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Direitos Humanos

Calçada da Memória recebe placas em homenagem aos desaparecidos políticos da ditadura militar

Publicado em: 10/12/2020 13:33 | Atualizado em: 10/12/2020 19:33

 (Foto: Leandro de Santana/ DP)
Foto: Leandro de Santana/ DP
No dia em que se completam 72 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Praça Padre Henrique recebeu placas em homenagem aos desaparecidos políticos da época da ditadura militar. A Calçada da Memória, onde está registrado o tributo, fica ao lado do Monumento Tortura Nunca Mais. A ação faz parte das atividades em alusão ao Dia Internacional dos Direitos Humanos realizadas pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Recife.

De acordo com os organizadores, familiares de desaparecidos políticos costumavam deixar homenagens no local, o que despertou para a criação da Calçada da Memória. Marcelo Santa Cruz, gerente de articulação de Direitos Humanos, memória e verdade da prefeitura do Recife, explica que a ideia surgiu no comitê de Memória, Verdade e Justiça, para repor as placas, anteriormente furtadas, como uma forma de homenagear as pessoas que lutaram na ditadura militar pela democracia. 

“A questão do desaparecido é o lado mais perverso da repressão. As pessoas é assassinada sob tortura e o cadáver ocultado dos familiares. Os entes queridos ficam esperando aquela pessoa voltar e, com passar do tempo, se convencem que aquela pessoa não volta mais. Então é iniciada uma nova luta que é saber as circunstâncias de que seu familiar morreu. Não se tem o tempo do luto, você fica sempre na busca”, contou Marcelo, que é irmão do desaparecido político Fernando Santa Cruz. 

De acordo com o relatório da Comissão Nacional da Verdade, Fernando Santa Cruz era estudante de Direito, funcionário público e militava na Ação Popular (AP), sendo visto pela última vez por seus familiares em 23 de fevereiro de 1974. Agora, Fernando está entre os homenageados nas placas da praça Padre Henrique.
Monumento Tortura Nunca Mais sobreposto às placas em homenagem aos mortos e perseguidos políticos pela ditadura militar. (Foto: Leandro de Santana/ DP)
Monumento Tortura Nunca Mais sobreposto às placas em homenagem aos mortos e perseguidos políticos pela ditadura militar. (Foto: Leandro de Santana/ DP)

Nara Santa Cruz, sobrinha de Fernando, reforça que a luta dos perseguidos políticos foi primordial para a conquista da democracia.

“A democracia custou o sangue e a vida de muitas pessoas, inclusive a do meu tio. A ditadura não é coisa do passado. É sobre o nosso presente e o nosso futuro. A gente precisa passar a nossa história a limpo. Precisamos falar sobre o direito à memória e à verdade. Se a gente não faz isso, estamos fadados a repetir os mesmos erros. A democracia não está posta ou dada. É algo com que precisamos estar eternamente vigilantes”, finalizou.

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