Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Local

Finados

Homenagens póstumas: o ressignificar da morte

Publicado em: 02/11/2020 16:43 | Atualizado em: 02/11/2020 18:08

 (Foto: Armando Holanda / Esp. DP )
Foto: Armando Holanda / Esp. DP

Da mesma forma que a vida, a morte pode ser ressignificada. É o que vem fazendo a dona de casa, 44, Magda Cristina de Carvalho. Residente em Abreu e Lima, há um ano e meio, visita, quase que diariamente, o jazigo de seu filho no Cemitério Morada da Paz, localizado em Paulista, no Grande Recife. Vítima de um ato suicida, o jovem de 22 anos partiu dessa para uma melhor. É o que acredita a mãe do estudante. O cemitério particular funciona 24 horas. 


“Vim visitá-lo aqui é como se fosse um resgate da presença física dele. Quando estou muito aperreada, a saudade bate forte e o desespero chega, venho aqui. Aqui tenho tudo isso aliviado. É ele, a presença do corpo físico dele, que me alivia”, alega Magda quando questionado o motivo de sua visita ao cemitério. A mãe, que sente falta do seu filho, segue “acompanhando” o jovem semanalmente naquele mesmo local. A maioria dos funcionários e funcionárias já a conhecem. 


Especialistas apontam que, assim como outros processos da vida, o viver o luto é necessário. "É uma fase que, em muitos casos, deixa o ser humano sem saber o que fazer. Mas, é muito necessário que seja feita essa passagem: de sentir o partir. É o ciclo da vida", destaca a psicóloga Luana Brito. Para o psicólogo Ruano Alves, 30, no luto "não há nada estabelecido ou estruturado que defina os modos de enfrentar o luto. Ele é vivenciado de forma singular por cada sujeito. Sendo assim, é possível pensar em “lutos”, cada indivíduo, sendo único, experienciará e expressará ele de diferentes formas. Ainda que este luto seja compartilhado por uma família, por exemplo, cada membro o expressará à sua forma de sentir e vivê-lo", ressalta.


Para Magda, a sua rotina de visitas é uma forma de manter o contato físico. Já que para ela, o seu filho se encontra em um lugar melhor.“Para muitas pessoas ir ao cemitério é doído, mas para mim não é. O corpinho dele está aqui. Então, a gente cuida do jardim, cuida das flores e conversar. Eu sei que não conseguir tirá-lo daqui, mas o meu carinho pela parte física dele está aqui”, conta.  


Durante a visita do Diario ao local, que estava seguindo todos os protocolos de segurança e higiene estipulados pelas autoridades sanitárias, estava ocorrendo um sepultamento. Em entrevista, a prima da jovem que não pôde ser identificada, relatou que aquele momento estava sendo doloroso e “estava sendo pior, pois a família estava em número menor para dar o adeus, devido aos protocolos de segurança da Covid-19 que todos estavam seguindo”. De acordo com Janaína, a prima morreu, assim como tantas outras, vítima da doença. “Ela lutou muito. Resistiu enquanto pôde. Mas, chegou uma hora que, até mesmo na UTI, a gente já sabia que não ia dar mais e que ela precisava partir”, desabafou.  


O Morada da Paz, localizado no município do Paulista, possui um limite de até 5 mil pessoas ao mesmo tempo no ambiente que conta com contadores de pessoas. De acordo com a supervisora do local, Pauliana Beltrão, o movimento está dentro do esperado. “Muito diferente de todos os anos. As visitas estão sendo rápidas. O que nos anos anteriores durava 40 minutos, esse ano estão até no máximo 10 minutos”, destaca a profissional. 


Pauliana destacou que, embora o ambiente funcione 24 horas, é esperado que as visitas se encerrem por volta das 20h. “Como todos os anos, esperamos que as visitas se encerrem por volta das 20h. Mas, como esse ano é um ano atípico, a gente não sabe bem como vai ser. Contudo, as nossas expectativas são para finalizar por volta deste horário”, finalizou.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Vacina russa afirma ter 95% de eficiência
ONU condena racismo estrutural no Brasil
Manhã na Clube com Rhaldney Santos - 24/11
De 1 a 5: a artista Isabela Cribari fala de suas obras na exposição Antropocenas
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco