Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Local

ÁGUA

Com água escassa, moradores do Sítio Histórico apelam para bica e água mineral

Publicado em: 26/01/2021 19:07 | Atualizado em: 26/01/2021 20:01

 (Foto: Arnaldo Sete / Esp. DP Foto)
Foto: Arnaldo Sete / Esp. DP Foto
Os moradores do sítio histórico de Olinda estão sofrendo com uma crise hídrica na região. A falta de água nas torneiras acontece durante uma pandemia, que exige maior rigor na higiene e, por isso, mais água do que o habitual. O desafio aumenta para quem tem idosos que necessitam de cuidados especiais. O intervalo entre à água que chega da rua, varia entre sete e 30 dias em alguns locais. A Compesa ainda divulgou recentemente que Olinda está entre os 10 municípios que vão participar do esquema de racionamento, que já começou e não tem data de término.

Abrigando a sogra, Zélia Pereira, de 82 anos, acamada em sua casa no Largo do Amparo desde o mês de novembro, o aposentado Nelson Martins, 64 anos, não sabe o que é abastecimento regular. O único período do ano que ele garante ter água nas torneiras é no carnaval. "Hoje (ontem) completamos sete dias sem água, a promessa é de que amanhã (hoje) a água vai chegar aqui. Porque são sete dias sem água e um dia com água. Na verdade, eles não mandam água um dia todo, só são algumas horas", afirmou.

No momento Nelson está sem lavar roupas e preferiu poupar o pouco do recurso para outras necessidades, como tomar banho e cozinhar. A conta sempre chega, nunca atrasa, mas também não fecha. Até agora o contador da Compesa marcou que a casa de Nelson usou mais de 20 mil litros e ele garante que não consumiu toda essa quantidade de água. 

Também com uma idosa acamada de mais de 100 anos em casa, a professora Nataly Cristina, 32 anos, não tem água na torneira há pelo menos 15 dias. Ela é residente do bairro do Bonsucesso, que também faz parte do Sítio Histórico de Olinda. Uma das opções que restam para conseguir água é comprando garrafões de água mineral. A professora também foi prejudicada no seu trabalho por conta da falta de água, pois dá aulas de reforço escolar para algumas crianças. E por conta da falta de água alguns pais não estão mandando mais os alunos.

A tia de Natalay, Helbanaide Mendes, 65 anos, - que mora na mesma residência - já abriu tês procolos solicitando o caminhão-pipa que até o momento não chegou. Só metade de uma das duas caixas d'água está abastecida, o que não é suficiente por muito tempo. "Eu estou comprando água mineral, cada garrafão saiu por R$ 5 e por dia eu uso quatro. Mandaram uma conta para mim de quase R$ 400, tive que ir lá para poder resolver. Ainda chegaram a cortar o abastecimento de água por conta disso. Geralmente eu pago no máximo R$ 100", disse Helbanaide. Quando à água chega na casa dela é sempre na parte da madrugada e só por algumas horas. Nesse endereço a Compesa informou que o abastecimento será normalizado hoje, seguindo o novo calendário. 

Diariamente Dôra Canuto, 59 anos, tem que desembolsar R$ 10 para ter um pouco de água em sua residência. Dôra tem que pagar alguns rapazes da região para buscarem baldes de água da Bica do Rosário, no Bonsucesso. "A última vez que chegou água e eu consegui abastecer as caixas de água foi dia 21 de dezembro, desde então ela não chegou mais", afirmou. Desde então ela abriu 38 protocolos e mandou reclamações à Compesa por diversos canais. Dôra também cuida de um irmão que é deficiente e possui comorbidades, além de uma bolsa de colostomia.

"Desde o natal que nós estamos sem água, agora a conta a gente tem que pagar completa", disse Antônio Alexandre, 60 anos, que mora ao lado de sua irmã, Dôra.

Em resposta a Compesa informou que a região do Sítio Histórico de Olinda receberá o abastecimento de água hoje. Segundo a estatal, o abastecimento seguirá o esquema que foi divulgado na última sexta-feira (22). "As dificuldades de abastecimento verificadas nos últimos ciclos decorrem dos atuais níveis dos mananciais, devido à escassez de chuvas em 2020 e as previsões de precipitações abaixo da média para o primeiro trimestre deste ano", informou o comunicado. A Compesa também informou que se os moradores não receberem água no intervalo de sete dias devem entrar em contato com a empresa por meio do 0800 081 0195.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Covid longa preocupa OMS e desperta desafios
Manhã na Clube com Rhaldney Santos - 25/02
Bolsonaro diz não ter briga com a Petrobras
Manhã na Clube com Rhaldney Santos - 24/02
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco