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PREVISÕES

Novos desafios para a saúde e a educação em 2021

Publicado em: 01/01/2021 15:30 | Atualizado em: 01/01/2021 16:01

 (Andréa Rêgo Barros/PCR)
Andréa Rêgo Barros/PCR

A pandemia da Covid-19 escancarou diversos problemas sociais. Na saúde e na educação, duas áreas que foram extremamente afetadas pela crise sanitária, profissionais e representantes dos setores contam as expectativas para este novo ano de 2021. Com a iminência da vacinação a luta contra o vírus e a busca por melhores condições de trabalho são reinvindicações para médicos e professores — profissionais que tiveram suas atividades diretamente impactadas com a nova realidade imposta.

“A gente fica de olho comprido, como diz o povo, com o que vai acontecendo nos países do resto do mundo, e da América do Sul, que já começaram a vacinar. E a gente está aqui sem saber quando começa, porque o governo não tem compromisso”. A declaração da presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Valéria Silva, representa bem o clima atual dentro de um panorama de crise no país.

Para os profissionais que atuam na linha de frente ao combate da Covid-19, a situação é alarmante. “Os médicos já estão muito cansados, porque o paciente de Covid-19 vale por três pacientes graves numa UTI, pois eles precisam de cuidados específicos, cuidados respiratórios, de manutenção”, ressalta o presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Mario Fernando Lins.

Os médicos vivenciam o ineditismo e o medo que o efeito do aumento de casos graves pode causar no sistema. “Se formos pensar na Região Metropolitana, a gente está numa crescente de casos. Para que isso realmente se estabilize e comece a cair, a gente precisa do apoio de toda a população, para que possamos manter essas barreiras de seguranças”, relata a infectologista Millena Pinheiro, do Real Hospital Português (RHP).

Os receios da vacina e aumento de casos

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) vê um cenário preocupante do sistema público. E, por isso, mais 30 vagas de UTI estão previstas para entrar em funcionamento nesta primeira semana de janeiro. Atualmente, a rede possui cerca de 760 pacientes internados, de acordo com o boletim divulgado no último dia 30. “Quando analisamos o número de pacientes internados em leitos de UTI na rede pública de saúde, ainda vemos uma situação que nos causa preocupação (...) Ainda vivemos um momento que requer atenção e o reforço na adoção de cuidados, porque nossas atitudes serão determinantes para os indicadores das próximas semanas”, explicou o secretário estadual de Saúde, André Longo.

Com abertura de novos leitos e o cansaço dos profissionais de saúde, o Conselho Regional de Medicina (Cremepe), vê a situação como preocupante. “Estamos preocupados com o cansaço das nossas equipes médicas, de enfermagem, fisioterapeutas e etc. Estamos diante de um gravíssimo problema de saúde. O mundo inteiro está se preocupando. E vem por aí uma nova variante do vírus, que chega a ser 70% mais infectante. Isso é preocupante”, enfatiza o doutor Mario Fernando Lins.

O doutor Mario Fernando Lins, presidente do Cremepe, vê a situação como preocupante (Cremepe/Divulgação)
O doutor Mario Fernando Lins, presidente do Cremepe, vê a situação como preocupante (Cremepe/Divulgação)

O médico afirma que evitar aglomeração, lavar as mãos com água e sabão, fazer uso de álcool 70% e usar máscaras é essencial para evitar o contágio pela disseminação da doença. “Nós entendemos que leitos de UTI e de enfermarias são importantes. Mas tem que se barrar o vírus, tem que se criar barreiras.

A infectologista Millena Pinheiro relata sobre a polêmica da vacina da Covid-19 no Brasil  (Arquivo pessoal)
A infectologista Millena Pinheiro relata sobre a polêmica da vacina da Covid-19 no Brasil (Arquivo pessoal)

Para a infectologista Millena Pinheiro, que integra a Comissão de Controle de Infecção do Real Hospital Português (RHP), o novo imunizante é polêmico. “A vacina ainda está revestida de um cunho político muito forte. Mas quando elas chegarem, a gente ainda não vai perceber de imediato uma mudança dos hábitos que a gente está tendo até agora. O que acredito é que o ano de 2021 vai ser muito parecido com o ano de 2020 no sentido das medidas de proteção”, diz a médica.

Professores buscam melhores condições

A luta por melhores condições de trabalho e pelo direito dos estudantes à Educação é o que marca as expectativas para o novo ano, segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintepe), Valéria Silva. “O que a gente quer é que tenhamos condições para efetuar nosso trabalho no ano que vem. O professor tem que ter as condições para cumprir o seu trabalho. E os estudantes têm que ter esse direito à educação”, enfatiza.

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação e Esportes, o estado adotará um sistema de ciclos, ou seja, serão realizados dois anos letivos em apenas um, com conclusão prevista para o final de 2021. “O que foi aprovado aqui em Pernambuco é que nós teríamos os dois anos, 2020 junto com 2021, pois o ano escolar ainda não terminou neste ano. Essa é uma forma de tentar não prejudicar a aprendizagem dos estudantes. E lutar para que a gente possa avançar, nessas políticas nacionais de educação”, explica a professora Valéria.

Para professora Valéria Silva a Educação não teve apoio (Sintepe/Divulgação)
Para professora Valéria Silva a Educação não teve apoio (Sintepe/Divulgação)

A busca pela renovação é o que marcou a rotina profissional dos professores neste ano. Para o próximo ano, segundo Valéria, as perspectivas continuam em levar a educação aos estudantes. “Esse ano isso foi altamente impactado, com a necessidade de um trabalho remoto. Uma tentativa e um esforço que está sendo feito para que a gente não deixe os nossos estudantes sem ter acesso à escola”.

Os desafios desse novo modelo de ensino logo se mostraram persistentes como explica a professora. “Melhorar essa questão da internet e das novas tecnologias; ver em que condições os professores poderiam chegar aos estudantes”, acrescenta.

A falta de regulação é também explicitada pelo professor Wallace Melo Barbosa, que é secretário de formação e assuntos econômicos do Sindicato dos professores de Pernambuco (Sinpro). “Não tínhamos completados nem sessenta dias de atividades remotas e já percebíamos, na comunidade escolar em geral, cansaço e esgotamento, com o tempo de tela, estresse, isolamento. Tudo contribuía, mas era preciso manter a escola viva”, ressalta.

Professor Wallace Barbosa relata sobre falta de regulação das novas rotinas nas escolas (Arquivo pessoal)
Professor Wallace Barbosa relata sobre falta de regulação das novas rotinas nas escolas (Arquivo pessoal)

Para o próximo ano ele espera uma escola mais preparada e apta para amadurecer as novas práticas de forma saudável e sustentável. ”Além disso, espera-se que o trabalho docente tenha mais regulamentação, pois os esforços têm sido hercúleos por parte dos professores e professoras, categoria que vem sentindo prejuízos financeiros e na saúde, mental e física”, finaliza Wallace.

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