autobiográfico, a estudante decidiu criar uma página do Facebook para postar suas fotografias e nomeou o projeto de "Prédios do Recife". Hoje, a possui mais de 6 mil seguidores no Instagram (prediosdorecife), além dos acessos pelo site, onde vende fotografias e seus livros. Os preços das versões digitais variam entre R$ 25 e R$ 90. 

 

"No início da faculdade eu fiz um curso de fotografia digital e passei a fotografar prédios para os trabalhos da faculdade. Nós temos que fazer análises e, registrando essas edificações, eu descobri uma parte do Recife que eu não conhecia. Comecei a olhar para os prédios da cidade com outra visão. Eles têm mais personalidade do que os prédios que eu conhecia em Boa Viagem, onde moro. Então eu me apaixonei por arquitetura moderna e  criei o 'Prédios do Recife' influenciada por uma pagina de São Paulo", contou.

 

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação

A arquiteta contou com o apoio de familiares e amigos para seguir com o trabalho, e recebeu a ajuda do pai para inovar.

 

"Meu pai, que é jornalista, me incentivou a não só postar foto, mas também pesquisar e escrever sobre eles. Acabei criando um blog sobre eles [os prédios] para explicar o que estava acontecendo com as edificações da cidade. Além de registrar os prédios com a minha visão de fotógrafa e arquiteta, eu também a passei a fazer denúncias sobre a destruição patrimonial e aproveitei pra compilar tudo isso em um livro", explicou Laura. 

 

Para a estréia do segundo livro, Maria Laura enfrentou dificuldades devido à pandemia da Covid-19. Mas o objetivo do seu trabalho falou mais alto.

 

"Tive muitos problemas durante a campanha porque não abriu edital, perdi patrocínios com a pandemia e tive que enxugar o projeto, procurar uma gráfica mais em conta. Eu estou fazendo este livro para a cidade. Eu quero que o meu trabalho saia desse nicho de arquitetura. A gente nunca vai ter uma valorização merecida [dos prédio], se não contar admiração de todos", esclarece. 

 

O tema chamou a atenção da arquiteta pelo diferencial das construções e da corrente de pensamento por parte dos idealizadores. Laura também aconselhou estudantes do curso a pensar além.

 

"É um movimento que tem identidade. Um movimento do século XX que tem todo um pensamento arquitetônico e urbanístico por trás. O conselho que eu dou para os alunos do curso é ir pra rua e exercitar o olhar. Não adianta fazer Arquitetura e Urbanismo e ficar no computador pegando fotos do Google Maps. Meu conselho é: descubra a sua cidade", concluiu.


 

 


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