Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Local

Pandemia

"Queria abraçar todo mundo", diz pernambucana que tomou segunda dose da vacina contra a Covid no Canadá

Publicado em: 06/01/2021 19:51 | Atualizado em: 07/01/2021 12:08

Arquivo pessoal
"Eu queria gritar e abraçar quem passasse pela minha frente, mas ainda não é possível." A pernambucana Edlene Martins de Andrade, 40 anos, define assim a emoção que sentiu após tomar a segunda a última dose vacina contra a Covid-19, no Canadá. Profissional de saúde, ela recebeu o imunizante da Pfizer nesta terça-feira (5), cerca de 20 dias após a primeira dose. Edlene, que se formou nutricionista e exerceu a profissão no Brasil, mora há oito anos no Canadá - país que já registrou 624,719 casos e 16,327 mortes por coronavírus -, onde trabalha como técnica de enfermagem e atende pacientes da Covid-19 em Ottawa, capital do país. Em entrevista ao Diario, a profissional, que vive na América do Norte com o esposo, também brasileiro, classifica a chegada da vacina como uma luz no fim do túnel e diz que virá ao Recife, para visitar seus pais idosos, assim que a pandemia terminar. Confira:

Como você se sentiu ao receber a segunda dose de uma vacina que lhe deixará imune a um vírus responsável pela morte de quase dois milhões de seres humanos?

Meu sentimento foi de felicidade, gratidão, esperança que dias melhores virão. Eu queria gritar e abraçar quem passasse pela minha frente, mas ainda não é possível porque as normas de segurança sanitárias continuam. Temos que usar máscaras e fazer distanciamento. Tive que me conter e só pude agradecer mesmo pela oportunidade. Agora me sinto muito mais segura e confortável para continuar trabalhando, até porque quem trabalha com pessoas que estão com o vírus sente medo de se contaminar. Desde que a pandemia começou, todo profissional da área de saúde está trabalhando muito. Estamos sempre de máscara, protetor facial, fazendo as trocas de luva, higienizando tudo, e isso tudo é muito desgastante física e emocionalmente. A gente está bem exausto. Aqui algumas normas já mudaram. Quem trabalha na área de saúde está com carga horária máxima e não pode tirar férias. Quando você vê o número de casos aumentando, dá aquele desânimo. A vacina chegou para dar uma acalmada. É como se alguém dissesse "calma, que isso está passando". A gente vai passar por tudo isso junto. É uma luz no fim do túnel e uma esperança para todo mundo.

Em todo o mundo, e no Brasil não é diferente, muitas pessoas questionam a eficácia das vacinas, da própria gravidade da doença e do papel da ciência de modo geral. O que você teria a dizer a elas?

Eu acho muito triste quando escuto algo que põe em dúvida a eficácia da vacina e a credibilidade da ciência. A gente que trabalha na área de saúde, lê e estuda muito sobre isso, procura informação em sites e revistas de saúde. Desde criança todo mundo toma vacinas para doenças como pólio, sarampo e tétano, mas e agora aparecem esses questionamentos. Alguns perguntam como essa vacina foi desenvolvida tão rápido. Mesmo antes de aparecer o coronavírus já havia bases de dados com vírus similares, como Sars e Mers. Adicionado a isso tudo, houve grande investimento em pesquisa. Se você já tem uma base e alguém coloca dinheiro, a pesquisa vai se desenvolver muito mais rápido. É o mundo todo fazendo isso, então quanto investmento e tecnologia tem aí? Na internet não faltam vídeos e reportagens de veículos de confiança que mostram de maneira simples e didática para todo mundo entender como a vacina atua no corpo. Então é triste quando você vê fake news que colocam a vida da população em risco. A falta de informação pode tirar vidas. Questionamentos são válidos, mas não inventar coisas sem fundamento nenhum. Eu juro que não entendo porque as pessoas criam fake news em cima de uma coisa tão importante. Tem pessoas que já têm opinião formada e não vão tomar vacina. Por isso é importante que o processo seja divulgado de forma didática.

No Brasil não há previsão de vacina ainda. Os casos e mortes crescem rapidamente, mas parte da população segue se aglomerando em festas. Como está a situação no Canadá neste momento? A postura dos canadenses é diferente nesse sentido?

A cidade de Ottawa fica numa província de mesmo nome, equivalente a um estado no Brasil. A provícia está em lockdown desde 26 de dezembro. Como em todo lugar do mundo, aqui há pessoas irresponsáveis. A diferença é que a proporcão dessas pessoas é menor e a fiscalização é mais rígida. Se tiver festa e houver denúncia, a polícia vai lá, acaba com a festa e autua os frequentadores para pagar multas altíssimas. Essas pessoas também correm o risco de serem presas. Mas infelizmente a irresponsabilidade não escolhe país nem nacionalidade.

A Covid mudou a vida de todos. Quais foram as alterações na sua vida e o que você sonha em fazer depois que a pandemia tiver acabado?

Eu planejo tanta coisa, mas também estou tão cansada... Quando isso tudo terminar eu vou tirar uns dias de férias. Nos primeiros dias eu vou tentar dormir. E também vou ao Recife para abraçar meus pais, ver meus amigos. Desde março de 2020 só posso tirar três dias de folga no máximo por causa do estado de emergência. Todas as férias foram canceladas até março deste ano, quando a situação vai ser avaliada novamente.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Mundo tem recorde de mortes por Covid-19 em 24 horas
Manhã na Clube com Rhaldney Santos - 27/01
AstraZeneca defende eficácia em idosos depois de questionamentos
Manhã na Clube com Rhaldney Santos - 26/01
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco